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Documentos falsos dificultaram identificação de corpos de assaltantes
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Criminosos foram baleados em um confronto com a polícia há uma semana no bairro Raiar do Sol
Por Paola Carvalho
Em 03/01/2018 às 00:49
De acordo com o diretor do Instituto de Identificação, Amadeu Triani, os criminosos utilizavam documentos falsos de identidade, inclusive de uma pessoa falecida nos anos 1970 (Foto: Hione Nunes)

Depois de uma semana, o Instituto de Identificação Odílio Cruz (IIOC-RR) finalizou ontem, 2, o processo de confirmação da identidade dos corpos dos dois assaltantes mortos em troca de tiros com a polícia no bairro Raiar do Sol. Os corpos de Pedro Gomes da Silva Filho e Lerivelton Maia Silva, ambos oriundos do Amazonas, já foram liberados para os familiares.

De acordo com o diretor do IIOC-RR, Amadeu Triani, os peritos papiloscópicos da Polícia Civil tiveram dificuldades para identificar as vítimas em razão do uso de documentação falsa pelos criminosos.

Segundo Amadeu, primeiro foi feita a coleta da impressão digital dos corpos e dos documentos que as vítimas portavam. Com Pedro havia uma identidade com o nome de Aminada Ribeiro da Silva, registrado em Quixadá, no Ceará. Para isso, o IIOC-RR teve que solicitar informações oficiais do Instituto de Identificação do Ceará e, através dos dados das impressões digitais, pode identificar o corpo.

No caso de Pedro, a situação foi mais fácil, pois o documento apresentava sinais de falsidade. “Era uma foto colada em cima da identidade de Aminada, com uma digitalização borrada e a impressão digital não correspondia. Foi feita a comparação e nós eliminamos a possibilidade da duplicidade do documento”, explicou Amadeu.

Já no caso de Lerivelton a situação foi mais complicada, pois, de alguma forma, a vítima constava com duas impressões digitais registradas, a própria e outra no nome de Gilberto de Souza Braga, nascido em Manaus, no Amazonas. Porém, conforme levantado pelo IIOC-RR, Gilberto nasceu nos anos 1970 e faleceu pouco tempo depois, em abril de 1972.

“O maior problema é que o cartório em que Gilberto foi registrado no nascimento não tinha a informação de que ele tinha vindo a óbito”, completou Amadeu. “Então, nós tínhamos duas impressões digitais registradas idênticas, uma no nome de Lerivelton e outra no nome de Gilberto. Com o trabalho em equipe junto ao Instituto de Identificação de Manaus, do Cartório de Manaus e do Conselho Nacional dos Diretores de Órgãos de Identificação (Conad), que nós conseguimos levantar que Gilberto tinha falecido há muitos anos e excluímos essa possibilidade”, informou.

O diretor explicou que, caso não fosse feito esse trabalho em parceria com os órgãos amazonenses e do Ceará, a previsão era de que a resolução do caso demorasse muito mais. “Se a gente não tivesse conseguido identificar que Gilberto havia falecido em 1972, nós teríamos que coletar material genético da filha dele que reside em Roraima, dos pais e do corpo e encaminhar para fora do Estado para identificar, através do DNA, o que poderia demandar até 30 dias de espera para o resultado final”, afirmou Amadeu.

O diretor também ressaltou que a demora na confirmação da identidade dos assaltantes, apesar das fortes suspeitas, foi necessária, pois o Instituto de Identificação precisa completar as etapas para fazer a liberação dos corpos devidamente. “Nossa prioridade é juntar todas as peças que vão instruir o laudo do inquérito policial para depois liberar o corpo com a certeza da identificação. Enquanto não se tem todas essas informações, nós não podemos liberar”, frisou.

Amadeu Triani reafirmou ainda que, entende a angústia dos familiares que estão em outro Estado, esperando para poder enterrar seus entes queridos, independente das circunstâncias do falecimento. “Os depoimentos da família são de cortar o coração, mas os procedimentos têm que ser executados, não tem como evitar”, declarou o diretor.

ENTENDA O CASO – Lerivelton Maia e Pedro Gomes foram baleados após troca de tiros com policiais da Força Tática do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Divisão de Inteligência e Captura (Dicap) no dia 26 de dezembro, no bairro Raiar do Sol. Os homens foram levados ao Hospital Geral de Roraima (HGR), mas não resistiram aos ferimentos.

Segundo a polícia, Lerivelton era conhecido pela alta periculosidade, com passagem pela polícia por homicídio cometido em Roraima e muitos roubos praticados no Nordeste. Já Pedro era considerado o maior assaltante da Região Nordeste, sendo procurado nos estados da Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, além do Amazonas. A informação é de que a dupla planejava assaltar a agência do Banco do Brasil em Rorainópolis.

Registrar B.O no caso de perda ou furto de identidade pode evitar sérios problemas

Para evitar problemas futuros em caso de roubo de identidade e também para facilitar a identificação, em casos de acidentes, o Instituto de Identificação recomenda que a população esteja sempre com sua carteira de identidade em dia, com boa visibilidade, sem manchas e que registre boletim de ocorrência na delegacia em caso de furto, roubou ou perda do documento.

“No caso do Gilberto, por exemplo, a certidão de nascimento pode ter sido roubada, fruto de furto onde os familiares residiam. O certo é que foi feita uma identidade com essa certidão, o que causa muita dor de cabeça para os envolvidos”, frisou.

Outro alerta para a população é no caso de a vítima poder ser penalizada e até enquadrada em alguns crimes que quem cometeu foi o assaltante, apresentando outra identidade. “Com documento roubado ou falso, a pessoa pode pedir um empréstimo, abrir uma conta no banco, realizar um financiamento e fica muito difícil para a pessoa lesada provar que não foi ela que fez as solicitações e, com isso, acaba com nome sujo no Serasa e outras instituições financeiras. É importante fazer o boletim de ocorrência e guardar esse boletim de ocorrência para poder se resguardar de uma possível suspeita”, orientou o diretor. (P.C.)

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