Polícia

Sala de aula, cozinha e capela foram poupadas por interno

O motim de internos ocorreu durante a madrugada desta segunda-feira, 13

Dos ambientes destruídos na quebra de segurança interna do Centro Socioeducativo Homero de Souza Cruz Filho (CSE), ocorrido durante a madrugada desta segunda-feira, 13, apenas a sala de aula, a capela e a cozinha foram os ambientes poupados pelos internos da unidade. A informação foi confirmada agora a pouco por uma servidora que atua na parte de pedagogia da instituição.

À FolhaWeb, a servidora que pediu para não ser identificada informou que por conta do episódios, as aulas na unidade tiveram de ser suspensas. Uma equipe contratada pelo governo realiza a limpeza no local, que teve parte consumida pelo fogo.

“Diferente do que haviam divulgado na imprensa na semana passada, as atividades da escola estão sendo realizadas normalmente com os internos sem problema algum”, destacou a professora, referindo-se ao anúncio feito na quinta-feira, 9, pelo Sindicato dos Trabalhadores Civis Efetivos do Poder Executivo de Roraima (Sintraima) sobre a suspensão das atividades coletivas em razão da falta de segurança na unidade.

De acordo com a educadora, a unidade possui 16 professores, que atendem cerca de 100 internos na escola do CSE. Ela não nega existir certo temor em relação à situação de segurança na unidade, mas destaca que os adolescentes são respeitosos com os profissionais do setor.

“A gente nunca sabe o que pode acontecer, mas eles são respeitosos conosco. Nunca tivemos um problema em sala de aula, pois apesar da situação, são jovens muito interessados nas atividades educacionais. Tenho alunos, por exemplo, que foram destaque em concurso nacionais de redação e observamos que a sala de aula é um ambiente onde eles se sentem bem, onde eles podem sair daquele ambiente complicado”, comentou.

Para ela, a falta da presença familiar é o fato que tem contribuído para o crescimento da influência das facções criminosas na vida dos internos da unidade.

“Como educadores, nós observamos que há uma falta grande da presença das famílias dentro da unidade e isso faz com que as facções consigam dominar esses adolescentes. Trabalho na unidade desde o período que ela funcionou em outra sede e a gente sente que a situação ficou fora de controle de três anos para cá”, salientou.

De acordo com a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc), a situação foi contida pela Polícia Militar (PM) e pelos agentes socioeducadores que estava de plantão no momento do ocorrido. Não houve fuga, nem internos feridos.

Ainda segundo a pasta, o motim de internos do CSE não possui ligação alguma com a fuga registrada também na madrugada de hoje na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc). “A Sejuc ressalta ainda que realiza ações de rotina para evitar novas fugas, em parceria com a Polícia Militar”, concluiu a Sejuc, em nota.