SUL DO ESTADO
Recém-nascidos não são vacinados em Rorainópolis, denunciam servidores
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Sala de vacinas do hospital de Rorainópolis só funciona em um turno e bebês são liberados sem receber as doses contra tuberculose e hepatite B
Por Paola Carvalho
Em 08/03/2018 às 00:44
Secretaria Estadual de Saúde disse que fará melhorias no hospital e construirá maternidade (Foto: Arquivo/Folha)

A população do município de Rorainópolis acionou a Folha para reclamar da qualidade de atendimento no Hospital Governador Ottomar de Souza Pinto. Os munícipes afirmam que os recém-nascidos não têm sido imunizados adequadamente com a vacina BCG e contra a hepatite B.

Segundo servidores, a sala de vacinas fica aberta apenas pelo horário da manhã e muitos recém-nascidos vão embora para casa sem a imunização adequada. A recomendação médica é que a vacina BCG seja aplicada logo após o nascimento ou no máximo até um mês de vida. Já a primeira das quatro doses contra a hepatite B deve ser aplicada nas primeiras doze horas de vida.

"As parturientes saem com seus bebês sem estarem imunizados porque simplesmente a sala de vacina não funciona todos os horários. Sorte do bebê que nasce no momento em que a sala está aberta. Se não nascer naquele turno, a mãe é liberada e depois deve retornar para tomar as vacinas", relatou um servidor. "Fico imaginando as mães que não têm muita orientação. As que moram na sede podem até voltar ao hospital, mas quem mora nas vicinais e vilas fica muito mais difícil", reforçou.

O problema maior, conforme o denunciante, é que já aconteceu de recém-nascidos não vacinados ficarem em uma mesma sala de pacientes com tuberculose. "É um verdadeiro absurdo as crianças nascerem e ficarem na mesma sala de um paciente que deveria estar isolado", disse.

Outro ponto citado é o impacto causado na oferta de serviços por conta do fluxo migratório. "Estamos preocupados com o crescimento da presença de venezuelanos. Temos muitos partos de mulheres venezuelanas, em que os bebês também ficam internados e não recebem as vacinas. A nossa maior preocupação é com relação ao número de casos de sarampo que só tem aumentado nos últimos dias", lembrou outro servidor.

Secretário municipal de Saúde diz que não faltam vacinas

À Folha, o secretário municipal de Saúde, Elson Alves, disse que a Prefeitura tem se preocupado com a questão migratória e que não há falta de vacinas para sarampo nas unidades básicas de saúde. "Não tem faltado. A gente tem uma preocupação grande para não deixar faltar vacina nas unidades de saúde. A gente vem vacinando a população, reunindo e fazendo a conscientização e só fortalecemos essa ação com o surto de sarampo. O Dia D da vacinação vai ser agora dia 10 de março, mas, bem antes disso, nós já estávamos trabalhando em cima dessa problemática", afirmou.

Com relação à imigração, o secretário informou que realmente houve um impacto, mas que a resposta da administração municipal foi investir na melhoria dos serviços. "A imigração é uma preocupação nossa, tanto é que nós adequamos as unidades. Nós inauguramos recentemente um centro de fisioterapia, fizemos a aquisição de medicamentos, abastecemos todas as unidades, colocamos para funcionar o laboratório municipal, que ficou um ano sem atendimento, estamos fazendo convênio com uma clínica particular para atender ultrassonografia. Nós reabilitamos tudo e está funcionando. Então, não existe queda na qualidade de serviço", disse.

Sobre a qualidade no atendimento, o secretário fez críticas à rede estadual de saúde e disse que as reclamações no setor são constantes e por várias razões. "Devido à falta de equipamento, falta de material, cirurgias que não estão sendo feitas, limpeza da unidade que não está ocorrendo e profissionais há cinco e seis meses sem receber. Realmente, tudo isso acontece", pontuou.

Sesau promete novos investimentos no hospital e construção de maternidade

A Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) informou que, por Roraima estar geograficamente em uma área de tríplice fronteira, os atendimentos a estrangeiros sempre foram uma rotina nas unidades de saúde. No entanto, o aumento exponencial no número de pacientes venezuelanos e crescimento da população como um todo gerou uma situação preocupante do ponto de vista da saúde pública.

Segundo a rede estadual, "os esforços do Governo têm sido no sentido de conseguir ajuda do Ministério da Saúde para ampliar a capacidade do Estado em receber a população como um todo. Apesar das dificuldades, a Sesau tem reunido esforços para manter o abastecimento de insumos e medicamentos essenciais nas suas unidades".

Entre as ações previstas, a Sesau disse que há projetos em andamento com recursos garantidos por meio de emendas parlamentares para ampliação do hospital Regional Sul Ottomar de Sousa Pinto, para construção de uma maternidade e construção de um Centro de Especialidades Médicas em Rorainópolis, além da aquisição de equipamentos para a unidade do município. "Ações como estas vão proporcionar um salto de qualidade nos atendimentos de alta complexidade para a população como um todo", finalizou o Governo. (P.C.)

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