LUZ NA INFÂNCIA
Operação contra pedofilia no país cumpre cinco mandados em Roraima
Gostei (56) Não gostei (0)
Ação policial ocorreu em todo o país a partir de um levantamento de informações pelo Ministério da Justiça junto à Embaixada dos Estados
Por Luan Guilherme Correia
Em 21/10/2017 às 00:46
Cinco delegados e outros 55 peritos criminais, agentes e escrivães cumpriram os mandados de busca e apreensão (Foto: Hione Nunes)

A Polícia Civil de Roraima realizou, no início da manhã de ontem, 20, uma ação de combate a crimes contra a dignidade sexual praticados contra crianças e adolescentes. Foram cumpridos na Operação “Luz na Infância” cinco mandados de busca e apreensão em Boa Vista.

Cinco delegados de polícia e outros 55 peritos criminais, agentes e escrivães foram envolvidos para o cumprimento dos mandados expedidos pela Justiça estadual. Além de Roraima, outros 24 estados e o Distrito Federal fizeram parte do que a Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senasp/MJSP) tratou como uma das maiores ações do mundo em combate à pedofilia.

Os alvos da operação foram identificados por meio de um levantamento de informações pelo Ministério da Justiça junto à Embaixada dos Estados Unidos da América no Brasil. Quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos no bairro Silvio Botelho, na zona oeste, e um no bairro dos Estados, na zona norte da Capital. Roraima foi o único Estado onde não houve prisão.

Com base nas evidências coletadas em ambientes virtuais, a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) identificou e monitorou os alvos e a Polícia Civil instaurou inquéritos policiais, do qual as autoridades policiais fizeram pedidos de buscas e apreensões junto ao Poder Judiciário, visando apreender computadores e dispositivos informáticos onde estão armazenados os conteúdos de pedofilia, possibilitando com isso o indiciamento e possíveis pedidos de prisões de abusadores sexuais.

Nas residências dos suspeitos, em Boa Vista, foram apreendidos notebooks, HDs, cartões de memória, pen drives, CDs e outros objetos com material pornográfico infantil que foram encaminhados para perícia criminal da Polícia Civil, onde serão apurados os crimes.

PERFIL – Pedófilos geralmente são pessoas adultas que têm preferência sexual por crianças pré-púberes ou no início da puberdade. Para a Polícia Civil, o complexo ambiente da internet e a ausência de fronteiras no mundo virtual são elementos que propiciam terreno fértil à atuação desses criminosos.

A Polícia Civil não informou nomes e nem informações sobre os alvos da operação em Roraima, mas a Folha apurou que os perfis dos suspeitos são diversos: funcionários públicos, professores de escolinhas de futebol, profissionais de saúde, entre outros. Mulheres também estão entre os detidos.

As investigações vêm sendo feitas há seis meses. “Foram encontrados materiais típicos de pedofilia, o que originou em vários estados, inclusive em Roraima. Antes disso, a Polícia Civil já havia determinado levantamentos dos locais, inquéritos para que pudéssemos produzir as provas contra os suspeitos”, disse o delegado-geral adjunto, Marcos Lázaro.

DEEP WEB – A investigação, que contou com aparato internacional de inteligência dos Estados Unidos e União Europeia, se desenrolou na chamada “deep web” (camada da internet oculta que não aparece nos resultados de buscas). Os alvos da operação, conforme a Polícia Civil, foram identificados através de um trabalho de cooperação mútua realizado em parceria entre a Diretoria de Inteligência (DINT) da Senasp e a Embaixada dos Estados Unidos.

“Existem softwares que monitoram as atividades em sites suspeitos e têm a capacidade de identificar o protocolo de identificação [IP] dos dispositivos. Tivemos acesso a isso das pessoas que estavam usando a internet para promover a pedofilia virtual”, explicou o titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Alexandre Mattos.

Questionado sobre o motivo de não ter havido prisão em flagrante em Roraima, o delegado afirmou que ainda não havia provas suficientes para a medida. “As prisões não ocorreram porque os mandados eram de busca e apreensão, e não tivemos flagrante. Mas um dos motivos que gera a culpa é a tentativa de fuga dos suspeitos e vamos estar atentos a isso”, destacou.

CRIMES – A titular do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (NPCA), Jaira Farias, informou que novas provas e mais suspeitos podem ser identificados com a apreensão dos materiais. “Há dois inquéritos instaurados e vamos identificar os autores. Vamos trabalhar de forma intensa para concluir os inquéritos. Pode ser que surjam novos alvos e pedidos de prisão preventiva”, afirmou.

Conforme a delegada, se comprovados os crimes, os suspeitos responderão no artigo 215 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê pena de prisão para quem armazenar, reproduzir e transmitir material pornográfico envolvendo criança e adolescente.

AÇÃO CONJUNTA – A operação “Luz da Infância” foi realizada por meio da Delegacia-Geral da Polícia Civil, com apoio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (NPCA), em parceria com outros departamentos da Administração Superior da Polícia Civil e do Departamento de Inteligência da Secretaria Estadual de Segurança (Sesp), Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

OPERAÇÃO – A operação foi intitulada “Luz na Infância” em alusão aos crimes bárbaros e nefastos contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes. Conforme a Polícia Civil, "Luz na Infância" significa propiciar às crianças e adolescentes, vítimas de abuso e violência de abuso e violência sexual o resgate da dignidade, bem como tirar esses criminosos da escuridão, para que sejam julgados à luz da Justiça. (L.G.C)

Cresce número de abuso sexual contra crianças em Rorainópolis

Os conselheiros tutelares procuraram a Folha, na manhã desta sexta-feira, 20, para divulgar os números de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes do Município de Rorainópolis, no sul do Estado. Eles informaram que houve um crescimento considerável nos índices de abuso sexual comparando os números do ano passado e deste ano.

Segundo a conselheira Joseane Sousa, em 2016 foram registrados cerca de 10 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes em todo o município. Neste ano, até este mês de outubro, já foram registrados aproximadamente 23 casos, mais que o dobro em relação ao ano passado.

“Temos enfrentado uma luta muito árdua, juntamente com nossas crianças, que estão tendo seu direito de proteção violados. E chamamos a atenção dos pais para estarem mais atentos aos seus filhos e verifiquem quando eles apresentarem mudança drástica de comportamento em casa, pois geralmente isso se dá por algo que esteja ocorrendo dentro de casa”, disse.

O conselheiro Josélio dos Santos Sousa disse que, dos casos registrados de violação contra as crianças, cerca de 70% estão acontecendo dentro de casa, o que torna a luta contra esse crime ainda mais difícil. “Quando uma criança sofre abuso dentro de casa, acaba sendo difícil a resolução desses casos, pois, na maioria das vezes, os familiares acabam convencendo a criança a não denunciar”, disse.

Em alguns casos, a mãe dessa criança violada sexualmente, ao descobrir, acaba encobrindo o caso por medo do parceiro ou com receio de perder o sustento que este fornece, pois a grande maioria dos casos registrados tem acontecido em famílias com um nível econômico muito baixo. “É por isso que deixamos aqui nosso alerta para todas as famílias de nosso município, que, caso saiba de alguma criança sofrendo violência sexual, entre em contato com o Conselho Tutelar, para podermos atender o caso o mais rápido possível”, frisou.

Para a conselheira Andréia Mendonça, é necessário que ocorra maior apoio de todos os órgãos competentes para auxiliar no trabalho dos conselheiros tutelares. “Nosso município necessita de uma Delegacia da Mulher, pois sabemos que a maior parte das crianças violadas sexualmente é meninas e, para elas, acaba sendo um constrangimento ainda maior não serem atendidas por mulheres que, nesses casos específicos, auxiliaria ainda mais na execução do nosso trabalho, tendo em vista que atualmente Rorainópolis tem o segundo maior número de casos de abuso sexual do nosso Estado, o que para nós é preocupante”, afirmou.

De acordo com a presidente do Conselho Tutelar, Ana Ribeiro, diversos trabalhos de conscientização são realizados para tentar diminuir as incidências de violência sexual em crianças de Rorainópolis. “Estamos visitando as escolas da nossa cidade para conscientizar alunos e pais de alunos quanto aos direitos reservados às nossas crianças. Também temos realizado visitas nos distritos para nos reunir com os moradores dessas localidades e mostrar a importância de combater os casos de abuso sexual. Temos certeza que, se nos unirmos, poderemos reduzir esses índices alarmantes”, destacou ao deixar o contato do Conselho Tutelar (095) 3238-2236. (J.R)

Não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!