VENEZUELANOS NO BRASIL
Pesquisa aponta que maioria dos migrantes é jovem e com estudos
Um em cada três venezuelanos não indígenas tem curso superior completo ou pós-graduação
Por Paola Carvalho
Em 13/09/2017 às 01:40
Objetivo da pesquisa é ajudar na formulação de políticas públicas para imigrantes no Brasil, considerando as suas características (Foto: Edu Andrade/ASCOM/Ministério do Trabalho)

O Ministério do Trabalho (MTb) divulgou ontem, 12, dados sobre o perfil sociodemográfico e laboral da imigração venezuelana no Brasil. De acordo com a pesquisa realizada pelo Conselho Nacional de Imigração (CNIg), com apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), a maioria dos imigrantes venezuelanos não indígenas que estão entrando no Brasil por Roraima é composta de jovens, do sexo masculino e com bom nível de escolaridade.

Segundo o MTb, na primeira parte do estudo foram aplicadas 650 entrevistas entre não indígenas e, em seguida, realizado um estudo etnográfico, nas cidades de Boa Vista e Pacaraima, com famílias e líderes dos Warao.

Levando em consideração o perfil dos não indígenas, o levantamento mostra que 72% dos imigrantes venezuelanos são jovens entre 20 e 39 anos, sendo a maioria do sexo masculino (63%) e solteiros (54%). Praticamente um em cada três (32%) tem curso superior completo ou pós-graduação, enquanto três em cada quatro (78%) chegam com nível médio completo.

Conforme a pesquisa, o principal motivo para imigração foi a crise econômica (77%) e a maioria dos entrevistados (67%) entrou no Brasil em 2017. Eles vêm de 24 regiões venezuelanas, mas principalmente dos estados de Bolívar (26%) e Monagas (16%) e de Caracas (15%).

Mais da metade (58%) deles teve apoio de redes migratórias, como amigos e familiares que já residem no Brasil, mas em geral os venezuelanos em Roraima têm pouco conhecimento do português e muitos não estudam o idioma.

SERVIÇOS PÚBLICOS – Ao contrário do que é defendido pelo poder público em Roraima, a pesquisa revelou que pouco mais da metade dos venezuelanos acessa serviços públicos no Estado, principalmente na área da saúde (39%), mas quase a metade (48,4%) não utilizou nenhum serviço público.
Segundo o estudo, 82% do total pediu refúgio. Nesse caso, cerca de 1/3 dos migrantes tem apenas o protocolo de refúgio, 23% possuem carteira de trabalho, 29% têm CPF e 4% não possuem nenhum documento.

MORADIA E TRABALHO – A maioria vive em moradia alugada (71%), compartilhando o imóvel com outras pessoas e pagando aluguel de até R$ 300 (56%). A maioria dos venezuelanos já trabalha em alguma atividade remunerada (60%), com 28% formalmente empregados.

Os principais ramos de atividade são o comércio (37%), serviço de alimentação (21%) e construção civil (13%). Mais da metade dos entrevistados (54,2%) informou que envia dinheiro (de R$ 100 a R$ 500) para cônjuge e filhos na Venezuela, para ajudar no sustento desses familiares.

PERMANÊNCIA EM RORAIMA – Segundo a pesquisa, a maioria dos venezuelanos aceitaria mudar para outro estado, se tivesse apoio do governo federal (77%), mas o deslocamento no Brasil dependeria de oferta de trabalho (80%), ajuda econômica (11,2%) ou auxílio com moradia (5,2%). Já a proximidade da fronteira (38%) e o sentimento de integração em Boa Vista (37%) são os principais motivos para permanecer em Roraima.

Apenas 25% afirmaram que pretendem voltar à Venezuela. A maioria, por outro lado, disse que não pretende retornar tão cedo (47%) ou não sabe (27%). Entre os que pretendem voltar, a maioria estima um prazo superior a dois anos (47%), mas só se houver melhoria das condições econômicas (61%) do país vizinho.

Fome e ausência de serviços públicos trazem indígenas para o Brasil

Com relação ao perfil dos indígenas venezuelanos, a pesquisa mostrou que a presença dos Warao em Boa Vista começou em 2014, mas a escolha pelo Brasil intensificou-se a partir do ano passado. Os registros apontam a circulação e residência dos Warao em Pacaraima, Boa Vista, Manaus e mais recentemente em Belém.

A maioria deles permanece principalmente no Centro de Referência ao Imigrante (CRI) e nas ruas de Boa Vista e Pacaraima. No CRI, criado em novembro de 2016, são aproximadamente 500 Warao.

No caso deles, os principais argumentos para imigrar são a fome, ausência de serviços públicos relacionados à educação e saúde e o descaso do governo venezuelano com os indígenas. A maioria declarou ter deixado parte da família na Venezuela, cuidando dos bens materiais. Eles se disseram preocupados com os familiares que ficaram e querem trazê-los para o Brasil.

ACESSO AO SERVIÇO PÚBLICO – Segundo a pesquisa, os Warao que chegam ao CRI têm acesso aos serviços de educação e saúde, e os casos mais graves são encaminhados para o Hospital Infantil, Hospital Geral de Roraima ou Casa do Índio. Porém, os indígenas em situação de rua em Pacaraima e Boa Vista ainda não têm assistência.

TRABALHO – A maioria dos indígenas abrigados no CRI é do sexo masculino e não exerce atividades econômicas. Já as mulheres costumam continuar realizando o trabalho que faziam antes de migrar, como pedir doações em vias públicas, produzir artesanatos e costuras. Em Pacaraima, os homens Warao conseguem trabalho no descarregamento de carretas ou em fazendas e sítios na região – neste caso, com a companhia das mulheres.

PERMANÊNCIA EM RORAIMA – A pesquisa do CNIg constatou que os Warao pensam em retornar para a Venezuela quando a crise diminuir, mas também há os que querem trazer familiares para o Brasil. De um modo geral, o desejo é de continuar em Roraima, de preferência na cidade e com condições econômicas para o autossustento.

jose maria lira da costa disse: Em 13/09/2017 às 18:39:44

"Quem fala mal dos venezuelanos estudos, estão com medo de perder, os espaços porque não querem saber estudar, quem vem de fora do estado, vem preparados, professor não quer ir pra sala de aula, não são todos alunos partes vão drogados pra sala prejudica quem quer estudar e desestimula os professores a trabalhar. "

Castro disse: Em 13/09/2017 às 12:30:20

"Kkkkkkk esse povo alienados continua com essa história de venezuelanos com formação superior botem uma coisa na cabeça de vocês os bons venezuelanos estão lá lutando para ver se muda o rumo dá Venezuela os que estão aqui são os covardes das periferias e sem estudo e sem compromisso nenhum com o país deles afinal só tem paz quem aprende a lutar e ponto final parem de divulgar essas matérias mentirosas"

Rodrigo Colares da Costa disse: Em 13/09/2017 às 10:19:14

"Em tese, quem perde é o país de origem, que investiu na educação para que tal recurso humano fosse empregado em seu próprio desenvolvimento (desgraça do socialismo que força a saída do que há de melhor em seu país). Todavia, é fato também que muitas das graduações venezuelanas não passam do que aqui seria um nível técnico, ou até pior, são feitas de forma expressa, cujo padrão educacional é bastante desatualizado, mas, sem dúvida, muitos desses jovens podem contribuir com a sociedade brasileira, o que não é pode, e nem é desejo dos imigrantes, ficarem todos confinados nos Estados da Região Norte, a responsabilidade tem que ser do Brasil como um todo. "

Manuel disse: Em 13/09/2017 às 07:50:51

"Quando vejo um imigrante lembro logo o Curral Eleitoral Internacional... A ganância pelo poder esta desenfreada."