DECISÃO JUDICIAL
Pais de bebê que morreu no Vila Jardim ficarão em prisão preventiva
Prisão foi decretada após laudo do IML apontar que a criança morreu depois de ter sofrido traumatismo craniano
Por Luan Guilherme Correia
Em 03/01/2018 às 00:35
Bebê foi encontrado morto no condomínio Açaí após ser deixado sozinho em apartamento (Foto: Hione Nunes)

A Justiça estadual manteve presos o pai e a mãe de um bebê de oito meses, que morreu às 21h de sábado, 30, no condomínio Açaí do residencial Vila Jardim, bairro Cidade Satélite, zona oeste de Boa Vista.

A prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva durante audiência de custódia após o laudo pericial do Instituto de Medicina Legal (IML), que consta na decisão, apontar que a criança morreu depois de ter sofrido hemorragia pulmonar e hemorragia intracraniana em decorrência de traumatismo craniano.

Os pais alegaram em depoimento à Polícia que foram os únicos adultos que tiveram acesso à residência, onde encontraram a criança falecida. Eles afirmaram que saíram por menos de 20 minutos para ir a um bar e passar em um supermercado, encontrando a criança morta no retorno.

Conforme a decisão, a prisão foi mantida pela violência das agressões sofridas pela vítima, que resultou no óbito, havendo risco de reiteração da conduta com a liberdade, tendo em vista que o casal tem outro bebê de oito meses e uma criança de cinco anos sob sua custódia.

A Justiça pediu que o Conselho Tutelar fosse acionado para verificar a situação das demais crianças conforme a necessidade de acolhimento institucional ou de concessão de guarda provisória à família extensa. Foi pedida ainda a realização de exame médico no outro bebê de oito meses, para resguardar eventual prejuízo à sua saúde.

CASO – Os pais da criança teriam deixado ele dormindo e descido para a área de convivência do residencial, porém de hora em hora a mãe subia para ver como a criança estava. Uma testemunha contou à reportagem da Folha que em uma dessas subidas “ela notou que o neném não respirava mais e que aparentemente ele teria sufocado com o lençol. Ela desceu do apartamento desesperada com a criança no colo e daí o socorro acionado”. O Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu) foi chamado e os socorristas fizeram os procedimentos de reanimação na criança, porém ela não reagiu.

POLÍCIA CIVIL – A reportagem tentou entrar em contato com o delegado responsável pelo caso, para saber como estão as investigações acerca da morte da criança, mas, até o fechamento desta matéria, às 14h de ontem, não obteve retorno.

Avó do bebê acredita na inocência do filho e da nora

A avó paterna do bebê que morreu em um apartamento do Vila Jardim conversou com a reportagem da Folha e deu detalhes do ocorrido. “A moça que mora lá perto deles disse que realmente botaram o bebê pra dormir e que foram comprar a carne. Quando chegaram, a mãe foi direto pro quarto ver a criança e voltou dizendo que o bebê estava todo enrolado no pano e morto”, disse.

Ela contou que a avó materna da criança informou que o bebê havia caído da cama duas vezes no Natal, o que pode ter sido um indício da causa da morte. “Não sei se a criança caiu por lá e bateu a cabeça e talvez eles acharam que não seria nada. Eu só sei que os dois falam a mesma coisa. Conheço meu filho e sei que ele é incapaz de matar uma mosca”, afirmou.

A avó não descartou a possibilidade de outra pessoa ter entrado no apartamento e matado o bebê e disse acreditar na inocência do filho e da nora. “Meu pensamento é que deixaram a porta aberta e alguém fez maldade com a criança. Acredito na inocência do meu filho e da minha nora, eles nunca deixaram as crianças jogadas. Que eles erraram, erraram, mas não acredito que eles tenham matado”, frisou. (L.G.C)

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