SAÚDE
Pesquisa mostra que excesso de peso e obesidade estão ligados a 13 tipos de câncer
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De acordo com o médico, o acompanhamento do peso dos pacientes ao longo do tempo poderá identificar doenças relativas ao excesso de peso
Por Raisa Carvalho
Em 22/11/2017 às 00:28
Quase metade de todos os cânceres em pessoas com menos de 65 anos podia ser associada ao sobrepeso e à obesidade (Fotos: Divulgação)

Cientistas aumentaram de cinco para 13 os tipos de câncer relacionados à obesidade. Os profissionais da Organização Mundial de Saúde alegam que a correlação entre um estilo de vida pouco saudável é milhares de vezes mais ligada ao desenvolvimento da doença do que se pensava. 

Uma pesquisa que reuniu mais de mil estudos e seguimento, por quase 18 anos, das quase 93 mil mulheres que participaram do ‘Nurses Health Study’ entre 2005 e 2014, concluiu que há provas suficientes para vincular ganho de peso, excesso de peso e obesidade a 13 diferentes tipos de câncer.

Estão nesta lista adenocarcinoma do esôfago, estômago, cólon e reto, fígado, vesícula biliar, pâncreas, colo de útero, ovário, rim e tireoide, câncer de mama pós-menopausa e mieloma múltiplo.

O relatório que reconhece esta associação foi divulgado em outubro pelo Centers for Disease Control and Prevention, nos Estados Unidos, e publicado na edição on-line do jornal científico americano JAMA.

De acordo com o médico Cesar Penna, especialista em Endocrinologia e Metabologia, pode-se considerar que, somente em 2014, mais de 630 mil pessoas diagnosticadas com algum tipo de câncer pôde ter sua doença associada ao sobrepeso e à obesidade.

Esse número representa mais de 55% de todos os cânceres diagnosticados em mulheres e 24% dos diagnósticos entre os homens.

“O que mais impressionou os responsáveis pelo estudo foi que os cânceres relacionados ao excesso de peso e à obesidade foram aqueles que têm sido cada vez mais diagnosticados entre a população mais jovem”, explica o médico.

O aumento anual, no período do estudo, foi de 1,4% nos cânceres relacionados ao excesso de peso e à obesidade entre indivíduos de 20 a 49 anos e de 0,4% entre indivíduos entre 50 e 64 anos. Outro dado alarmante foi que quase metade de todos os cânceres em pessoas com menos de 65 anos podia ser associada ao sobrepeso e à obesidade.

“O câncer não é inevitável, mas além de todas as ferramentas e estratégias já conhecidas, agora é possível contribuir para reduzir sua incidência também por meio de prevenção do excesso de peso e da obesidade desde cedo” ressalta o médico.

Para o especialista, implementar intervenções clínicas, incluindo triagem, aconselhamento e encaminhamento é fundamental. “Ainda são poucas as escolas de medicina e programas de residência médica que fornecem treinamento adequado para a prevenção e o manejo da obesidade. Este talvez seja o motivo para ainda haver bastante dificuldade entre os clínicos para iniciar uma conversa sobre obesidade com seus pacientes”, relata.

De acordo com o médico, o acompanhamento do peso dos pacientes ao longo do tempo poderá identificar aqueles que se beneficiarão de aconselhamento e encaminhamento precoce, a fim de evitar doenças relativas ao ganho de peso excessivo.

“Hoje, menos da metade dos profissionais envolvidos em cuidados primários avalia regularmente o peso de seus pacientes, sejam eles adultos, crianças ou adolescentes. Mas assim como o tabagismo está cada vez mais presente nas consultas de rotina das mais variadas especialidades, alcançar e manter um peso saudável também deverá fazer parte das estratégias de redução da incidência de câncer”, ressalta.

Vale destacar que a prevalência de obesidade nos Estados Unidos vem apresentando crescimento há quase 50 anos. Atualmente, mais de dois terços dos adultos e quase um terço das crianças e adolescentes norte-americanos está acima do peso ou obesos. “Jovens obesos são mais propensos a se tornarem adultos obesos, agravando os riscos para a saúde ao longo de suas vidas”, diz.

Outro dado importante é que muitas das consequências do excesso de peso e obesidade, como o diabetes tipo 2 ou a doença coronariana, também vêm apresentando aumentos, que coincidem com o crescimento das taxas de obesidade. Mais que isso, as sequelas destas doenças têm sido proporcionais à gravidade da obesidade. “Devido a todos esses fatores devemos focar em manter um estilo de vida saudável sempre”, finalizou.

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