A Associação das Famílias de Policiais e Bombeiros Militares (AFAPBM-RR) está nos últimos detalhes burocráticos para ser regulamentada. O objetivo é ter uma entidade que possa reivindicar os direitos das duas categorias, uma vez que policiais e bombeiros não podem fazer greve.
A representante da associação, Luana Coutinho, disse que por meio de assembléias irão procurar estratégias para pressionar o governo para conceder reajuste salarial. Segundo ela, se o reajuste não for contemplado na Lei Orçamentária, as famílias dos policiais e bombeiros vão fazer manifestação.
“A associação esclarece que não é contra ninguém, mas gostaria de sensibilizar o governo e a sociedade para o fato de os salários dos PMs e bombeiros não estarem suprindo as necessidades de suas famílias”, disse Luana.
A AFAPBM-RR está aberta a negociação com o governo, uma vez que um salário justo poderá proporcionar uma vida tranqüila para a família dos policiais e bombeiros militares e sua companhia, segundo a representante.
BICOS - A Associação de Policias e Bombeiros Militares de Roraima (APBM- RR) decidiu se pronunciar sobre a polêmica em torno das atividades extras dos policiais. A entidade diz que a necessidade financeira faz com que os policiais e bombeiros não só realizem “bicos” na área de segurança, mas em diversos setores.
Segundo o presidente da APBM, Francisco Sampaio, quase 100% das duas categorias realizam “bicos” para acrescentar a renda. A entidade apóia os familiares que estão criando uma associação para realizar protestos, caso o governo não reajuste o salário.
O Sindicato dos Vigilantes, na semana passada, denunciou à Folha que policiais militares realizavam “bicos” como vigilantes. Ontem a associação de policiais e bombeiros informou que, além dos bicos como vigilantes, os militares trabalham em diversas áreas para complementar o baixo salário e que os bombeiros estão inclusos nessa ação.
A APBM informou que não apóia a ação desses policiais e bombeiros, uma vez que a atividade é ilegal, pois os policiais e bombeiros prestam serviço de dedicação exclusiva. “O baixo salário não justifica a ilegalidade”, disse Sampaio.
Segundo ele, entre as duas categorias, há aqueles que atuam como professores, na área de informática, vendedores, instrutores de academia, além do serviço de segurança.
O objetivo da associação é entrar com pedidos de reajuste salarial, por meio de ações judiciais contra o Governo do Estado. Sampaio afirmou que o governo prometeu rever a situação salarial dos bombeiros e policiais, mas nada foi concretizado.
Sampaio ressaltou que a segurança em Roraima pode ser prejudicada, uma vez que os policias realizando serviços extras, voltam ao serviço cansados. A APBM espera que o novo Comando da PM possa tratar da questão.
Um bombeiro, que não quis se identificar, nas horas de folga, trabalha na área de desenvolvimento de sistema, realizando programas de computador. Segundo ele, o dinheiro que recebe com o “bico” é necessário para completar a renda familiar. Ele afirmou que a dificuldade é tão grande que vendeu o carro para comprar a casa própria.
Um policial militar, que também pediu anonimato, afirma que realiza trabalho extra como vendedor de livro. “Se eu não fizer ‘bico’, não posso sustentar minha família”, reclamou.
Segundo ele, desde 2003, a categoria não recebe nenhum reajuste salarial. Ele afirmou que os policiais trabalham mais que 48h semanais e não recebem nenhum acréscimo por isso, ao contrário dos policiais civis. Ele destacou que sua mulher irá aderir à associação para reivindicar os seus direitos.
GOVERNO – Segundo a Secretaria de Comunicação do Palácio, o reajuste salarial não justifica o desvio de conduta de policiais e bombeiros. “No devido tempo, o assunto do reajuste será tratado. Mas os ‘bicos’ não serão aceitos como pressão para a realização desse reajuste salarial”, conforme a assessoria.
BOMBEIROS – Segundo o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Paulo Sérgio, ele não vê na corporação “nenhum desgaste provocado por bombeiros devido ao desvio de função”. Ele afirmou também não ter conhecimento de nenhum bombeiro que realize trabalhos extras.