DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Embrapa Roraima produz estudos sobre Agricultura de Baixo Carbono
Objetivo dos projetos é reduzir a emissão do CO2 e outros gases, como metano e óxido nitroso, que colaboram para o aquecimento global
Por Paola Carvalho
Em 08/11/2017 às 01:10
Segundo o pesquisador da Embrapa, Edmilson Evangelista, produtores rurais podem solicitar informações sobre as técnicas e como aplicar junto à Embrapa (Foto: Nilzete Franco)

Tendo como foco a produção de estudos e soluções tecnológicas para o setor rural, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária de Roraima (Embrapa Roraima) produz estudos com base na Agricultura de Baixa emissão de Carbono (ABC), que visa a redução da emissão de gases que causam o efeito estufa e, consequentemente, o aquecimento global.

O pesquisador da Embrapa Roraima, Edmilson Evangelista da Silva, informou que a instituição ainda não possui projetos especificamente com a agricultura de baixo carbono, mas realiza ações que complementam a ABC. “Uma delas é a questão da Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN)”, disse.

Conforme Edmilson, o nitrogênio é utilizado pelas plantas como nutrição e a FBN é um processo realizado por alguns grupos de microorganismos que apresentam a enzima nitrogenase funcional, que funcionam como fonte de nitrogênio para as plantas. “A fixação biológica de nitrogênio é um processo intermediado por uma bactéria, de forma substancial em leguminosas, através da modulação que ocorre nas raízes”, explicou o pesquisador.

No entanto, Evangelista afirma que existe a utilização de nitrogênio na forma sintética. “O fato é que para produzir o nitrogênio na forma sintética é necessário utilizar fertilizante com petróleo e se utilizar o petróleo, vai estar inevitavelmente emitindo o dióxido de carbono (CO2) na atmosfera”, pontuou.

Outro ponto realização pela Embrapa é a produção de agriculturas que sejam capazes de fixar carbono no solo através de material produzido por plantas, ou seja, a biomassa. “Podemos fazer isso evitando queimadas ou utilizando a metodologia das plantas de cobertura”, completou o pesquisador. “Quando eu pratico esse ato de colocar uma planta de cobertura, eu faço uma cobertura de subsolo e essa planta é capaz de absorver esse carbono da atmosfera, se decompor e produzir matéria orgânica que vai ficar retida no solo. O fato de não realizar esse revolvimento do solo vai evitar que essa matéria orgânica fixada retorne para a atmosfera através de uma queima microbiana, ou seja, o microorganismo se alimenta e como ele é um ser metabólico ele vai emitir CO2 na atmosfera”, explicou.

OUTRAS MEDIDAS – O pesquisador ressaltou que, quando se fala em agricultura de baixo carbono, é preciso pensar não só na diminuição do CO2, mas também na emissão de outros gases que promovem o aquecimento da atmosfera, como o metano e o óxido nitroso. “Eu costumo dizer que o metano tem a capacidade 30 vezes maior de aquecimento da atmosfera que o CO2 e o óxido nitroso tem 300 vezes mais. Ou seja, uma molécula de óxido nitroso equivale a 300 de carbono”, informou.

Segundo Evangelista, a Embrapa Roraima também trabalha com algumas tecnologias que visam reduzir a emissão desses outros gases como processos de compostagem e decomposição de resíduos. “O metano é um gás sem oxigênio. Então, a gente preconiza desenvolver tecnologias onde não se propiciam o desenvolvimento desse ambiente anaeróbico e consequentemente a emissão de um gás que tem um potencial muito maior de poluição que o CO2”, frisou.

De uma maneira geral, a Embrapa também está focando bastante na questão dos sistemas integrados de produção, ou seja, a integração lavoura-pecuária-floresta. “A integração preconiza a questão de trabalhar com técnicas que a gente já conhece de plantio direto. Por exemplo, o plantio de grãos integrado com a criação de bovinos e o plantio de árvores”, informou.

Segundo ele, o sistema já é conhecido pelo produtor rural, mesmo sem saber que a medida é sustentável e prevê um desenvolvimento aliado ao meio ambiente. “Os animais se alimentam de uma planta ou grama e por outro lado, o animal vira um gerador de gás, pois no processo de ruminação, ele produz metano. Atrelado a isso, a árvore basicamente tem 50% da estrutura dela em carbono e ela retira o CO2 do ar, através do processo fotossintético”.

AUXÍLIO À POPULAÇÃO – Por fim, o pesquisador ressaltou que o produtor rural que tiver interesse em obter mais informações sobre a agricultura de baixo carbono pode buscar o setor de transferência de tecnologia da Embrapa Roraima. “Não só as tecnologias que são geradas no nosso centro de pesquisa, como todos os outros centros que a Embrapa possui no Brasil e no exterior, estão disponíveis. O produtor pode ter dificuldade de procurar essas tecnologias, mas tem total liberdade de visitar a Embrapa e solicitar um auxílio para poder descobrir uma melhor solução para o seu problema”, afirmou Edmilson. (P.C)

Cresce participação da Região Norte na contratação de recursos para plano ABC

O Observatório ABC divulgou recentemente dados sobre a Agricultura de Baixo Carbono (ABC) no País, tendo a Região Norte como destaque. Os estudos visam a aplicação de medidas para diminuir as emissões dos gases de efeito estufa (GEE), além da adoção de tecnologias de produção sustentável e recuperação de áreas degradadas no Brasil.

Segundo o estudo "Análise dos Recursos do Programa ABC", a região Norte é a que mais tem ganhado participação na contratação de recursos para Agricultura de Baixo Carbono na safra 2016/2017, período onde o Governo Federal disponibilizou R$ 1,81 bilhão para o programa. "As regiões Centro-Oeste e Sudeste continuam sendo as que mais captam recursos do Programa ABC, com 31,0% e 22,7% do total contratado, respectivamente. A região Norte é a que mais tem ganhado participação, passando de 9,6%, em 2014/15, para 19,5%, em 2016/17", informou o relatório.

Para o Observatório ABC, o resultado na região Norte é fruto de um processo de divulgação e capacitação das técnicas previstas no Programa ABC com produtores rurais da região, incluindo a presença do BNDES. Apesar do índice alto da região Norte, o estudo classifica que o programa 'perdeu forças' e que ainda não atingiu o seu potencial máximo, muito por conta das operações burocráticas e complexas para desembolso dos recursos.

"O Brasil possui um instrumento financeiro inovador como o Programa ABC, com potencial de promover mudanças estruturais nos processos produtivos rurais, tornando-os de baixa emissão de carbono; entretanto, resta adequar os seus componentes operacionais para que ele atinja a escala e a efetividade necessárias. É fundamental, também, avançar na instalação e na implementação de mecanismos de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV), para que os benefícios de redução de emissões de GEE sejam adequadamente registrados", concluiu o estudo. (P.C)

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