DIGNIDADE, RESPEITO E VIDA
Imigrantes serão atendidos em curso de costura
Os interessados em participar podem procurar a Cooperativa de Empreendimentos Solidários de Boa Vista (Coofecs), no bairro Santa Teresa, na zona oeste
Por Ana Gabriela Gomes
Em 18/12/2017 às 01:15
A pastora e aluna Maria Verinha da Silva pretende ajudar novos alunos a partir de 2018 (Foto: Hione Nunes)

O objetivo é simples: oportunizar mulheres e homens venezuelanos, indígenas e não indígenas, a criarem independência financeira por meio da costura. O projeto Dignidade, Respeito e Vida foi criado ante a dificuldade dos imigrantes em garantir uma renda fixa. Os interessados em participar podem procurar a Cooperativa de Empreendimentos Solidários de Boa Vista (Coofecs), no bairro Santa Teresa, na zona oeste.

A tesoureira da Coofecs, Maria dos Santos, informou que a previsão inicial é treinar apenas 15 pessoas, em razão do espaço e do déficit de máquinas. Em janeiro, com o início do projeto, ela espera ampliar o espaço e comprar mais equipamentos. Nesta segunda-feira, 18, a cooperativa encerra a terceira turma do curso. “Sempre foi um sonho nosso ensinar, porque tinha muita procura”, comentou.

A produção dos alunos é vendida nas feirinhas realizadas pela própria cooperativa. Com a turma de imigrantes não vai ser diferente. Maria ressaltou que as arrecadações são divididas igualmente entre trabalhadores e cooperativa. Dessa forma, os produtores garantem seus recursos e a cooperativa aprimora o espaço para receber mais interessados. No local, cadeiras desgastadas revelam a necessidade de melhorias.

Uma das alunas da terceira turma da Coofecs é a pastora Maria Verinha Silva, que começou a correr atrás do sonho de aprender a costurar no dia 4 de outubro deste ano. Para ela, a oportunidade oferecida aos imigrantes é proveitosa para quem aprende e para quem ensina. “O conhecimento é mútuo. Alguns não falam bem o português, então a gente aprende a língua deles e ensina a costura”, comentou.

Perto de encerrar o treinamento, Verinha destacou que algumas amigas já pensam em abrir o próprio ateliê. Além de pastora, Verinha desenha roupas para o ministério de dança da igreja. Segundo ela, a vontade de aprender a costurar aumentou no dia em que, por não ter ninguém, precisou costurar as roupas por conta própria. Após o término, destacou que pretende ajudar outros e fazer novos cursos.

TRIAGEM – Os interessados em participar do curso podem se dirigir a Coofecs, localizada na rua Tambaqui, número 895, bairro Santa Teresa, zona oeste da capital, das 14h às 17h, para triagem. Além disso, se você sabe de alguém que conheça imigrantes que procuram emprego e não tenham acesso a essa informação, repasse a notícia.

DOAÇÃO – A equipe de reportagem da Folha esteve na Coofecs e constatou a situação do espaço e dos equipamentos. Empresas e a sociedade em geral que queiram ajudar a cooperativa podem ir ao local e falar com a tesoureira Maria dos Santos, ou com a presidente Francisca Lopes. (A.G.G)

Austrália aprova projeto de costura para imigrantes

Todo ano, cerca de 800 propostas são enviadas ao Programa de Ajuda Direta (Dap) da Embaixada da Austrália, em Brasília. Do total, apenas 15 são selecionadas. Este ano, o projeto Dignidade, Respeito e Vida foi um desses. Um dos criadores, Samuel Carlos Santana, disse que inicialmente o projeto foi dirigido a indígenas venezuelanas da etnia Warao.

O objetivo era treinar e capacitar as imigrantes, para que pudessem conquistar o que sonharam ao deixarem o país de origem. A ideia foi aprovada pela Universidade Federal de Roraima (UFRR) e costureiras da Cooperativa de Empreendimentos Solidários de Boa Vista (Coofecs), que capacitavam duas indígenas Warao.

“Esse projeto foi encaminhado em três anos consecutivos. Mas, essa foi a primeira vez que conseguimos aprovação. Também... caprichamos, porque sabemos que a causa é importante”, lembrou.

No projeto, os elaboradores falaram do número de equipamentos, valores e possíveis empresas. Foram solicitadas 20 máquinas de costura e 10 ventiladores de coluna. A previsão é receber o material no início de janeiro.

Residente em Roraima há 49 anos, Samuel Santana destacou que ao chegar aqui, poucos acreditavam que alguém pudesse se mudar para cá. Hoje, é uma iniciativa corriqueira. “Temos uma terra com muito potencial, desde que façamos nossa parte, e essa é uma oportunidade”, pontuou. (A.G.G)

Costureiras da Coofecs estão habilitadas

A Cooperativa de Empreendimentos Solidários de Boa Vista (Coofecs) é um dos projetos da Incubadora Social de Projetos de Economia Solidária em Roraima. Coordenada pelo professor da Universidade Federal de Roraima, Emerson Arantes, a proposta é fomentar o cooperativismo e o associativismo para produções coletivas.

Conforme Arantes, a iniciativa começou em 2006, com a professora Marlene Grade e as capacitações em grupos. Em 2008, era criada a Coofecs, para desenvolver ações de corte, costura e capacitação. Os primeiros trabalhos da cooperativa foram de formação, cooperativismo, empreendedorismo, administração e cursos de corte e costura profissional.

Atualmente, as costureiras estão habilitadas a qualquer tipo de costura, de acabamento em vestidos de noiva a uniformes. “Há uma grande procura pelo serviço delas, falta até espaço para a demanda. E estão habilitadas para capacitar outras pessoas. Com essa situação da imigração, muita gente precisa e elas podem ajudar”, observou. (A.G.G)

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