AGRONEGÓCIO
RR produz mais de 220 toneladas de grãos em 51 mil hectares de área plantada
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O grão com maior área plantada é a soja, cultivada em 32 mil hectares nesta safra
Por Folha Web
Em 24/07/2017 às 01:25
Agropecuarista Antônio Denarium: “Temos expectativa de aumento na produção para os próximos anos, pois estamos recebendo cada vez mais investidores de fora”(Foto: Diane Sampaio)

O agronegócio vem despontando a cada ano que passa em Roraima. O que motiva esse crescimento são as produções de grãos como milho, arroz, feijão e principalmente a soja. Este último teve uma expansão de área plantada de 25 mil para 32 mil hectares, da última para a atual safra, um aumento de 28%, colocando Roraima na posição de estado com maior crescimento proporcional em todo o Brasil.

Em entrevista ao programa Agenda da Semana, na Rádio Folha, AM 1020, o agropecuarista Antônio Denarium afirmou que, no momento, o grão de maior destaque em solo roraimense é a soja. Plantada entre os meses de abril e maio, a estimativa é que a colheita inicie na segunda quinzena de agosto, com abertura oficial marcada para o dia 2 de setembro.

Segundo Denarium, a produtividade em Roraima é alta. “Em áreas de primeiro ano são colhidas de 40 a 50 sacas por hectare o que representa cerca de três toneladas. Neste período o lucro é menor, devido aos investimentos que o primeiro plantio exige. Em áreas já estabelecidas esse número sobe para 60, podendo chegar até 70, com lucro proporcionalmente superior ao do primeiro ano”, explicou.

Ele afirmou ainda que a média de preço da saca é de R$ 80,00. “Descontando os investimentos em insumos, herbicidas e o frete até o porto, o lucro do produtor fica em R$ 68,00. Preço bom comparado a estados como Mato Grosso e Rondônia, onde a distância do porto aumenta os custos com transporte”, disse.

Apesar de muitos especularem que a falta de um porto em Roraima dificulta o transporte da produção, Denarium destacou que a localização é estratégica. “Estamos a uma distância de um pouco mais de mil quilômetros do porto de Itacoatiara, no Amazonas. Se minha produção sair hoje daqui, em no máximo um dia já está lá. De Itacoatiara nosso grão ganha o mundo, chegando a ser exportado até mesmo para outros países”, detalhou.

Outro fator que pode colaborar para mais investimentos em Roraima é a pavimentação de uma estrada até a Georgetown, na Guiana. “Estamos a cerca de 600 quilômetros de lá. O porto é bem melhor, pois é marítimo e de lá nossa produção pode ir pra qualquer lugar do mundo”, disse.

O agropecuarista destacou que o maior produtor de soja do país, o estado do Mato Grosso, não conta com essa vantagem. “O Centro-Oeste é cercado de terra por todos os lados, está longe de um porto. A produção de lá vai por rodovia até Rondônia, de onde segue por via fluvial até Itacoatiara, podendo levar até 20 dias para chegar no porto”, explicou.

Além de produtividade diferenciada e boa logística, Roraima produz na entressafra brasileira, devido a parte do território estar localizada no Hemisfério Norte do planeta. “Quando os produtores do restante do Brasil estão plantando, nós estamos colhendo. Isso nos abre muitos mercados, pois não contamos com concorrência neste período. Seguimos o calendário norte-americano”, reforçou.

MILHO – Outro grão que vem ganhando destaque em Roraima é o milho. Antes, o mercado local era abastecido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que comprava milho de outros estados brasileiros e distribuía no mercado local. Esse cenário está revertendo nos últimos anos. Na última safra, produtores locais cultivaram o grão em uma área de três mil hectares e, neste ano, subiram para seis mil hectares, um aumento de 100%, com uma produtividade média de 120 sacas por hectare.

O milho é uma alternativa de safrinha para os produtores de soja. “Quem trabalha com agronegócio não deixa o solo parado. Quando colhemos a soja, plantamos o milho, que aproveita os nutrientes que a soja deixou. O mesmo acontece com o feijão caupi, modalidade que predomina em Roraima, que toma o lugar do milho após a colheita, com uma área plantada na última safra de três mil hectares”, pontuou.

O grão mais tradicional em Roraima é o arroz, que antes de problemas com regularização fundiária e demarcação de reservas indígenas, já chegou a ser a maior cultura de Roraima. “Hoje o arroz é produzido em uma área de 10 mil hectares. Somados com o milho, o feijão e a soja, Roraima cultiva grãos em uma área de 51 mil hectares com uma produtividade superior a 220 mil toneladas”, detalhou Denarium.

Empresário lista dificuldades enfrentadas no setor

Quanto ao futuro do agronegócio em Roraima, Antônio Denarium afirmou que é indispensável a solução de alguns problemas que hoje ainda são empecilhos para o desenvolvimento do setor. “O primeiro deles é regularização fundiária. Já estivemos em situação pior. Hoje começa a melhorar, com o repasse de terras da União para o Estado, mas ainda temos muito que avançar”, disse.

Outro gargalo é a falta de um Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), que, entre diversas atribuições, determina quanto de cada propriedade pode ser utilizado e quanto deve ser preservado. “A expectativa é que poderemos aumentar nossas áreas de pasto e plantio, mas para que isso ocorra é necessário que ele saia do papel”, comentou.

Além dos problemas já citados, Denarium afirma que são necessários investimentos em infraestrutura de estradas e eficiência energética. “Temos algumas rodovias pelo interior que necessitam de reparos, recapeamento e manutenção. Não podemos ter estradas ruins em regiões produtivas. Isso é um atraso. Também não podemos continuar com um fornecimento precário de energia, precisamos de forma urgente nos interligar ao Sistema Interligado Nacional de energia”, afirmou.

Com esses entraves resolvidos, Denarium acredita que o setor produtivo possa fazer a diferença na economia local. “Quando chegarmos a 100 mil hectares de plantio de soja, teremos condições de ter indústrias beneficiadoras em Roraima, que irão proporcionar geração de emprego e renda e movimentar a economia”, concluiu.

FÁBIO ALMEIDA disse: Em 24/07/2017 às 10:43:24

"Com os lucros pontuados pelo produtor é importante que os Deputados Estaduais comecem a revisar as isenções de impostos estaduais que beneficiam estes produtores. Um lucro de 85% por saca não permite que o Estado continue a bancar a produção, faz-se necessário a contrapartida deste setor com a sociedade, principalmente diante dos graves danos ambientais causados por este setor produtivo."

Hermes disse: Em 25/07/2017 às 14:16:23

"Fábio o valor de 68,00 q o produtor se referiu é de custos e não de lucros !!!"