Cotidiano

“É o maior movimento grevista que esse estado já viu”, diz professor

Há 14 dias, professores da rede estadual de ensino estão de braços cruzados; Tribunal de Justiça declarou greve ilegal

O representante do comando de greve do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Roraima (Sinter) Mateus Silva esteve neste domingo, 23, na rádio Folha AM 102 e participou do programa Agenda da Semana. Durante a entrevista, realizada pelo jornalista Jessé Souza, o sindicalista afirmou que a greve da educação “é o maior movimento grevista que o Estado já presenciou”. “80% dos professores estaduais já aderiram à greve”, afirmou.

A greve dos professores, liderada pelo Sinter, completa hoje 14 dias. Na semana passada, após dois dias de negociação com mediação do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR), o desembargador Mauro Campello declarou a ilegalidade da greve e determinou que os professores retornassem imediatamente para as salas de aula, sob pena de pagamento de multa diária no valor de R$ 10 mil.

Nos dois dias de negociação, o governo concordou com 37 dos 39 itens da pauta de reivindicações, mas ainda assim o Sinter deliberou pela manutenção da greve. Questionado sobre a decisão, Mateus da Silva explicou que o desembargador Mauro Campello levou em consideração que o Sinter não respeitou o percentual mínimo de 30% dos trabalhadores em atividade afirmando que a educação é um serviço essencial.

“Porém, por lei, a classe da educação não é composta somente por professores e todos os outros profissionais das escolas não entraram em greve, somente os professores. Mas esperamos resolver essa questão em segunda instância”, afirmou.

Mateus Silva destacou que os dois itens que não foram pacificados entre o Sinter e o governo estadual são de profundo interesse dos professores, sendo eles: a incorporação da Gratificação de Ensino à Docência (GID) nos salários e o pagamento das progressões funcionais horizontais e verticais por meio do enquadramento da Lei 892, que trata do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração da Educação.

“Questões que foram promessas de campanha da governadora, que, para obter o apoio da categoria, reuniu-se com a classe, perguntou quais as nossas reinvindicações e prometeu que iria incorporar a GID nos nossos salários”, destacou.

A respeito do pedido da saída da secretária estadual de Educação Selma Mulunari, o representante do Sinter afirmou que a reinvindicação surgiu do movimento indígena, que também faz parte das entidades em greve, e que a vertente de não-índios apenas incorporou o pedido.

“É cultural deles esse tipo de pedido e nós temos que respeitar. É uma questão muito complicada porque a secretária não recebeu os povos indígenas quando eles vieram protestar, e não soube tratá-los quando eles foram reivindicar a pauta grevista deles. Assim, por entender que ela não sabe como conduzir sua pasta, levantaram a bandeira, interpretando o impedimento de protocolar o documento deles uma atitude ofensiva. Nós só incorporamos o pedido deles”, justificou Mateus Silva.

Para encerrar, o sindicalista convocou todos os professores para comparecerem hoje, 24, na Praça do Centro Cívico, a partir das 11 horas. “O comando de greve foi convidado para mais uma vez sentar-se com a governadora e ouvir uma contraproposta do governo. É importante que a categoria compareça e nos ajude a deliberar se aceitamos ou não as propostas que serão apresentadas”, afirmaram. (J.L)