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    24/04/2013 02h13

Coleta de lixo continua deficiente


   


Foto:  Raynere Ferreira

Até nos bairros nobres, como o Caçari, cena é de l
AMILCAR JÚNIOR

A prefeita de Boa Vista, Teresa Surita (PMDB), ao alegar este mês mais uma calamidade pública, contratou sem licitação, por R$ 6,7 milhões, a emprea Sanepav Saneamento Ambiental para recolher o lixo domiciliar na Capital. Mas moradores de todas as zonas da cidade continuam reclamando da ineficiência do serviço.

A Folha percorreu ontem pela manhã, mais uma vez, vários bairros nas quatro zonas da cidade e a reclamação foi unânime: o carro de lixo não está passando, inclusive nos bairros considerados nobres. No Caçari, por exemplo, na zona Leste, quem mora no Conjunto Monte Roraima, quase no final da avenida Ville Roy, diz que o carro não passa desde a semana passada.

“Passava duas ou três vezes por semana, mas agora passa uma ou duas vezes por mês. E o resultado é isso aí que vocês estão vendo: muito lixo espalhado no chão. E os bichos fazem a festa”, reclamou Maria Rita de Cássia, doméstica.

As ruas e avenidas dos bairros Paraviana e São Francisco, ambos na zona Norte, também estão tomadas pelo lixo doméstico. Na rua Valério Magalhães, no São Francisco, muito lixo e muita reclamação. “Isso é uma vergonha. Cadê o dinheiro dos nossos impostos?”, questionou uma aposentada, que preferiu não se identificar.

Na zona Sul da Capital, o problema se repete. As lixeiras transbordam e os animais aproveitam para rasgar os sacos. “Nosso medo é a proliferação de doenças. A chuva chegou e pode haver contaminação. Nem deixo mais meus filhos brincarem na chuva. Tem muito lixo na rua”, lamentou a doméstica Mariângela Aguiar, moradora da rua Brigadeiro Oliveira, no bairro 13 de Setembro.

As lixeiras transbordam em todas as quadras dos bairros da cidade, mas os moradores da zona Oeste são os mais prejudicados. O lixo doméstico mistura-se a entulhos e galhadas. E o resultado é o risco iminente da população contrair uma doença contagiosa. No bairro Asa Branca, a rua Amâncio Pereira de Lucena estava tomada pelo lixo ontem pela manhã.

“Faz uns seis dias que o carro não passa. O problema é que começou a aparecer muita mosca aqui em casa. A gente quer que a coleta volte ao que era antes e que o carro passe três vezes por semana”, reivindicou a manicure Shirlei do Nascimento, 39. No bairro Mecejana, também na zona Oeste, o problema é o mesmo. O carro de lixo não passa na rua Rouxinol, segundo os moradores, há uma semana.

VIAS PRINCIPAIS – Até as principais avenidas da Capital estão tomadas pelo lixo doméstico. Ontem as lixeiras da Ataíde Teive, vazavam e incomodavam os comerciantes. “O fedor afasta nossa clientela. Cadê a coleta de lixo que deve ser feita toda semana pela prefeitura?”, questionou o vandedor de peixe Luis Carlos, no bairro Santa Teresa.

Nos bairros Alvorada e Jardim Equatorial a cena se repete: lixo e sacos rasgados na frente das casas. “Está horrível. Nunca vi a cidade tão suja assim. E, para piorar, as chuvas já começaram. Alguém tem que tomar providências antes que ocorra um epidemia”, alertou a técnica em enfremagem Luana Soares, moradora da rua Expedito Francisco da Silva, no bairro Alvorada.


Infectologista alerta para riscos de doenças

Uma simples embalagem de bombom ou qualquer outro produto descartado na rua pode causar sérios problemas. São muitos os riscos provocados pelo acúmulo de lixo, mesmo os pequenininhos, como enchentes, proliferação de doenças e até a emissão de gases tóxicos.

O lixo domiciliar também pode gerar chorume e contaminar a água e o solo. Ainda pode servir de abrigo e alimento para animais e insetos que são vetores de doenças extremamente contagiosas. Segundo a médica infectologista Cassandra Mangabeira, as mais comuns são a leptospirose, peste bubônica e tifo, causadas pelos ratos, além de febre tifóide e cólera, diarréia, causadas por baratas; além de malária, febre amarela, dengue, leishmaniose e elefantíase, transmitidas por moscas, mosquitos e pernilongos.

A especialista informa que o momento crítico é justamente quando ocorre a diminuição das chuvas, pois neste período há uma redução do nível da água e a lama tende a acumular uma grande quantidade de microrganismos que, ao entrar em contato com a água contaminada, provocam doenças.

“É importante, então, o destino adequado dos lixos. A população não deve jogá-los em esgotos, córregos e terrenos baldios, pois além de atrair roedores, dificultam o escoamento da água, causando mais inundações”, alertou.

A infectologista informa que essas doenças oportunistas apresentam como sintomas mais comuns febre, dor de cabeça, vômitos, dores no corpo e diarréia. “Caso isso ocorra, deve-se procurar a unidade básica de saúde mais próxima de sua casa para atendimento médico e devidas providências”.

Em tempos de chuva, o acúmulo de lixo domiciliar também pode trazer mais perigo. É que o lixo não recolhido nas ruas contribui diretamente com as enchentes provocadas pelo entupimento de bueiros, bocas de lobo e até galerias de água fluvial, além de assorear os córregos e rios, o que diminui consideravelmente a vazão dos mesmos. As enchentes espalham o lixo e contaminam a água e os alimentos, o que traz um risco iminente de proliferação de doenças.

Muita gente joga a culpa do problema com o lixo nas autoridades. De fato, há pouco investimento na área, mas segundo uma pesquisa recente realizada pelo Ministério das Cidades, com 306 municípios que representam 55% da população urbana do Brasil, a coleta de lixo doméstico eficiente só chegava a 56,9% dessas cidades. E Boa Vista está fora delas. Além disso, dos 587 aterros que recebiam os resíduos, 46% não possuíam licença ambiental, entre eles também o de Boa Vista. (AJ)


Coleta emergencial custou R$ 6,7 milhões sem licitação

A prefeita Teresa Surita (PMDB) mais uma vez contratou este ano com dispensa de licitação, por mais de R$ 6,7 milhões, a empresa Sanepav Saneamento Ambiental LTDA, de São Paulo (SP), para fazer a coleta de lixo e manutenção do Aterro Sanitário de Boa Vista, pelos próximos 180 dias.

Somente após este prazo é que a Prefeitura vai finalizar o processo licitatório de concorrência pública, que já foi publicado no Diário Oficial do Município do dia 18 de março passado. O contrato trata de uma licitação milionária na modalidade menor preço para contratação de empresa especializada em limpeza. Oito empresas apresentaram propostas, mas uma delas recorreu o que atrasou a conclusão do processo, segundo a PMBV.

Até o resultado da referida licitação, o serviço de coleta de lixo será realizado através de contrato emergencial já firmado pelo município. O prazo de vigência do contrato, que é de 180 dias, poderá ser suspenso a qualquer momento, com a instalação da empresa vencedora da licitação.

Conforme previsão da Comissão Permanente de Licitação (CPL) da PMBV, caso não haja mais nenhum recurso, o processo para a contração da nova empresa deve ser concluído em até 10 dias. A empresa vencedora terá ainda um prazo de aproximadamente 10 dias, após a publicação do extrato de contrato, para iniciar a prestação de serviços, finalizando a vigência do contrato emergencial.

PREFEITURA – A Folha mandou e-mail no início da tarde de ontem à Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal de Boa Vista, mas não houve resposta. (AJ)

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