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    29/07/2010 03h45

Vendas de carros usados aquecem


   Vaneza Targino


Foto:  C. Bispo

Economista aconselha consumidor juntar dinheiro para dar uma boa entrada



Em abril, o Governo Federal retomou a cobrança do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), depois de dois anos suspensa, numa medida para retomar a economia brasileira depois da crise mundial em 2008. Com essa redução, os veículos novos foram as opções no mercado. Hoje, três meses depois do retorno da cobrança do IPI, as lojas de veículos usados comemoram 60% no aumento das vendas.


As concessionárias de veículos zero quilômetros ainda estão no aquecimento das vendas proporcionadas pelo período da alta com a redução do IPI. A FolhaWeb consultou um economista  e constatou que o consumidor tem mais opções na hora de comprar um veículo dos seus sonhos, mas que às vezes pode se transformar num pesadelo em caso de dificuldade para deixar em dia as prestações.


A pergunta de muitos consumidores é: Vale à pena comprar um carro usado ou um zero quilômetro neste período? O economista Gilberto Hissa esclarece que o melhor é o consumidor precisa ter dinheiro para dar uma boa entrada. “Não interessa o veículo, e sim o valor financiado, que vem embutido com taxas e outros encargos”, disse ao aconselhar o consumidor a financiar parte do valor do veículo.


“Uma entrada é sempre importante, porque ele poderá pagar uma prestação não muito alta. O ideal é parcelar em 24 meses e nunca optar nos prazos de 60 e 90 meses, porque muitas vezes o carro fica velho e você continua a pagar. Sem falar no valor elevado da prestação. As taxas hoje são muito parecidas do zero quilômetro para o usado”, esclarece ao afirmar que a compra a vista é a melhor de todas.


O economista analisou a situação do preço dos veículos novos e acredita que a competição com o usado permanece, pois as fábricas reduziram o valor dos automóveis após o retorno da cobrança do IPI. “As fábricas não aumentaram muito o preço dos carros com o retorno do IPI. Todos querem continuar vendendo e com o preço atrativo”, analisou.

 


PESQUISA

 

A FolhaWeb consultou três lojas de carros semi-novos e três concessionárias e percebeu pouca diferença no preço dos veículos. A taxa para carros usados variam entre 1,60% a 1,75%. Já as taxas na vendas dos carro zero quilômetro variam de 1,36% a 1,47%.


Para financiar R$ 30 mil, na compra de um carro popular usado, modelo Celta (completo), ano 2010, a parcela em 60 meses fica em R$ 858,00. A taxa é de 1,73%. Já o mesmo veículo 0km, fica por R$ 32.100,00 e as parcelas em 60 meses fica em R$ 885,00. Nos dois casos, o financiamento é integral. Com uma entrada, o valor pode reduzir ainda mais.


Numa outra simulação,  o carro usado modelo Pálio 2007 custa no mercado R$ 23 mil e, para financiar em 60 meses, a parcela fica no valor de R$ 646,00, usando uma taxa de juros de 1,60%. Nesse caso, a taxa se eleva de acordo com o ano do veículo. Carro mais velho o risco é maior para o banco financiador. O Pálio novo completo custa R$ 34.970,00 e, parcelado em 60 vezes, fica no valor de R$ 981,00. A taxa é de 1,47%.


Um dos modelos em Roraima mais comercializados é o Gol geração V. Na loja de usado o veículo completo 1.0 ano 2009 custa R$ 30 mil e. em 60 meses, a parcela fica R$ 836,00 (taxa 1.60%). Já o zero quilômetro, ano 2010, modelo 2011, está avaliado em R$ 39.781,00 e a fábrica reduziu o valor para R$ 35.092,00. Financiar o valor total em 60 meses fica a parcela de R$ 978,00 com uma taxa de juros de 1,39%.


Para conquistar os clientes as concessionárias oferecem descontos ou até mesmo acessórios necessários, como ar-condicionado, direção hidráulica, som, trava elétrica, jogo de tapete e também emplacamento. Em algumas promoções o pagamento da primeira parcela pode ficar para 60 e até 90 dias.

 


Sete lojas de usados fecharam,
mas mercado agora respira

 

Depois do período considerado negro, os donos de lojas de usados comemoram o aumento em até 60% nas vendas dos últimos três meses. Em Boa Vista, mais sete lojas fecharam e as que resistiram encontram no carro usado, o semi-novo, uma grande fatia no mercado.

 

Para o lojista Adalberto da Silva, a oferta de carros usados está maior e o consumidor tem vantagens com muitas opções. “As grandes ofertas dos carros zero quilômetros já não existem mais e agora voltou o usado a ser mais vantajoso. Além das taxas de juros serem praticamente iguais. Não existe muita diferença no preço e, com isso, podemos conquistar mais os clientes”, analisou.

 

Já Fernando Campolina, que atua no mercado há mais de 15 anos, acredita que a redução do IPI ajudou a manter o preço do carro novo. “O IPI deu uma freada nos aumentos dos carros nas fábricas. Hoje está fácil comprar o usado e essa contenção no preço do carro novo equilibrou os preços”, disse ao comemorar o aumento nas vendas. “Até maio estava pagando para trabalhar e hoje poder ter um lucro considerado razoável”, disse.


 

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