ENERGIA INSTÁVEL
Comerciantes relatam prejuízos causados por quedas de energia
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Em alguns estabelecimentos, as interrupções deixam prejuízos que comprometem equipamentos e mercadorias
Por Ana Gabriela Gomes
Em 05/12/2017 às 00:37
Comerciante Allex Pascoal “O preço que eu pago na conta de energia não compensa nem um pouco a energia que eu recebo” (Foto: Hione Nunes)

Após o aumento de 35% nas tarifas de energia elétrica da Eletrobras Distribuição Roraima, era de se esperar que a qualidade do abastecimento agradasse os consumidores. No entanto, o que se percebe é que as quedas de energia na capital têm sido cada vez mais constantes, principalmente aos sábados à tarde e nos domingos de manhã. Em alguns comércios, as interrupções deixam prejuízos que comprometem equipamentos, mercadorias e clientes.

Não é de hoje que comerciantes são prejudicados pelas quedas de energia em Boa Vista. Nos últimos dois anos, a comerciante Rossieli Gassner perdeu dois freezers por conta de interrupções. Trabalhando no ramo há sete anos, ela contou que além do prejuízo com o equipamento e a mercadoria, também sofre o risco de perder clientes se o sistema não funciona para emitir notas e cupons das vendas.

O primeiro prejuízo ocorreu no ano passado, quando o motor de um freezer não voltou a funcionar após uma queda de energia. Ela pontuou que, em casos como esse, não há como recorrer à Eletrobras, uma vez que os alimentos não podem esperar. “Não utilizamos gerador, é difícil para uma empresa pequena. Aí, além de pagar um preço alto pela energia, não temos a energia que é paga”, frisou.

O segundo freezer foi perdido este ano pelo mesmo motivo. Ao todo, o prejuízo de ambos foi de quase R$ 2 mil. Para não perder as mercadorias em uma situação como essa, a comerciante explicou que o ideal é garantir de imediato que o equipamento esteja disponível e pronto para ser entregue, independente do preço. De acordo com Rossieli, não há tempo para fazer pesquisas e encontrar um valor mais em conta.

Para ela, quem está no comércio são pessoas que realmente gostam, tendo em vista toda a doação necessária para manter o estabelecimento e a falta de retorno em muitas situações, como o caso dos prejuízos causados por quedas de energia. “A energia que pagamos é alta! O comércio deveria receber um olhar mais preocupado por parte de um político que não queira só poder e status, mas que garanta o direito de todos, ou pelo menos um equilíbrio”, disse.

O comerciante Allex Pascoal, proprietário de um salão de beleza há dois anos, informou que as quedas de energia têm prejudicado, principalmente, os clientes que estão passando por um procedimento em que se faz necessária a energia elétrica, como escova, chapinha e depilação. Além disso, a falta de climatização por muito tempo deixa o ambiente quente, o que também afasta os clientes.

Ainda este ano, o comerciante perdeu um aparelho de estética de quase R$ 7 mil. Segundo ele, foi preciso repor todo o equipamento. “O preço que eu pago na conta de energia não compensa nem um pouco a energia que eu recebo. Sem contar no serviço que eu deixo de prestar aos clientes”, declarou. Com o aumento tarifário, as contas de Pascoal passaram de R$ 1.200,00 para R$ 2 mil.

OUTRO LADO – Sobre a falta de energia que ocorreu no final de semana, a Eletrobras Distribuição Roraima informou que no sábado à tarde houve um desligamento na linha de transmissão da Venezuela e ainda durante a tarde o fornecimento de energia foi normalizado. (A.G.G)

Atendimentos são comprometidos com máquina quebrada e sistema fora do ar

Na manhã desta segunda-feira, 4, consumidores da Eletrobras Distribuição Roraima que se dirigiram à sede da empresa tiveram dificuldade em receber atendimento. Uma universitária, que preferiu não se identificar, explicou que não conseguiu imprimir a 2ª via da conta de energia pelo fato da máquina de impressão estar queimada. Em contato com um servidor da empresa, foi informada que não há previsão para conserto.

Sem escolhas, ela decidiu enfrentar a fila. “É uma falta de respeito. Recentemente passamos por um aumento e o mínimo que poderíamos ter é um atendimento eficiente. Uma só fila para vários casos não dá certo”, frisou. Com receio de perder a aula, a universitária foi embora após passar a manhã no local, mesmo sem conseguir ser atendida.

Outra consumidora, que também preferiu não se identificar, contou à equipe de reportagem que chegou por volta das 9h no local. Três horas depois, ela declarou que não conseguiu atendimento. “O sistema está fora do ar. A gente espera e espera para voltar de mãos vazias”, lamentou.

OUTRO LADO – Sobre a situação, a Eletrobras Distribuição Roraima afirmou que na manhã de ontem, 4, o sistema de atendimento apresentou falha e alguns serviços que dependem da consulta ao sistema não puderam ser realizados. No entanto, o atendimento foi normalizado no período da tarde. Sobre a emissão de segunda via, a empresa garantiu que no pré-atendimento tem duas funcionárias que atendem as solicitações. (A.G.G)

rosiel gonçalves dantas disse: Em 05/12/2017 às 09:12:42

"li uma reportagem da revista época sobre a Eletrobras em Roraima, fiquei perplexo em saber dos salários de alguns funcionários da empresa. Os valores chegam a passar dos 120 mil por mês. outra surpresa foi o fato de que esses funcionários recebem horas extras gordíssimas quando o sistema elétrico cai, rsrsrsr, a pergunta é: existe boa vontade em resolver o problema das quedas de energia, já que esses funcionários recebem em cima desses apagões?"