MORTES NO ANEL VIÁRIO
Ordem para matar jovens partiu de dentro da Pamc
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Por João Barros
Em 30/12/2017 às 00:41
Delegadas Miriam Di Manso, Francilene Hoffmann, Edinéia Chagas e Verlânia de Assis deram entrevista coletiva sobre o caso (Foto: Hione Nunes)

As investigações da Delegacia-Geral de Homicídios (DGH) quanto ao caso do duplo homicídio no Anel Viário, na madrugada do dia 12 de dezembro, cujas vítimas foram Áreli Dayane Cardoso de Oliveira, de 19 anos, e Rayane Silva Pereira, de 25 anos, foram encerradas semana passada. No total, dez pessoas participaram das mortes das duas jovens, todas elas integrantes de facção criminosa, sendo nove adultos e uma adolescente. As ordens para execução das mortes foram dadas de dentro da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), onde os líderes do bando estão presos.

Em coletiva de imprensa, realizada na manhã de ontem, dia 29, a delegada-geral da Polícia Civil, Edinéia Chagas; a delegada responsável pelo caso e titular do Núcleo de Investigação de Pessoas Desaparecidas, Miriam Di Manso; juntamente com as delegadas Francilene Hoffmann, coordenadora do Grupo de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Graco); e Verlânia de Assis, diretora do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (DPJC) deram detalhes da investigação.

“Num primeiro momento, nós passamos as informações com relação àqueles cinco mandados de prisão preventiva que foram decretados no primeiro dia das investigações e, como eu havia prometido, nós concluímos essa investigação dos autos do inquérito, na sexta-feira passada [22], na verdade em razão do prazo de 10 dias do cumprimento de dois dos mandados que foram expedidos”, explicou Di Manso.

A delegada ainda destacou que as investigações foram concluídas com o indiciamento de nove pessoas adultas, mais uma adolescente, que não pode ter a identidade revelada. “Cinco desses adultos e a adolescente, efetivamente, participaram da execução das duas jovens e mais quatro adultos foram identificados com o apoio do Graco [Grupo de Repressão às Ações Criminosas Organizadas] e com o auxílio da Dicap [Divisão de Inteligência e Captura] da Sejuc [Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania] como sendo pessoas que chefiam a organização criminosa e que participaram diretamente da ordem que foi dada para executar as mortes”, acrescentou a delegada Miriam.

INDICIADOS – Conforme os autos, as mulheres que participaram da matança foram Kathely Mariane da Silva Rabelo, de 18 anos, conhecida vulgarmente como “Viúva Negra” ou “Fernanda”; Jéssica Pereira de Lima, de 23 anos, batizada como “Ponto 50” ou “Moana”; Nelciane Pereira de Andrade, conhecida no crime como “Hellor Lima”, “Elô”, ou “Lelê”, de 24 anos; Ana Caroline Gomes Pereira, de 22 anos, conhecida pela alcunha de “Caroline Small” ou “Musa do Crime”; Wilciana Souza Menezes, que não teve idade revelada e, uma adolescente.

Já os quatro homens que participaram dos crimes, por serem os mandantes, estão presos na Pamc. Eles foram identificados depois que a Polícia fez a quebra do sigilo dos telefones apreendidos com as duas mulheres, assim como dos aparelhos apreendidos dentro do presídio. Os detentos foram apontados pelas investigações como Elisvaldo Ribeiro Pinto, Osvaldo Nogueira Filho, Ivanildo Ferreira Carvalho e Evaldo Lira Almeida, todos integram e chefiam uma organização criminosa.

“Esse material apreendido propiciou a aquisição de imagem, de vídeo, de conversas via WhatsApp, que confirmaram que eles tiveram ligação direta com as ordens que foram dadas de dentro do sistema para esses soldados do crime, que são essas seis mulheres”, informou Di Manso. (J.B)

Autoras dos crimes deram informações falsas durante depoimento

A Polícia Civil informou que, durante as investigações do caso, ficou clara a intenção das presas Jéssica e Kathely em fornecer dados falsos sobre os demais envolvidos no crime. “A Jéssica fez o reconhecimento equivocado de duas pessoas: da adolescente, que tinha o mesmo apelido de uma das adultas, e ela fez isso propositalmente, para induzir ao erro a investigação e por nossa culpa, o juiz foi induzido ao erro, tanto que expediu o mandado de prisão do Vitor, mas ele não tem qualquer responsabilidade sobre o que aconteceu. A intenção dela [Jéssica] era proteger a identificação de outra pessoa, justamente a Wilciana Souza Menezes, que também responde pela alcunha de 'Pietra'”, contou Miriam Di Manso.

Todos os indiciados são brasileiros, tendo em vista que havia a informação de que uma guianense chamada Antony, também estaria envolvida, no entanto, foi apurado que se tratava, na verdade da adolescente. “Também foi uma informação passada de propósito pelas que estão presas, no intuito de impedir o reconhecimento de quem de fato participou do crime. Nós conseguimos identificar e agora temos certeza absoluta”, salientou Miriam.

Os envolvidos vão responder por integrarem organização criminosa, com o agravante de ter uma adolescente no meio, outro agravante é fazerem uso de arma de fogo. Todos eles vão responder ainda pelos homicídios qualificados que foram cometidos contra Áreli e Rayane, ainda que eles não tenham participado efetivamente, como no caso dos mandantes. “A gente sabe que eles se dividiram em dois grupos. Um grupo executou a Áreli e o outro grupo executou a Rayane, mas todos eles vão responder pelos dois homicídios exatamente dentro daquilo que praticaram”, reforçou a titular do NIPD.

Até o presente momento estão presas Kathely Mariane da Silva Rabelo e Jéssica Pereira de Lima. As foragidas são Nelciane Pereira de Andrade e Ana Caroline Gomes Pereira. A Polícia Civil pediu a prisão dos demais envolvidos, mas aguarda decisão judicial. A DGH sugeriu a apreensão da adolescente, mas ainda não teve resposta. A Polícia declarou que a adolescente vai responder ao crime dentro do que a lei prevê como possível se aplicar. Wilciana Souza Menezes está indiciada, mas não é foragida porque não há mandado de prisão expedido contra ela.

Com a conclusão das investigações, um relatório final foi elaborado pela DGH. A delegada disse que a Polícia obteve êxito na elucidação do caso. Quando questionada sobre o fato de foragidas ainda não estarem presas, Di Manso observou que o papel primordial da Polícia Civil é comprovar a materialidade e definir a autoria. “Isso já foi feito. Nós solicitamos os mandados de prisão e a Justiça já decretou algumas prisões. Alguns mandados foram cumpridos e os que estão em aberto podem ser cumpridos pela Polinter [Polícia Interestadual] e outros órgãos que podem, diretamente, buscar a localização dessas pessoas”, finalizou. (J.B)

Mohammed Pataxó disse: Em 30/12/2017 às 09:07:50

"Não às conheço pessoalmente, mais admiro muito o trabalho das Delegadas Miriam Di Manso e Francilene Hoffmann. Parabéns!"