COMPARATIVO 2016/2017
Notificações de dengue crescem, mas total de casos confirmados se estabiliza
Redução dos casos de infestação do mosquito Aedes aegypti na cidade passou de 40% para 70% com armadilhas com larvicida
Por Folha Web
Em 18/11/2017 às 01:01
Recipiente utilizado na armadilha para disseminar larvicida (Foto: Divulgação)

Os casos de notificação de dengue em Roraima têm aumentado, porém o de casos confirmados deu uma estabilizada. Até o momento, são mais de quatro mil registros espalhados pelos municípios do Estado. Durante o ano de 2016, houve cerca de dois mil casos notificados, segundo dados divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesau). 

Em 2017 o número de casos confirmados é um pouco menor do que o registrado em 2016: são 181 confirmações para dengue, dez a menos que no ano anterior. Nos meses de maio a agosto deste ano, período de chuvas mais intensas em Roraima, foram 133 casos confirmados. Nos últimos meses os números caíram significativamente. Em setembro e outubro, foi uma média de cinco casos, enquanto que no mesmo período do ano passado a média ficou em 18.

Para o coordenador de combate às endemias de Boa Vista, Samuel Garça, mesmo com aumento no número de casos notificados, as ações vêm surtindo efeito com a implantação das disseminadoras de larvicidas pelos bairros de Boa Vista, implantadas em maio. No primeiro bimestre a redução dos casos de infestação do mosquito Aedes aegypti na cidade foi de 40% e, na segunda amostra, os resultados chegaram a 70%.
“Ainda é cedo para confirmar esses números, já que esse projeto é novo na cidade. Mas o que podemos perceber é que essa ação, juntamente com outras feitas em conjunto com os agentes comunitários de endemias, tem trazido retorno positivo”, afirmou Garça.

ARMADILHAS – O projeto de estações disseminadoras de larvicidas foi implantado em dez bairros da Capital e ainda está em fase de estudo, com o acompanhamento da Fundação Oswaldo Cruz do Amazonas e tem o apoio do Ministério da Saúde e Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

O projeto consiste na distribuição de recipientes de plástico acompanhado de água e um pano com um larvicida com a intenção de exterminar o maior número de mosquito Aedes aegypti. “Nós colocamos os recipientes de modo aleatório nos bairros que apresentam maior índice de infestação e fazemos um acompanhamento a cada 20 dias”, informou.

Por meio deste método, ao ter contato com o larvicida, o mosquito não morre de imediato. Após pousar em uma das disseminadoras, ele leva o veneno para outros criadouros. A eliminação é gradual e pode levar de sete a 45 dias, dependendo da fase de maturidade do mosquito.

“Fazemos a medição através de armadilhas específicas que conseguem identificar a quantidade de ovos colocados pelos mosquitos nos criadouros. Cada mosquito consegue colocar até 200 ovos. Temos percebido a diminuição de focos dentro das áreas pesquisadas”, explicou Samuel Garça.

A ação é inovadora e vem como estratégia no combate ao mosquito, porém, ainda está em fase de comprovação de eficácia. Entre os bairros que aparecem com maior índice estão o Caimbé, Jardim Floresta, Caranã, Asa Branca, Cinturão Verde, Santa Teresa e Tancredo Neves, todos na zona oeste. São cerca de 300 disseminadoras por bairro.

Profissionais de RR vão passar por treinamento

De segunda, 20, a quinta-feira, 23, a Coordenadoria Estadual de Vigilância em Saúde realizará a Semana Estadual de Atualização Técnica para vigilância das endemias. A ação consiste em capacitar cerca de 700 profissionais com intuito de melhorar o manejo clínico das arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti.

Técnicos do Ministério da Saúde (MS), além de mostrarem a melhor conduta para o tratamento e diagnóstico da dengue, abordarão outras endemias, como a chikungunya, malária e sarampo. Podem participar médicos, enfermeiros e fisioterapeutas de instituições públicas e privadas de todos os municípios.

“Esperamos atingir o público total, com a participação de representantes de cada município, além de atingir profissionais das unidades de saúde básica e média complexidade, bem como algumas instituições privadas”, frisou Vanessa Barros, gerente do Núcleo Estadual da Dengue.

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