EM DEZ ANOS
Casos de sífilis em bebês triplicaram no Brasil
No ano passado 1.499 crianças infectadas pela patologia morreram ainda no útero da mãe, nasceram mortas ou faleceram até um ano após o parto
Por Raisa Carvalho
Em 03/02/2018 às 00:14
Sífilis congênita: a mãe infectada transmite a doença para o bebê, seja durante a gravidez, por meio da placenta, seja na hora do parto (Fotos Divulgação)

Uma doença tão silenciosa quanto perigosa se espalha pelo país, preocupando médicos e autoridades que tentam superar a escassez do antibiótico mais usado no seu tratamento. O aumento no número de pessoas com sífilis têm gerado grande preocupação, já que é uma doença sexualmente transmissível (DST), sendo transmitida por meio de pequenos cortes presentes na pele ou por membranas mucosas.

Dados recentes do Ministério da Saúde indicam que a epidemia de sífilis que atinge o Brasil fez o número de óbitos infantis e fetais pela doença congênita (transmitida pela mãe) triplicasse nos últimos dez anos.

As informações apresentadas mostram que em 2006 ocorrem 477 casos de crianças infectadas pela patologia que, morreram ainda no útero da mãe, nasceram mortas ou faleceram até um ano após o parto. Já no ano passado, esse número passou para 1.499 bebês. O novo índice divulgado só não é maior do que o registrado em 2015 (1.620).

De acordo com o comunicado, a categoria com o maior número de fatalidades no ano passado foi o aborto espontâneo por sífilis congênita, com 692 registros. Os outros 622 bebês estão na categoria de natimortos e tiveram 185 crianças que morreram antes de completar 1 ano de idade.

Além disso, o Ministério da Saúde sugere que o surto da doença e o aumento da mortalidade por sífilis congênita podem estar associados a quatro principais fatores: falta de penicilina no mercado, crescimento do comportamento sexual de risco no país, falhas na assistência à gestante e resistência de alguns profissionais de saúde em utilizar o medicamento indicado por risco de reação anafilática. No entanto, eles informaram que o abastecimento de penicilina já está normalizado no país desde o início de 2017.

Em outubro de 2017, o órgão anunciou um conjunto de ações de prevenção, diagnóstico e tratamento da sífilis. Os números relacionados à doença preocupam as autoridades de saúde ao mostrar que entre 2015 e 2016, a sífilis adquirida teve um aumento de 27,9%; a sífilis em gestantes, de 14,7%; e a congênita (transmitida da mãe para o bebê pela placenta ou no momento do parto) de 4,7%.

O que é sífilis?

A sífilis é causada por uma bactéria chamada Treponema pallidum, que é geralmente transmitida via contato sexual e que entra no corpo por meio de pequenos cortes presentes na pele ou por membranas mucosas.

Só é contagiosa nos estágios primário e secundário e, às vezes, durante o início do período latente. Raramente, a doença pode ser transmitida pelo beijo, mas também pode ser congênita, sendo passada de mãe para filho durante a gravidez ou parto.

Uma vez curada, a sífilis não pode reaparecer – a não ser que a pessoa seja reinfectada por alguém que esteja contaminado.

Sífilis congênita

A sífilis pode, ainda, ser congênita. Nela, a mãe infectada transmite a doença para o bebê, seja durante a gravidez, por meio da placenta, seja na hora do parto. A maioria dos bebês que nasce infectado não apresenta nenhum sintoma da doença. No entanto, alguns podem apresentar rachaduras nas palmas das mãos e nas solas dos pés. Mais tarde, a criança pode desenvolver sintomas mais graves, como surdez e deformidades nos dentes.

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