Política

Temer adia visita a Roraima

A informação foi confirmada pelo cerimonial da Presidência da República; Temer quer acompanhar votações no Congresso Nacional

O presidente da República, Michel Temer (MDB), adiou a visita ao estado de Roraima. A viagem seria hoje, 19, e foi remarcada para a quinta-feira, 21. A informação foi confirmada pelo cerimonial da Presidência da República.

Inicialmente, o próprio Temer havia anunciado, durante visita a Assunção, no Paraguai, que a viagem para Roraima ocorreria hoje, 19. Mais tarde, contudo, ainda durante o encontro no Paraguai, fontes da Folha em Brasília informaram que a viagem passou para a próxima quinta-feira porque o presidente quer acompanhar as votações no Congresso Nacional desta semana, especialmente o projeto que envolve a cessão onerosa do pré-sal e a privatização das distribuidoras de energia elétrica da Eletrobras, prevista para ser votada também essa semana.

Em Roraima, Temer deve visitar os abrigos onde estão instalados os imigrantes venezuelanos para “averiguar as condições em que vivem essas pessoas, que vieram para o Brasil e outros países da região em busca de melhores condições de vida”.

No discurso no Paraguai, o presidente falou sobre a situação dos migrantes venezuelanos que estão em Roraima e disse que o Brasil tem distribuído roupas, alimentos e até uma identidade recém-criada para os venezuelanos. “Irei para Roraima inspecionar os abrigos e outras instalações. O povo irmão da América do Sul atravessa um momento preocupante e não há espaço para hesitações”, afirmou.

Segundo levantamento feito pela Prefeitura de Boa Vista, a entrada contínua de venezuelanos no Brasil está num ritmo de 12 mil pessoas por mês e 416 por dia, o que obrigaria Boa Vista a construir um abrigo por mês. Ao todo, a capital de Roraima tem oito abrigos, com cerca de quatro mil venezuelanos vivendo em barracas de lona, em espaços administrados pelo Exército e por organismos como a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

FAVELA – A governadora de Roraima, Suely Campos (PP), ingressou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF), em abril, pedindo o fechamento da fronteira entre Brasil e Venezuela. Suely afirma que o Estado não tem condições de suportar a migração desenfreada e denunciou a falta de ajuda do governo federal.

A prefeita de Boa Vista, Teresa Surita (MDB), também já informou que defenderá que o governo retire os venezuelanos da cidade. Teresa apontou que existe um risco de “favelização” de Boa Vista. “Não cabem mais abrigos na cidade. E as condições de manutenção estão muito difíceis”, frisou.

Estão programadas visitas a abrigos em duas cidades

Na quinta feira, a visita de Temer a Roraima começará por Pacaraima, a cidade mais próxima da fronteira com a Venezuela e principal porta de entrada no Brasil. Pacaraima também tem um abrigo para refugiados. Em Pacaraima, ele visita o 7º Batalhão de Infantaria de Selva e o 3º Pelotão Especial de Fronteira.

Ainda pela manhã, o presidente vai conhecer a estrutura que está sendo utilizada para triagem de imigrantes na fronteira e ver de perto o resultado da Operação Acolhida, além de discutir as novas necessidades enfrentadas por Roraima diante da continuidade da crise migratória. Depois, o presidente cumpre agenda na capital. Pela parte da tarde, está agendado um almoço no Clube de Oficiais de Boa Vista, reunião com Líderes e uma visita ao abrigo do Jardim Floresta.

Temer visitou Roraima há 120 dias

Essa será a segunda visita de Temer a Roraima em menos de seis meses. Em fevereiro, exatos 120 dias atrás, o presidente esteve no Estado depois de uma comitiva do governo federal visitar Boa Vista e verificar as condições em que se encontravam os imigrantes venezuelanos que viviam na Praça Simón Bolívar.

Na época, o presidente assinou uma medida provisória para criar um grupo responsável por coordenar assuntos relacionados à migração de venezuelanos em Roraima, e afirmou que “não faltariam recursos para solucionar a questão”, tanto no aspecto humanitário quanto para solucionar problemas no estado gerado pela imigração. No entanto, pouco de efetivo se fez nesses 120 dias além de se criar os abrigos.

Quando Temer visitou o estado, foi entregue pelo Governo de Roraima um documento com 11 medidas para minimizar o impacto causado pelo alto número de imigrantes. Entre as propostas, estava o aumento de efetivo da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, além da atuação do Exército Brasileiro no policiamento ostensivo em Pacaraima, cidade que faz fronteira com a Venezuela. Também foram propostas ações mais rigorosas de controle de entrada de pessoas pela fronteira e a doação de veículos e equipamentos para as forças de segurança de Roraima.

Além da crise migratória, durante a visita de Temer, devem ser tratados assuntos como questões fundiárias e a conclusão da obra da linha de transmissão de energia elétrica, o Linhão de Tucuruí.