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    27/07/2012 23h44

Consumidor pode escolher remédios de venda livre nas prateleiras das farmácias


   


Foto:  Antonio Diniz

Relatório da Anvisa demonstrou que restringir acesso não contribuiu para reduzir o número de intoxicações no Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou desde ontem a comercialização de medicamentos isentos de receita médica em farmácias e drogarias de todo o país. A atividade estava vetada desde 2009, quando foi publicada uma resolução que obrigava a venda de medicamentos com a apresentação da prescrição médica atrás do balcão do farmacêutico. A medida publicada no Diário da União foi aprovada pelos farmacêuticos da capital.

De acordo com a resolução, os remédios de venda livre devem ficar em área separada da de produtos como cosméticos e dietéticos e devem ser organizados por princípio ativo para permitir a fácil identificação pelos consumidores. Além disso, exige que, na área destinada aos remédios de venda livre, sejam fixados cartazes com a seguinte orientação: “Medicamentos podem causar efeitos indesejados. Evite a automedicação: informe-se com o farmacêutico”.

A decisão foi do Conselho Federal de Farmácia (CFF), que informou que a medida anterior causou indignação entre os conselheiros por não respeitar a opinião pública. O órgão garantiu que mais de 70% das manifestações, colhidas por meio de consulta pública realizada em abril deste ano, foram contrárias à liberação da venda dos remédios sem receita fora do balcão da farmácia. Já a Anvisa informou que a maioria das contribuições apontava para reverter a proibição.

Segundo a agência, um estudo demonstrou que a decisão de posicionar os remédios de venda livre atrás do balcão não contribuiu para reduzir o número de intoxicações no Brasil. O relatório apontou também uma maior concentração de mercado, que evidencia a prática da ''empurroterapia'' e prejuízo ao direito de escolha do consumidor.

A equipe da Folha percorreu algumas farmácias da capital e constatou que os farmacêuticos aprovaram a resolução atual, tendo em vista que a demanda por estes medicamentos havia diminuído. Para o gerente de uma drogaria, Frank Faustino, como os remédios não tem contra-indicação, nada melhor que o próprio consumidor ter a disponibilidade de escolher que medicamento deseja.

O empresário do ramo de farmácia, Naicon Rodrigues, destacou que a liberação nas vendas destes medicamentos vem garantir bons lucros, já que durante este período em que estava em vigor a resolução anterior, as vendas caíram. “Entram na lista dos remédios liberados a classe dos antibióticos e dos medicamentos injetáveis”, informou.

Lembrou ainda que a medida da Anvisa exigia um controle de vendas, ou seja, sempre que os clientes iam comprar o medicamento era obrigatório o farmacêutico solicitar a apresentação da prescrição médica, para que no final do mês pudesse ter um controle de tudo o que havia sido comercializado, referentes a estes remédios sem contra-indicação.

“Nossa expectativa é melhorar bastante as vendas, pois agora a burocracia acabou. Antes a pessoa que estivesse acometida com uma inflamação leve de garganta ou um resfriado tinha que primeiro enfrentar um fila no posto de saúde até ser atendida para conseguir uma consulta e uma receita médica, a partir daí que poderia comprar o medicamento que também não é barato. Era um processo meio demorado para quem estava doente, e agora facilitou”, concluiu o empresário. (N.O.)

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