EM TRÊS ANOS
Casos de hepatites virais caem 50%
Conhecidas como doenças silenciosas as hepatites virais são de fácil contágio e podem levar à morte
Por Ana Gabriela Gomes
Em 05/02/2018 às 00:35
O médico infectologista, Luiz Galan atribui a redução à cobertura vacinal (Foto: Hione Nunes)

As notificações dos casos de hepatites virais em Roraima reduziram 50%. A notícia confirmada pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), abrange o período de três anos. Em 2015, foram registrados 1.400, e ano passado, 694. Boa Vista liderou a tendência com 1.030 casos em 2015 e apenas 482 no ano passado. 

O médico infectologista Luiz Galan, atribui a redução à cobertura vacinal do Ministério da Saúde (MS). Em relação à hepatite B, a cobertura antes direcionada a pessoas até 29 anos, foi ampliada para o público com até 49 anos. Suscintamente, a hepatite é o processo inflamatório das células hepáticas (do fígado). No caso das hepatites virais, a inflamação pode ser causada por três vírus.

As hepatites B e C são as mais preocupantes, porque podem resultar em doenças crônicas como cirrose, câncer do fígado e até a morte. Por serem consideradas doenças silenciosas, o diagnóstico ocorre durante exames de rotina ou doação de sangue. Atualmente, o Conselho Federal de Medicina (CFM) recomenda que durante o check-up, os exames de HIV e hepatites B e C sejam incluídos.

Segundo Galan, pacientes vão ao ambulatório sem sintomas, mas com a infecção em fase avançada, no estágio de fibrose. Em outros casos, já diagnosticados com cirrose chegam a descompensar e entram na fila de transplante. “Uma das principais razões de transplante de fígado são as hepatites virais B e C”, informou o infectologista.

HEPATITE A – A hepatite A é transmitida via fecal e oral. Alimentos e água contaminados são os principais veículos de transmissão. Mesmo não sendo sexualmente transmissível, a contaminação pode ocorrer durante o contato com a região perianal e anal. Em São Paulo, no ano passado houve um surto da doença entre homens que se relacionavam sexualmente com outros homens.

De modo geral, os remédios são direcionados aos sintomas, como febre e dor de cabeça. Mesmo sem cura, a doença pode evoluir de maneira autolimitada. Em raros casos, a hepatite A pode criar uma hepatite fulminante, colocando em risco a vida do paciente, que muitas vezes precisa de transplante hepático. Muitas vezes, o organismo cria anticorpos para combater a infecção.

HEPATITE B – Além da via parenteral, são incluídos na transmissão da hepatite B os materiais de manicure e pedicura por deficiência na esterilização, bem como máquinas de barbear e de depilação que tiveram contato com sangue. O objetivo do tratamento realizado pelo MS é reduzir a carga viral ou criar uma resposta virológica sustentada para impedir o avanço da doença.

Não se fala na cura da hepatite B devido à possibilidade de o vírus ser reativado, porque se acopla às células do fígado. Para ser reativado, basta que o paciente tenha uma queda no sistema imunológico.

HEPATITE C – A hepatite C tem cura e o tratamento disponível é eficaz. A maioria dos remédios é ingerida via oral, em período de 12 a 24 semanas. Seguido de forma correta, o paciente tem mais de 90% de chance de cura. A transmissão ocorre via parenteral (sangue contaminado) por meio do compartilhamento de seringas, ou em lugares que implantem piercing e tatuagens e não obedeçam às normas da vigilância sanitária. Quanto à transmissão sexual, a contaminação costuma ocorrer em pessoas que se relacionam com muitos parceiros.

PREFEITURA – Dados da Vigilância Epidemiológica do Município apontaram que, diferente dos anos de 2015 e 2017, onde foram constatados 24 e 25 casos de hepatite B, respectivamente, 2016 foi o ano com o maior número de casos, totalizando 67. Em relação à hepatite C, foi possível observar um caso a menos por ano. Em 2015, quatro casos foram registrados. No ano passado, apenas dois. (A.G.G)

Não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!