Se de um lado os pedestres reclamam da falta de calçadas, de outro os motoristas criticam a pouca oferta de estacionamentos. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) proíbe o estacionamento de veículos em calçadas ou canteiros centrais, mas, apesar da lei, são flagrantes as infrações constatadas nas vias da Capital boa-vistense.
A FolhaWeb percorreu os principais pontos da cidade onde existe grande fluxo de veículos. Tantos os pedestres quantos os condutores reclamam desse problema que vem crescendo a cada dia. Além da falta de conhecimento do CTB, o aumento da frota de veículos, que já ultrapassa 114 mil, entre automóveis e motocicletas, contribui para a infração.
Ao longo da avenida Capital Júlio Bezerra, muitos estabelecimentos comerciais acabam disponibilizando espaço para estacionamento de carros avançando sobre as calçadas. Os empresários acabam rebaixando o meio-fio para construir locais para seus clientes. Entre a vaga e a loja, acaba restando a calçada com cerca de um metro e meio para os pedestres.
A dona-de-casa Adriana Mari, 31, reclama do pouco espaço para as calçadas e da competição desigual do pedestre com os carros. “Muitas vezes tenho que caminhar na rua ou entrar no estabelecimento comercial, pois não tem espaço para andar na calçada”, reclama.
Apesar do pequeno espaço da calçada para o pedestre e a vaga privilegiada destinada aos veículos, o superintendente Municipal de Trânsito (Smtran), Rizimar Gonzaga de Araújo, explicou que nenhum veículo pode estacionar na calçada e apesar da proibição, não existe fiscalização efetiva em Boa Vista.
Os idosos e deficientes físicos são os que mais sofrem com a falta de planejamento da cidade, pois cada estabelecimento comercial tem um formato diferente da calçada. Rizimar destacou que as calçadas rebaixadas podem ser feita somente para a entrada de garagens e ainda respeitando o acesso para cadeirantes e deficientes físicos.
“O estacionamento na calçada não é permitido e qualquer obra de rebaixamento deve ser solicitada da prefeitura por meio de requerimento”, comentou ao afirmar que o condutor que estacionar na calçada pode ser multado em R$ 127,69 por cometer infração gravíssima e ainda corre o risco da medida administrativa, a remoção do veículo. “Além de pagar pelo guincho, o infrator ainda deve pagar o parquiamento pelos dias em que o veículo fica apreendido no pátio do órgão de trânsito”, disse.
A forma correta de se estacionar, mas pouco utilizada em Boa Vista, é deixar o veículo no acostamento da calçada, no sentido da rua, de forma diagonal. No caso das esquinas, o veículo deve ficar distante cinco metros da esquina. “O estabelecimento comercial pode oferecer estacionamento com distância máxima de 150 metros aos seus clientes”, disse ao reforçar a necessidade dos comerciantes ficarem em alerta com a fiscalização.
PRIORIDADE FICA SENDO DO CARRO
O militar Sérgio Filgueiras de Souza, 44, destacou sua preocupação com a falta de estacionamento na cidade e que o uso da calçada já se tornou comum. Ele considerou que alguns estacionamentos, como os existentes nas avenidas Ville Roy e Glaycon de Paiva, estão mal posicionados e a o espaço destinado para o pedestre atravessar na faixa pode ocasionar acidentes, devido a falta de visão.
“Não tem local para estacionar e os locais de maior fluxo de veículos acabam estacionando em locais impróprios, como no setor de carga e descarga na avenida Jaime Brasil, onde os caminhões fazem o trabalho durante o dia. O certo é entrar no centro comercial após as 18h, fato que não ocorre. Em áreas comercias perdemos muito tempo para estacionar”, destacou.
SURGEM ESTACIONAMENTOS PAGOS
O Centro Comercial da Jaime Brasil, que abrange as principais vias do Centro Histórico de Boa Vista, está sendo considerado o local mais difícil para conseguir uma vaga de estacionamento. Em dias de pagamento do serviço público ou também em período de datas comemorativas, o condutor pode levar mais de 10 minutos para encontrar uma vaga.
Atualmente, na avenida Sebastião Diniz e na rua Inácio Magalhães, duas garagens de estacionamento rotativo vem ganhando destaque entre os motoristas. Por apenas R$ 3,00 o carro e R$ 2,00 a motocicleta, o veículo pode ficar o dia todo e facilita para quem necessita passar mais tempo na área comercial e ter mais segurança de deixar o seu transporte.
A FolhaWeb esteve no Centro e conversou com alguns motoristas. Para Tancredo Silva, 22, que utiliza com frequência o estacionamento rotativo, o um lugar é seguro para deixar o seu carro e que prefere esse tipo de estacionamento.
Já uma motorista, que estava com muita pressa e preferiu não se identificar, reclamou do preço, apesar da facilidade. “Utilizo por necessidade e falta de opção, porque além de ser difícil estacionar, não tenho confiança dos guardadores”, explicou.
Os estabelecimentos comerciais também estão percebendo a necessidade de oferecer estacionamentos seguros aos seus clientes. Supermercados e grupo de lojas estão disponibilizando esse tipo de atrativo, que facilita a vida corrida das pessoas. Para o professor Frank James, 50, que estacionava seu carro num espaço destinado pela loja, reforçou ainda que prefere locais mais calmos e que tenham espaço para estacionar.
“Existem lugares que gasto muito tempo tentando deixar o carro. Já os locais com estacionamento privativo é melhor e isso faz ganhar os clientes”, disse ao comentar a mesma dificuldade nos estacionamentos de instituições e órgãos públicos.