18/08/2012 01h44
Moradores reclamam de corte de árvores
Foto: Antonio Diniz
Os moradores ficaram indignados com a retirada das árvores, que teriam mais de trinta anos
TARSIRA RODRIGUES
A paisagem da avenida Ville Roy, no bairro Caçari, esquina com a rua Hugo Boss, mudou. O motivo da mudança foi a derrubada de árvores em um terreno baldio localizado na via pública. A denúncia partiu de vizinhos que ficaram indignados com a violência contra a natureza, pois no terreno existiam várias árvores com mais de 30 anos de idade, segundo a informação repassada por moradores que preferiram não revelar a identidade.
Uma vizinha chegou a abordar um dos operadores das máquinas pedindo para que ele desistisse do trabalho com a justificativa de que ali seria um local rico em verde e um belo abrigo para pássaros, sem falar em um dos canais do igarapé Mirandinha que passa por dentro do terreno.
Em contato com a Fundação do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado (Femarh) e com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, a Folha apurou que a empresa não possui licença ambiental para realizar o serviço.
O presidente da Femarh, Luiz Emi Leitão, disse que o corte das árvores não possui licença ambiental emitida pela Fundação e que estaria em busca de informações junto aos responsáveis pela propriedade a pedido do Ministério Público Estadual (MPE). No Município, a reportagem questionou o diretor de fiscalização, Albério Marques Alves, quais as sanções possíveis de serem aplicadas ao proprietário caso o crime ambiental se concretize. Ele respondeu que é relativo, pois o proprietário tem autoridade sobre o terreno e pode fazer os cortes desde que não sejam árvores nativas da região Norte, em especial do estado de Roraima e tomar cuidado para não violar Áreas de Preservação Permanentes (APP).
Mesmo com a indignação dos moradores, o responsável pela propriedade que pertence a um grupo empresarial nacional, Eduardo Oliveira, disse que a limpeza no terreno está autorizada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente e que foi um pedido dos próprios moradores em decorrência do risco de contaminação pelo mosquito da dengue e a possibilidade da área tornar-se esconderijo para marginais. Oliveira disse ainda que antes da realização do corte das árvores, foi feito um estudo e que no local não existe nenhuma espécie nativa, apenas mato e espécies invasoras/exóticas.
“Nós temos autorização da Secretaria do Meio Ambiente, inclusive ano passado foi feito um estudo para só então começarmos a limpeza, pois um braço do igarapé Mirandinha passa pelo local. Tomamos todo o cuidado e a limpeza vai continuar, foi uma exigência dos moradores”, frisou o responsável.