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    03/06/2014 00h00

Pacientes morrem por causa de superlotação e falta de estrutura


   


Foto:  divulgação

Acidentes de trânsito ajudam a superlotar o único


YASMIN GUEDES
Editoria de Cidade

A situação em que se encontra o Hospital Geral de Roraima (HGR) é preocupante para quem trabalha dia e noite na única unidade hospitalar de referência do Estado e decisivo para a vida de pacientes em situação crítica.

Servidores da saúde, preocupados em garantir a vida de quem dá entrada pelo Grande Trauma e na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), falam sobre as dificuldades enfrentadas nos setores, que vão desde à falta de pessoal até a necessidade de medicamentos. Eles dizem que há pacientes que poderiam ter sido salvos se houvesse estrutura para atendimento.

Há 10 dias, o governador Chico Rodrigues decretou “Situação Especial de Emergência na Rede pública de Saúde”, a partir do Decreto Estadual nº 17.078-E, do dia 23 de maio deste ano. As normas e exigências deverão ser aplicadas em até 180 dias. Mas, enquanto não há mudanças, servidores se viram como podem para manter os serviços no HGR, uma realidade distante do que aparece no institucional do governo que passa na televisão.

Uma enfermeira, que pediu sigilo de identidade, falou que no domingo a unidade se transformou num caos. E a realidade se estendeu até ontem, quando mais de 11 pacientes entubados dividiam o mesmo espaço na UTI, impossibilitando o trabalho de médicos, enfermeiros e técnicos em enfermagem. “Foi necessário desalojar a ala verde, que não é adequada para UTI, para realocar os pacientes com respirador”, disse.

Dois técnicos em enfermagem faltaram ao plantão no domingo, ocasionando dificuldade para o restante da equipe. “Além disso, não há vagas nas duas UTIs, tudo no improviso e a gente tem que se virar: ou você cuida ou o paciente morre”, comentou. Os casos mais comuns no setores de UTI e Trauma são vítimas de acidentes de moto e idosos com AVC (Acidente Vascular Cerebral). “Eles ficam juntos, pois temos que entubá-los”, relatou.

Outro servidor, que pediu para não ser identificado por medo de perseguições, alega que muitos trabalhadores continuam nas funções por gostar do que faz. “A superlotação está no hospital todo. No Grande Trauma, onde esperávamos ter o pós-vida, a situação está muito crítica”, disse ao complementar que, no Grande Trauma, não há um número de leitos definidos, mas a demanda supera o esperado, principalmente nos fins de semana.  

“Não há como se mover lá dentro para pegar uma medicação para fazer um curativo. Quando o paciente tem parada respiratória e precisamos reanimá-lo, não há como puxar a máquina porque o local está cheio de macas”, comentou. Por falta de leitos nos blocos, os pós-cirurgiados retornam para UTI e ocupam espaço que poderia atender outro paciente. “Não há suporte, não há nada que podemos fazer. Faltam melhores condições no atendimento”.

Afirmou que durante o último plantão, presenciou o óbito de quatro pacientes. “Essas pessoas teriam chance de sobrevida se tivessem recebido a oportunidade de atendimento de maneira correta, mas é humanamente impossível sem material e sem espaço físico”, frisou. Segundo ele, uma enfermeira foi vítima de uma descarga elétrica devido a um emaranhado de fios. “Ela tentava chegar a um paciente, mas passou entre os fios de monitores e de outra máquinas quando levou um choque, a ponto de não conseguir mais trabalhar depois”, destacou.

“Fica complicado para nós profissionais, pois, além de não pagarem nosso adicional noturno e insalubridade, a desmotivação profissional se torna maior quando passamos por essas situações”, desabafou.  Ele afirmou que muitos profissionais escolhem quem vai sobreviver ou não por conta do estado de saúde, por falta de medicamentos ou de material de trabalho. “Nós queremos melhorias urgentes para oferecermos melhores condições de atendimento à vida do paciente”, lamentou.

SESAU - A Assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado de Saúde (Sesau) informou que o quadro é de conhecimento da pasta e que isto já foi motivo de decretação de estado especial de emergência por parte do governo. Neste fim de semana, especificamente, houve um aumento expressivo na demanda, especialmente em casos de acidentes de trânsito, que agravaram o quadro de superlotação na unidade no período.

A Sesau destacou que já instituiu duas comissões de trabalho que iniciaram as ações a fim de promover melhorias nas unidades. Uma das ações emergenciais já definidas é o credenciamento de leitos em hospitais particulares, cujo edital está aberto desde fevereiro de 2014. Por meio desta ferramenta, será possível atender à demanda de retaguarda em hospitais particulares conveniados e, com isso, desafogar a demanda no HGR.

Quanto aos investimentos na unidade, há um projeto de reforma em andamento, que vai aumentar a capacidade de atendimento do HGR. Serão investidos mais de R$ 40 milhões para ampliar o prédio verticalmente, criando mais de 120 novos leitos para internação, 40 leitos de UTI e 10 salas de cirurgias.

Além disso, com a decretação do estado de emergência, conforme a Sesau, a população poderá ser beneficiada com melhores condições de atendimento e mais suporte quanto à distribuição de medicamentos, mais leitos disponíveis, assim como demais necessidades dos pacientes que necessitem de assistência da saúde pública. (Y.G)

 

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