CRISE ENERGÉTICA
Mais de dois apagões de energia são registrados por mês em RR
Entre maio de 2016 e maio deste ano, o consumidor de Boa Vista ficou 27 horas sem luz em 54 cortes de energia
Por Luan Guilherme Correia
Em 13/09/2017 às 01:28
A Eletrobras Distribuição Roraima atribui apagões a falhas nas linhas de transmissão vindas da Venezuela (Foto: Arquivo/Folha)

Único Estado brasileiro que não faz parte do Sistema Interligado Nacional (SIN), Roraima é dependente, desde 2001, do fornecimento de energia elétrica que vem da Venezuela por meio do Linhão de Guri. O país vizinho vive em grave crise política e econômica, o que tem preocupado os roraimenses por conta dos constantes apagões de energia.

Contando com as quedas de energia registradas no mês de setembro, nos 15 municípios de Roraima, foram 22 apagões só este ano, todos, segundo a Eletrobras Distribuição Roraima, causados por problemas nas linhas de transmissão vindas da Venezuela com o desligamento automático na Linha de Transmissão Macágua-Las Claritas.

Conforme dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o tempo de duração das quedas de energia em Boa Vista, medido pelo indicador de qualidade Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (DEC), é o dobro do limite para a região. E o índice Frequência Equivalente de Interrupções por Unidade Consumidora (FEC), ou seja, a quantidade de cortes no sistema, também supera o limite tolerado.

Entre maio de 2016 e maio deste ano, o consumidor de Boa Vista ficou 27 horas sem luz em 54 cortes de energia. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia (MME), Roraima registrou 36 apagões em 2016.

O Governo Federal importa da Venezuela 85% da energia consumida em Roraima pagando R$ 146 milhões (maio de 2016 a maio/2017). O Estado ainda tem de queimar R$ 1 bilhão por ano em óleo diesel com termoelétricas para tentar garantir o abastecimento comercial e doméstico.

Os transtornos decorrentes das quedas de energia em Roraima são inúmeros. A população fica sem comunicação de telefonia móvel e sem água, as instituições são impossibilitadas de realizar qualquer atividade que dependa de computador ou internet, afetando diretamente bancos, sistemas da Polícia Federal, Receita, entre outros. Os comerciantes reclamam que muitas mercadorias estão estragando, como sorvetes, frios, além de limitar as vendas, pois não podem usar a máquina de cartão de crédito e débito.

Questionada sobre os recorrentes apagões, a Eletrobras Distribuição Roraima afirmou, em nota, que tem acionado suas termoelétricas todas as vezes que esses desligamentos ocorrem e tem trabalhado para que este tempo de restabelecimento do fornecimento da energia seja o mais breve possível. “O parque térmico da empresa tem capacidade de atendimento para toda a demanda do Estado, mas quando há interrupção na linha da Venezuela, todo o sistema é desligado”, destacou.

Conforme a Eletrobras, os consumidores que tiveram algum equipamento danificado, quando ocorre um desses desligamentos, podem entrar em contato com a empresa pelo telefone 0800 7019 120 e registrar a reclamação. A empresa tem procedimento para ressarcimento de queima de equipamento de acordo com a Resolução 414/Aneel. (L.G.C)

jose maria lira da costa disse: Em 13/09/2017 às 18:28:43

"Assim eles querem dividir a contas de gatos nas contas de todos os usuários, é uma vergonha. "

gilberto marcelino disse: Em 13/09/2017 às 12:59:46

"Estão de brincadeira? Só em Caracaraí há um mínimo de 2 e um máximo de 10 apagões diários e, segundo a Eletrobras (carinhosamente aqui apelidada de EletroMorte), 90% dos apagões se devem a problemas com cabos rompidos, transformadores detonados, etc. Pelo jeito, o sistema de abastecimento do interior está totalmente sucateado, e não se ouve nem se vê qualquer ação ou investimento orientado para a resolução do problema. Ai que saudade da CERR, que ao menos era uma porcaria menor a nos infernizar."

Pessoa disse: Em 13/09/2017 às 08:06:27

"O bairro asa branca esta sem energia desde as duas da madrugada!!!"