PAPAI NOEL DOS CORREIOS
Menina que sonha em ser médica pede mochila e material escolar de presente
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Valéria Pereira, de 10 anos, pediu na cartinha enviada à Campanha Papai Noel dos Correios que a mochila fosse da Rapunzel
Por Ana Gabriela Gomes
Em 30/11/2017 às 01:25
Valéria gosta de brincar de escolinha com os seus sete irmãos (Foto: Nilzete Franco)

Em meio a tantos brinquedos, um pedido inusitado. “Uma mochila de rodinha da Rapunzel e um kit de material escolar”. É o que pede Valéria Pereira, de 10 anos, na cartinha que enviou à Campanha Papai Noel dos Correios.

Pelo sonho de ser médica e o vício nos estudos, ela afirmou a equipe de reportagem da Folha que fez o pedido certo para o Natal, já pensando no próximo ano do colégio. Valéria é a sétima dos oito filhos de dona Helena Pereira. 

Há quatro anos na área de interesse social Pedra Pintada, localizada na zona Rural de Boa Vista, Valéria mora com os pais e os sete irmãos em uma humilde casa. Atualmente, dona Helena e o marido estão desempregados e o dinheiro que recebem nos bicos que fazem não permite dar aos filhos os presentes de Natal esperados. Enquanto Helena cata latinhas e o que puder vender, o marido faz trabalhos como ajudante de pedreiro.

A rotina de Valéria é cercada de livros. Durante a manhã, a menina cursa o 3º ano do Ensino Fundamental na Escola Municipal Martinha Thury Vieira, localizada no bairro Cauamé, zona Oeste. À tarde, com os livros que empresta da Associação de Moradores e Mulheres Empreendedoras do Pedra Pintada (Amepp), a única brincadeira da menina é ensinar aos irmãos o que aprendeu.

Conforme dona Helena, às vezes é preciso pedir para Valéria tirar a cara dos livros. “Eu pergunto se ela não quer brincar ou fazer outra coisa, mas ela não gosta de boneca ou brinquedo. O negócio dela é livro. Eu brinco dizendo que ela vai ser professora, e não médica, porque dá 22h e ela ainda não largou os livros e os cadernos. Tenho que mandar ela dormir”, contou a mãe.

A paixão pela personagem escolhida, Rapunzel, começou quando era mais nova, ao conhecer a história. Assim, o presente escolhido ficou fácil no dia que a mãe chegou pedindo para que ela escrevesse uma carta ao Papai Noel, bastou unir o que gosta: a Rapunzel e os estudos. “Vou ficar feliz se ganhar”, disse, lembrando que a família não tem condições de dar o presente. (A.G.G)

Correios constatam baixa procura na adoção de cartinhas

No ano passado, os Correios cadastraram na Campanha Papai Noel do Correios 1.516 cartas de seis instituições participantes. Do total, 1.150 foram adotadas. Este ano, o número tende a chegar a 1.600 em razão das 12 instituições participantes. Contudo, apenas 605 foram adotadas até o momento.

O superintendente Anderson Lins apontou que o número é considerado baixo, tendo em vista a proximidade do encerramento da campanha. “A gente pede que a população venha adotar suas cartinhas, sejam empresários ou órgãos públicos”, contou. Conforme Lins, o aumento nas instituições ocorreu devido a demanda junto às escolas localizadas nos bairros mais carentes.

A adoção de cartinhas pode ser feita até o dia 7 de dezembro na sede dos Correios, no Centro Cívico, das 8h às 13h e das 14h às 17h, e a entrega dos presentes até o dia 11. (A.G.G)

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