Cotidiano

Duplicam os casos de malária em Roraima

De janeiro a outubro de 2017 foram registrados 6.936 casos de malária: aumento de 65% em relação ao ano de 2016

Em entrevista à Folha, a gerente do Núcleo de Controle da Malária da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), Dulcineia Barros, avaliou como alarmante o número de notificações de malária em Roraima. 

O aumento da imigração, garimpeiros que voltam contaminados pela doença, desmatamento, projetos de colonização são fatores preponderantes conforme análise da gerente.

Segundo a Sesau, de janeiro a outubro de 2017 foram registrados 6.936 casos de malária em Roraima, comparados aos números de 2016 em que foram registrados 4.206, houve um crescimento de 65%.

Boa Vista teve 42 casos registrados, os municípios do interior com índices preocupantes são Rorainópolis com 2.493; Cantá 1.182 e Alto Alegre 958. Além de áreas indígenas com vasta extensão territorial.

Atualmente, de acordo com a gerente, a Sesau dispõe de insumos suficientes para atender todo o Estado. Estratégias de combate e prevenção são estudadas pelo núcleo de controle. “Estamos trabalhando junto aos municípios para melhorar o diagnóstico e tratamento da doença”, destacou.

A atuação dos municípios é fundamental. “É importante fazer estudos e vigilância entomológica, controlar o vetor, diagnosticar e tratar, facilitando o acesso de toda a população”, reforçou.

Orientação – Conforme o Ministério da Saúde, malária é uma doença infecciosa febril aguda, causada por protozoários transmitidos pela fêmea infectada do mosquito Anopheles. A cura é possível se a doença for tratada em tempo oportuno e de forma adequada. Contudo, a malária pode evoluir para forma grave e óbito.

Os sintomas são febre alta, calafrios, tremores, sudorese e dor de cabeça, que podem ocorrer de forma cíclica. Muitas pessoas, antes de apresentarem estas manifestações, sentem náuseas, vômitos, cansaço e falta de apetite.

A malária grave caracteriza-se pelo aparecimento de um ou mais destes sintomas: prostração, alteração da consciência, dispnéia ou hiperventilação, convulsões, hipotensão arterial ou choque, hemorragias, entre outros sinais.

“A malária não é uma doença contagiosa. Uma pessoa doente não é capaz de diretamente transmitir a doença a outra pessoa. É necessário o vetor para realizar a transmissão”, reforçou.

Prevenção – Entre as medidas de prevenção individual estão: uso de mosquiteiros, repelentes, roupas que protejam pernas e braços, telas em portas e janelas.

As medidas coletivas contra malária são: borrifação intradomiciliar, uso de mosquiteiros, drenagem, obras de saneamento para eliminação de criadouros do vetor, aterro, limpeza das margens dos criadouros, modificação do fluxo da água, controle da vegetação aquática, melhoramento da moradia e das condições de trabalho e uso racional da terra.

“No geral, após a confirmação da doença, o paciente recebe o tratamento ambulatorial, com comprimidos fornecidos gratuitamente em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Somente em casos graves os pacientes devem ser hospitalizados. Quando realizado de maneira correta, o tratamento da malária garante a cura da doença”, esclarece o Ministério da Saúde.