Produtores de cana-de-açúcar, representantes do Governo do Estado e políticos estiveram reunidos na manhã de sábado, na fazenda São Sebastião, localizada a 50 km de Boa Vista, para discutir questões ligadas à produção de cana para o álcool combustível. Para os representantes de uma empresa pernambucana, é possível plantar cana-de-açúcar em até 65% do lavrado roraimense. A meta do grupo é cultivar 600 hectares para a produção de açúcar e álcool.
Os representantes do setor apresentaram aos visitantes um panorama sobre a cultura da cana-de-açúcar, com informações sobre plantio, espaçamento, adubação, produção, produtividade, multiplicação da planta, rendimento no uso industrial, entre outros itens.
São 200 hectares de mudas de cana-de-açúcar que, segundo as perspectivas do grupo, podem se tornar mil hectares de muda até agosto de 2009. As mudas trazidas de Pernambuco foram produzidas em laboratório com o objetivo de não trazer pragas ao Estado.
Esta é a primeira etapa do investimento. Por enquanto, estão sendo plantados os canteiros das sementes que serão usadas na produção da cana. Os produtores estão na fase de multiplicar as mudas de cana plantadas nos viveiros próximos a Boa Vista. A variedade trazida para Roraima não foi desenvolvida especialmente para a região, mas a expectativa dos empresários é que os tipos escolhidos se adaptem totalmente ao solo roraimense.
A moagem da cana-de-açúcar produzida em Roraima está prevista para 2009. Inicialmente, o projeto deve suprir apenas o consumo da região. A empresa ainda projeta a geração de 5,6 mil empregos diretos e 12 mil indiretos na região. Segundo os empreendedores, é possível plantar cana-de-açúcar em até 65% do lavrado roraimense, quase 4 milhões de hectares.
Para o produtor Roberto Beltrão, é possível plantar cana em Roraima com sucesso e com sustentabilidade. “Temos o privilégio de ter campos sem precisar desmatar. Hoje somente com as mudas geramos 50 empregos diretos e quando estivermos em pleno funcionamento vamos gerar 3 mil empregos, sem agredir o meio ambiente”, concluiu.
A Camaçari Agroindustrial, de Pernambuco, proprietária da fazenda São Sebastião, está em Roraima há pelo menos três anos e já conta com incentivos fiscais e extra-fiscais do Governo do Estado, como a isenção de 100% do ICMS. Por enquanto, esta plantação de mudas é o único empreendimento do grupo que trabalha com a perspectiva de implantar 600 hectares da cultura, para produção de açúcar e álcool.
Para o senador Augusto Botelho, os 200 hectares de cana-de-açúcar plantados para se transformar em sementes é o começo de uma nova era. “Esse investimento é uma possibilidade de criação de emprego, trabalho e riqueza para o Estado”.
Governador visita plantio de cana-de-açúcar
O governador Anchieta Júnior também estava presente na visita à plantação de cana da fazenda São Sebastião. Segundo Anchieta, é necessário incentivar empresários para que venham ao Estado e façam investimentos.
O governador frisou que tão logo termine o recesso do Congresso Nacional irá a Brasília juntamente com os senadores e deputados, conversar com o ministro da Agricultura e convidá-lo para conhecer a realidade do Estado.
Anchieta afirmou ainda que existem duas usinas de álcool se instalando em Roraima este ano. “Temos um mercado promissor que é o mercado da Venezuela. Com essa parceria do Governo do Estado com os empresários, cooperativas e com o pequeno agricultor, temos condições de desenvolver esse projeto”.
O governo está estudando a possibilidade de conceder mais incentivos fiscais para beneficiar o setor primário. O governador disse que o estudo será realizado entre a Secretaria de Agricultura e as pessoas envolvidas para ampliar o leque de benefícios.
De acordo com o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Rodolfo Pereira, é importante destacar a parceria do senador Augusto Botelho e do governador Anchieta, no que corresponde à política do Estado. “Mesmo com algumas dificuldades estamos aqui com vários produtores rurais mostrando que é possível quando se tem persistência, fazer uma agricultura correta, centrada, organizada, e que venha atender os interesses de Roraima”.
Pereira destacou que o Governo do Estado vai lutar contra a política de não se produzir etanol na Amazônia destacando as diferenças e potencialidades do lavrado. “A cana vai gerar energia e renda, empregos e desenvolvimento sem agredir o meio ambiente e vamos lutar por isso”, concluiu.
Produzir etanol é proibido na Amazônia
Roraima iniciou os preparativos para a instalação de duas refinarias de etanol, que podem começar a operar em 2009, quando, estima-se, a produção de cana-de-açúcar alcançará três milhões de toneladas.
Apesar das perspectivas do setor, existe o problema da proibição ao plantio de cana-de-açúcar e da instalação de refinarias de etanol na Amazônia. Ainda não se sabe se a lei também vale para Roraima, por ser área de cerrado.
A medida é uma resposta do governo brasileiro a críticas internacionais, que vêem no avanço das plantações de cana para a produção do etanol uma ameaça à biodiversidade da Amazônia.
O Governo Federal deverá estabelecer áreas que receberão incentivos públicos para a plantação de cana-de-açúcar. Serão liberadas para plantação de cana as áreas na borda da floresta, já utilizadas para pastagem e degradadas, de terreno plano e clima seco.