ANEL DE GIGES
Ex-proprietários afirmam que venderam terreno desvalorizado
Donos do terreno da Fazenda Recreio declararam à imprensa que terra foi avaliada pela Caixa no valor de R$ 5,2 milhões e foi vendida por R$ 4,5 mi
Por Paola Carvalho
Em 30/09/2017 às 00:59
No entanto, a Polícia Federal em Roraima defende que o terreno era avaliado na época por R$ 3,5 milhões (Fotos: Divulgação)

Alvos da operação “Anel de Giges” deflagrada pela PF-RR (Polícia Federal em Roraima) na quinta-feira, dia 28, e que investiga irregularidades na construção do residencial Vila Jardim encaminharam nota à imprensa com esclarecimentos sobre a ação.

Os ex-proprietários do terreno Rodrigo de Holanda Menezes Jucá e Marina de Holanda Menezes Jucá, filhos do senador Romero Jucá (PMDB), e Ana Paula Surita Motta e Luciana Surita Mota, filhas da prefeita de Boa Vista, Teresa Surita (PMDB), afirmam que venderam parte do terreno em 2012 abaixo do preço praticado no mercado para a CMT Engenharia, responsável pela construção das obras do residencial.

Eles dizem que foi a construtora, junto à Caixa Econômica Federal, que buscou recursos para financiar o empreendimento habitacional. “Assim, não temos responsabilidade da execução das obras e financiamento ocorrido entre CMT Engenharia e Caixa Econômica Federal. O terreno foi avaliado pela Caixa em R$ 5.285.998,94, todavia, realizamos a venda por R$ 4.500.000,00, custo abaixo do praticado no mercado e abaixo da avaliação acima citada”, diz a nota.

Os ex-proprietários dizem ainda que o TCU (Tribunal de Contas da União) analisou o caso e registrou que o preço de mercado do bem era de R$ 5.285.998,94, e constatou não haver ilicitude nessa transação.

“Nós, como qualquer outro cidadão, sempre estivemos à disposição da Justiça e da Polícia Federal, para esclarecer qualquer fato que envolva nossas condutas, tanto que nos colocamos formalmente à disposição da autoridade policial e do juízo, para colaborar no que for possível, seja através de juntada de documentos, depoimentos, etc. Reafirmamos o compromisso em ajudar no esclarecimento dos fatos para demonstrar a total licitude do modo como ocorreram”, afirmaram os investigados em nota.

ANEL DE GIGES – A operação investiga membros da família do senador Romero Jucá e da prefeita Teresa Surita (ambos do PMDB) acusados de peculato, lavagem de dinheiro e desvios de R$ 32 milhões em verbas públicas. A ação é resultado de investigações feitas pela PF em parceria com o MPF (Ministério Público Federal) e Receita Federal, motivada por indícios de irregularidades financeiras na construção do conjunto habitacional Vila Jardim, no bairro Cidade Satélite, zona oeste, que faz parte do programa do Governo Federal “Minha Casa, Minha Vida”.

Conforme informações repassadas pela PF, o preço do terreno no mercado era de aproximadamente R$ 3,5 milhões, porém, o local foi vendido por R$ 4,5 milhões. As informações da PF apontam ainda que durante a investigação, também foram encontrados documentos de venda do terreno por R$ 4,6 milhões e R$ 7,5 milhões. O restante do montante, de R$ 31 milhões, teria sido levantado no superfaturamento do concreto.

Declarado no processo de construção como sendo adquirido no mercado de Roraima, a perícia da Polícia Federal descobriu que havia uma usina de concretagem dentro da obra do Residencial Vila Jardim, o que gerava uma redução dos custos do produto. (P.C.)

João Pirão disse: Em 11/10/2017 às 14:35:22

"Ahh.! Agora entendo o porque foram justo eles que venderam o terreno para empreendimento governamental... É porque ficou abaixo do preço. Maldosamente cheguei a pensar que era por serem filhos da Prefeita e do Senador Jucá."