RORAIMA EM ALERTA
Com avanço da estiagem, focos de incêndio já começam a preocupar
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Condições climáticas em Roraima estão melhores que em 2015 por conta de influência do fenômeno “La Niña”
Por Folha Web
Em 08/12/2016 às 00:35
Preocupação maior é nos municípios do Sul do Estado, principalmente Rorainópolis (Foto: Arquivo/Folha)

O Comitê Estadual de Combate ao Incêndio começou a traçar estratégias a fim de coibir incêndios florestais ocasionados pelo uso descontrolado de queimadas por parte de agricultores. Apesar de as condições climáticas este ano estarem melhores em relação ao ano passado, por influência do fenômeno La Niña, alguns focos de calor já foram identificados. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), neste mês de dezembro registrou-se até o momento 44 focos de queimadas. Apenas dois focos a menos em relação ao mesmo período de 2015.

O calendário de queimadas, conforme informações do comandante do Corpo de Bombeiros Militar de Roraima (CBMR), coronel Edivaldo Amaral, deve ser divulgado ainda este mês depois de finalizados os estudos do comitê. “O calendário será estabelecido de acordo com as condições meteorológicas atuais. A intenção é definir quais áreas serão orientadas a não queimar, tendo em vista a estiagem intensa, umidade relativa do ar e material combustível, e identificar os locais mais propensos à propagação de incêndios”, disse.

O período de forte estiagem inicia em meados de dezembro e segue até abril, ainda de acordo com o comandante. A intenção é realizar o enfrentamento em áreas de assentamentos agrícolas, indígenas e nos municípios onde compreende o “arco do fogo”: começando por Uiramutã, Pacaraima, Amajari, Alto Alegre, Mucajaí, Iracema, Caracaraí e Cantá.

“Este ano, estamos mais preocupados com os municípios do Sul de Roraima. Alguns deles queimam muito desde 1998, como Iracema e Mucajaí. Nessas localidades, todos os anos os agricultores utilizam o fogo como ferramenta de limpeza, mas a nossa surpresa mesmo veio de Rorainópolis que teve muita área queimada. É de surpreender porque é uma região de transição entre o inverno do Amazonas e Roraima, ou seja, chove bastante o ano inteiro”, explicou o comandante.

Uma das estratégias montadas pelo comitê é a implantação de bases de brigadistas nessas localidades de maior incidência do fogo. “Quando começam a aumentar os focos montamos a base com aproximadamente cinco bombeiros. Ela fica pronta para atender qualquer ocorrência nas proximidades. É uma forma de evitar que o cidadão precise chamar alguém da capital. Até a guarnição chegar ao local, o fogo já perdeu o controle”, disse.

Outra estratégia, já utilizada em anos anteriores, é treinar e orientar os próprios agricultores e produtores rurais para se tornarem brigadistas. Com isso, além de aprenderem sobre a importância da preservação, podem atuar no combate ao incêndio florestal. “Eles [agricultores e produtores] são os que mais queimam, por isso é importante esse treinamento. Eles vão atuar em situações de emergência e acabam sendo contratados de forma temporária”, frisou Amaral.

COMITÊ – O Comitê Estadual de Combate ao Incêndio é formado por equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Roraima (CBMR), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), coordenadorias das prefeituras municipais, além de auxílio e monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

ALERTA – De acordo com o meteorologista Ramon Alves, da Femarh, as condições climáticas em Roraima estão sendo melhores que em 2015. “Temos uma condição de estabelecimento de uma fraca La Niña [fenômeno contrário ao El Niño e responsável pelo esfriamento do Oceano Pacífico Equatorial, o que favorece a ocorrência de chuvas no hemisfério Sul] de curta duração, porém isso não quer dizer que a atual situação climática não requer atenção das autoridades. Pelo contrário, está melhor que o ano passado, mas continua com uma situação de poucas precipitações”, explicou.

Segundo dados do Boletim Hidroclimático da Femarh, o acúmulo de precipitação do início de dezembro até o momento foi abaixo de 20 mm. Durante os últimos dois meses, só choveu nove dias na Capital. Em novembro, o acúmulo foi de 46,9 mm. A tendência para esse mês de dezembro é de chuvas com acúmulo mensal próximo à normalidade, reforçando assim com um período seco e de poucas precipitações.

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