ATAQUES A VENEZUELANOS
"Acordamos com os gritos de desespero" diz vítima de bomba caseira
O local teve os móveis queimados, os brinquedos das crianças destruídos pelas chamas que também atingiu o forro de pvc que derreteu e caiu sobre as vítimas
Por Raisa Carvalho
Em 08/02/2018 às 16:00
Apesar do cheiro forte de queimado e de ser uma cena de um crime, o local não foi isolado pela Polícia Civil (Foto: Hione Nunes)

Um crime bárbaro chocou os boavistenses na manhã dessa quinta-feira (08), quando uma família de venezuelanos foi vítima de uma bomba caseira jogada dentro da residência onde dormiam. Um casal e uma criança de 3 anos ficaram feridos. A criança foi encaminhada para o Hospital da Criança Santo Antonio (HCSA) e sofreu queimaduras de segundo grau.

"Acordamos com os gritos de desespero, o barulho da explosão e do teto pegando fogo" relatou o venezuelano Carlos Sanchez, de 44 anos que vive em Boa Vista há oito meses.

Ele e a família que tem seis adultos e sete crianças estavam dormindo, quando por volta das 5h da manhã foram atingidos por um coquetel molotov. A casa onde dormiam foi cedida por um brasileiro. “Era um galpão abandonado, vivemos sem energia elétrica aqui, chegamos e fizemos uma limpeza e o dono disse que nos cobraria um aluguel simbólico. Transformamos esse local na nossa casa e achávamos que estávamos seguros aqui" relatou.

O local teve os móveis queimados, os brinquedos das crianças destruídos pelas chamas que também atingiu o forro de pvc que derreteu e caiu sobre as vítimas. A família suspeita que os infratores tenham entrado na casa para jogar a bomba pela janela.

"Não temos para onde ir, e estamos inseguros de que essas pessoas que jogaram essa bomba voltem para nos atingir. Não temos ideia de quem sejam, não temos problema com ninguém. Vivemos a nossa vida, acordamos, saímos para o trabalho e voltamos para cuidar de nossas crianças" explicou Jankely Vasquez de 29 anos. A jovem cursava o oitavo semestre de gestão ambiental, quando precisou abandonar os estudos e mudar de país. Hoje ela vende bananinhas no sinal para sobreviver.

A família veio de Maturi, Venezuela, onde venderam uma casa e objetos pessoais para arrecadar dinheiro para custear as passagens. "Antes da crise, a vida era maravilhosa. Nós não tínhamos luxo, mas tínhamos hospital, a educação, a comida. Mas acabou tudo e por isso viemos ao Brasil. A partir de agora não sabemos o que será do nosso futuro" contou.

Apesar do cheiro forte de queimado e de ser uma cena de um crime, o local não foi isolado pela Polícia Civil. Os adultos e as crianças continuam morando no galpão.

deco peres disse: Em 08/02/2018 às 20:23:37

"Queria saber como faço pra cotatar essa família pra fazer alguma doação alguma ajuda "