CRIME ORGANIZADO
Justiça condena 66 integrantes de facção a 547 anos de prisão
Criminosos deram início à célula do Primeiro Comando da Capital no Estado, que atua dentro e fora do sistema prisional
Por Luan Guilherme Correia
Em 12/01/2017 às 01:56
Líderes do PCC comandaram dois massacres na Penitenciária de Monte Cristo (Foto: Rodrigo Sales)

A Vara de Entorpecentes e Organizações Criminosas do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) condenou, por associação criminosa e tráfico de drogas, 66 presos acusados de integrarem a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) no Estado. Se somadas, as penas ultrapassam 547 anos de prisão, que deverão ser cumpridos em regime fechado.

Os criminosos foram denunciados pelo Ministério Público de Roraima (MPRR) após investigação feita pelo Grupo de Operação de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Foi constatada a participação da organização criminosa na prática do comércio ilegal de armas de fogo, tráfico de drogas, roubos, extorsão, lavagem de capitais e homicídios, todos cometidos no Estado.

Todos os condenados foram acusados de iniciarem a filial do PCC no Estado, em 2013. A facção, que hoje conta com cerca de 400 integrantes, segundo o MP, foi a responsável pelos massacres ocorridos na Penitenciária Agrícola do Monte Cristo (Pamc), em outubro de 2016 e no início deste mês, que resultou na morte de 45 detentos.

Somente os presos encarcerados na Penitenciária foram julgados. Os chefões que comandam a representação do PCC em Roraima já haviam sido condenados e estão em presídios de segurança máxima em outros estados. Um deles, o líder, é o criminoso Ozélio de Oliveira, vulgo “Sumô”, que cumpre pena em regime fechado na Casa de Custódia de Piraquara, no Paraná (PR).

MULTINACIONAL DO CRIME – Na sentença, o juiz destacou que a facção é atualmente a maior organização criminosa em atuação no país e recentemente ganhou o status de "multinacional do crime", dominando todo o tráfico de entorpecentes de São Paulo, além de expandir seus tentáculos para praticamente todos os Estados, inclusive Roraima, e também para países da América do Sul.

Conforme o magistrado, todos os criminosos possuem personalidade deturpada, demonstrando serem pessoas de péssima índole. Também citou que, ao aderirem à organização criminosa, os presos tornaram-se profissionais do crime.

No processo, consta que a denúncia do MP individualizou suficientemente a conduta dos integrantes da organização criminosa, esclarecendo o funcionamento de toda a estrutura do PCC, além de demonstrar ligação entre o agir de cada réu e a prática delituosa do crime organizado.

Também foi citado que a materialidade e autoria dos delitos foram provadas por meio das interceptações telefônicas, pelos cadernos encontrados com os contatos, relatórios, cópias do estatuto e batismo dos membros do PCC, e da oitiva das testemunhas.

Conforme o processo, os réus se associaram estruturalmente, com divisão de tarefas e objetivando a obtenção de vantagens, mediante a prática de delitos diversos, cada qual em um determinado contexto: a logística e a conquista do tráfico e, de outro lado, crimes patrimoniais e até mesmo homicídios.

A obtenção das provas iniciais acerca da organização criminosa decorreu de interceptação telefônica solicitada pela Polícia Federal (PF), onde foram identificados os integrantes. Segundo uma das testemunhas ouvidas no processo, a operação se iniciou com um alvo, Elivandro Batista Ferreira, o “Vandrinho”, por envolvimento no tráfico de drogas, o qual era investigado.

A partir disso, os investigadores tiveram conhecimento da participação de Anderson Maxsuelle Dias Mafra, vulgo “Gongo” e Ozélio de Oliveira, o “Sumô”, que comandavam a célula da facção em Roraima de presídios federais.

Na decisão, o juiz negou aos réus que se encontram presos o direito de recorrer em liberdade. O magistrado pediu ainda que fosse encaminhada cópia da sentença para a Ordem dos Advogados do Brasil em Roraima (OAB-RR) para que tome providências disciplinares cabíveis sobre o advogado João Alberto Sousa Freitas, ligado à facção.

Saiba quem são os membros da facção criminosa condenados e qual a pena de cada um:                     

Investigação começou por denúncia que partiu de SP

A apuração dos crimes cometidos por integrantes do PCC em Roraima teve início pelo Ministério Público por meio de denúncias feitas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e de documentações encaminhadas pela Polícia Federal (PF) em 2013.

A partir do desdobramento das investigações para elucidar os crimes de tráfico de drogas e associação ao tráfico no Estado, a Polícia Federal em Roraima deflagrou a Operação Atena/Rescaldo, em 2014, quando prendeu vários integrantes da organização.

Durante as investigações, a PF constatou a estruturação dos quadros funcionais da facção criminosa, suas lideranças e integrantes “batizados”.

No período de agosto a setembro de 2013, os denunciados associaram-se estruturalmente, dividindo suas tarefas, com o objetivo de obter vantagem mediante prática reiterada de diversos crimes.

As acusações que recaem sobre eles são de comércio ilegal de armas de fogo, tráfico de drogas, roubos, extorsão, lavagem de capitais e homicídios, mediante o emprego de armas de fogo e para o fim de praticar o tráfico de substâncias entorpecentes que causam dependência física e psíquica, sem autorização e em desacordo com a determinação legal regulamentar. (L.G.C)

 

Saiba quem são os criminosas condenados e a pena de cada um:

 

NOME

APELIDO

PENA

1

Carlos Oliveira

“Neyma”

9 anos e 4 meses

2

Adeílson Eliotério

"Pato"

8 anos e 2 meses

3

Ulisses Duarte

“Diamante Negro”

8 anos e 10 meses

4

Mariel Amorim

“Bitela”

8 anos, 10 meses e 5 dias

5

Thalesson Pereira

“Gladiador”

8 anos, 10 meses e 5 dias

6

Cleubevan Alves

“Cabeça”

8 anos, 10 meses e 5 dias

7

Waldeilson Malaquias

“Lilico”

8 anos e 10 meses

8

Sérgio da Silva

“Capitão”

8 anos e 10 meses

9

Cleuto Braga

“Peitão”

9 anos e 4 meses

10

Alex Bruno

“Pacaraima”

7 anos

11

Sebastião Frank

“D2”

8 anos, 10 meses e 5 dias

12

Ramon Michel

“Parazão”

9 anos e 4 meses

13

Anderson Monteiro

“Bad Boy”

9 anos e 4 meses

14

Douglas Casusa

“Famoso”

8 anos, 10 meses e 5 dias

15

Franciney Lima

“Frajola”

8 anos e 2 meses

16

Wax Nunes

“Wax”

7 anos

17

Felipe Soares

“Macaco”

8 anos, 10 meses e 5 dias

18

José de Moura

“Marcelo Ska”

7 anos

19

Ismael Mota

“Espanhol”

7 anos e 7 meses

20

Jefferson Kennedy

“Sombra”

7 anos e 7 meses

21

Francisco dos Santos

--------------

9 anos e 4 meses

22

Deyckson de Lima

“Dekinho”

7 anos e 7 meses

 

NOME

APELIDO

PENA

23

Enderson Santana

“Bebê”

7 anos

24

Diego Coelho

----------

8 anos, 10 meses e 5 dias

25

José Henrique

“Siri”

7 anos

26

Osvaldo da Anunciação

"Picolé"

8 anos e 2 meses

27

Rafael dos Santos

“Cebola”

7 anos

28

Fábio Manoel

“Pulguinha”

9 anos e 4 meses

29

Antônio Félix

“Pequeno”

8 anos e 2 meses

30

Ricardo Félix

“Guardião”

9 anos e 4 meses

31

Denis Lima

“Peteca”

9 anos e 4 meses

32

Geomax Santos

“Bigode”

9 anos e 4 meses

33

Rogério Cardoso

“Cabeção”

7 anos

34

 Ivanildo Ferreira

“Cara de Bruxa”

9 anos e 4 meses

35

Magno Veríssimo

“Chocolate”

8 anos e 2 meses

36

Sérgio Murilo

“Diabão”

9 anos e 4 meses

37

Janielson Lobato

“Gaguinho”

8 anos, 10 meses e 5 dias

38

Manoel Moraes

“Gavião”

9 anos e 4 meses

39

Alessandro França

“Pernalonga”

9 anos e 4 meses

40

José da Costa

“Puraquê”

9 anos e 4 meses

41

Humberto Márcio

“Passarinho”

9 anos e 2 meses

42

Evaldo Lira

“Medalha”

8 anos, 10 meses e 5 dias

43

Osvaldo Nogueira

“Bagaço”

8 anos, 10 meses e 5 dias

44

Jefferson Marques

“Costela”

8 anos e 2 meses

 

NOME

APELIDO

PENA

45

Lindomar Santos

“Pé de Chumbo”

7 anos

46

Edson da Silva

“Morte Negra”

8 anos, 10 meses e 5 dias

47

Rogier Viegas

“Peixe”

7 anos e 7 meses

48

Paulo Rocha

“Boca de Coringa”

8 anos, 10 meses e 5 dias

49

Natanael Barbosa

“Ladeira”

7 anos e 7 meses

50

Devalci Laurentino

“Dragão”

7 anos

51

Iomar dos Santos

“Vascaíno”

8 anos e 2 meses

52

Antônio Cláudio

“Cão Danado”

9 anos e 4 meses

53

Diogo Mendes

“Granada”

8 anos e 2 meses

54

Jhayvson Ramos

“JR”

8 anos, 10 meses e 5 dias

55

Frank Suel da Silva

“Baleado”

7 anos e 7 meses

56

Wilson da Silva

“Zé do Raio”

8 anos e 2 meses

57

Márcio Wilkens

“MD”

7 anos

58

Mervin Shaves

“Hulk”

8 anos, 10 meses e 5 dias

59

Elinaldo Fonseca

“Halkes”

7 anos

60

Ismaildo Mariano

“Sassá”

7 anos

61

Elissandro Batista

“Sandrinho”

7 anos

62

Fabrício Nina

-------------

5 anos e 10 meses

63

Airton Araújo

-------------

7 anos

64

Fernando Ribeiro

“Grilo”’

8 anos e 2 meses

65

João Alberto Sousa

------------

7 anos e 7 meses

66

Manoel Feitosa

“Neguinho”

8 anos e 9 meses

 

Comentários
SANTOS disse: Em 12/01/2017 às 11:18:04

"- Na média não dá 10 anos a cada um. É muito pouco se comparado aos crimes cometidos. Deixa a Força Nacional cuidar deles!!!"

Ferraz disse: Em 12/01/2017 às 07:52:57

"É Brincadeira essa pena para 66 vagabundos, em media dar 8 anos para cada, na verdade é um estimulante para a pratica de mais crime. Acredito que tem gente com pena desses bonzinhos bandidos que cometeram crimes inocentemente e os cidadões de bem é que estão errados. Nada disso é a pouca vergonha que vem acontecendo desde a tal constituição de 1988. A falência do Estado brasileiro, a incompetência dos poderes administradores publico, a corrupção que contaminou todas as esferas do estado. "