04/07/2012 08h30
ENTREVISTA VIRTUAL – ECONOMISTA ELOI SENHORAS
01)Internauta: Sandra Ângela Martins
Pra quem tem cinco filhos para sustentar e recebe um salário, como devo fazer para administrar a metade do 13º salário?
ELOI SENHORAS: A gratificação de Natal, ou gratificação natalina, popularmente conhecida como décimo terceiro salário (13o salário), trata-se de uma gratificação que deve ser administrada com moderação, motivo pelo qual é paga em duas parcelas. Nesta primeira parcela, a gestão dos recursos deve priorizar o pagamento de dívidas ou renegociação das mesmas, a fim de diminuir o alto risco financeiro e a inadimplência existentes em muitas famílias com baixa capacidade salarial. Qualquer eventual resíduo deve ser poupado ou eventualmente ser gasto em ativos estratégicos para a família, como bens de consumo durável.
02)Internauta: Elson Pinto
Dr. Eloi, um dos gargalos econômicos do estado de RR, são as evasões de divisas, que não deixa rastros concretos na economia local, são aproximadamente 20 milhões de reais, que serão injetados neste período, e o comércio em geral, são revendedores de produtos adquiridos em outros estados ou países. Qual a solução para que este dinheiro gire por mais tempo na economia local, promovendo assim uma cadeia que fomente realmente a economia local?
ELOI SENHORAS: Como existem pólos de vazamento da renda roraimense para Manaus e as cidades fronteiriças de Lethem e Santa Elena de Uairén, neste período de recebimento da 1ª parcela do 13º salário, cabem às prefeituras e ao governo do estado a promoção de uma dinâmica de eventos que permita a geração de renda para profissionais autônomos e opções de lazer para a população roraimense. Não é a toa que as grandes “festas juninas” do estado acontecem só em Julho! Mas cabe perguntar ao cidadão roraimense: só isso basta?
03)Internauta: Helison
O que eu faço realmente com o 13º salário, dica de um bom economista.
ELOI SENHORAS: O pagamento da primeira parcela do 13º salário representa um momento importante, pois traz um grau de liquidez ao cidadão que o capacita para consumo, poupança ou pagamento de dívidas. Em primeiro lugar, independente da renda, sempre deve ser prioritário o pagamento e renegociação de dívidas. Em segundo lugar, para pessoas aversas ao risco, a aplicação do 13º salário em ativos flexíveis como poupança, fundos de renda fixa ou DI, títulos do Tesouro Direto, ou ainda, em planos de previdência privada do tipo PGBL, pode ser interessante na atual conjuntura internacional de crise econômica e de baixo crescimento econômico. Em terceiro lugar, o estímulo governamental para o consumo de bens duráveis, tem sido muito propício para a demanda reprimida de uma alargada classe C devido às baixas taxas de juros e prazos ampliados de pagamento, portanto, quem quiser atingir o sonho da casa e automóvel próprios, este é o momento oportuno, mas que requer atenção, para não implicar em desilusões no médio e longo prazo, já que o nível de inadimplência já se tornou um dos mais altos da história do estado.
04)Internauta: Luiz Marcelo Maciel de Melo
Vai a pergunta? O que fazer com 13º? O problema hoje em dia é que sou funcionário público, mas quando entrei no governo do estado como efetivo estava muito feliz. Há 7 anos atrás ganhava 4 salários mínimos, o 13º eu tinha o maior prazer em recebê-lo, atualmente ganho 1 salário e meio por causa da desvalorização do salário e o governador, esse que tá aí, não tá nem aí pro bolso do assalariado, infelizmente temos o que merecemos, esse ano tive aumento de 4,5%, mas eu não votei nele.
ELOI SENHORAS: Em função da queda da renda mensal ao longo dos anos vale a experiência que demonstra a necessidade da persistente precaução, motivo pelo qual devem surgir prioridades para sempre poupar a fim de evitar as intempéries do futuro. Desta maneira, uma parcela (20% a 40%) do 13º pode ser utilizada para os gastos de consumo, desde que a outra parte (80% a 60%), esteja destinada às aplicações da estratégia de poupar.
05)Internauta: Ana Lidia Soares
Este é o momento de investir em algum bem material? Ou depositar em uma poupança? O que seria mais indicado?
ELOI SENHORAS: Com linhas de crédito atrativas para a compra de bens de consumo duráveis, hoje o momento se tornou oportuno para a compra de imóveis, carros ou bens de uso doméstico, porém, usar o dinheiro nestes bens pode ser arriscado devido ao grau de iliquidez, muitas vezes de difícil venda, quando necessário pelo proprietário.
De um lado, nos últimos cinco anos quem comprou uma casa ou terreno teve uma valorização dos seus ativos superior a muitas aplicações financeiras, porém há que se advertir que hoje, com o boom da construção habitacional no país, só é válido comprar um terreno ou casa, se for para uso familiar, pois como investimento, pode não trazer a valorização do capital aplicado ao nível desejado, já que os preços estão altíssimos em um contexto de uma bolha imobiliária que pode desinflar nos próximos anos.
De outro lado, aplicações tradicionais e de baixo risco como a poupança, as quais já não traziam uma rentabilidade tão elevada, tiveram uma diminuição de ganhos nos últimos meses, motivo pelo qual tem crescido aplicações em títulos do Tesouro Direto. Para quem tiver recursos a partir de 100 reais vale a pena aplicar nestes títulos a fim de conhecê-los já que se trata de uma aplicação de médio de longo prazo que tem baixo risco e uma boa rentabilidade.
06) Internauta: Eveline Santos
Comecei a trabalhar a pouco tempo em uma empresa. Qual a melhor opção para o investimento do meu mísero 13ª que vou receber.
ELOI SENHORAS: Para quem quer engordar o 13º salário valem as aplicações financeiras flexíveis e de baixíssimo risco, como poupança, fundos de renda fixa, fundos DI e títulos do Tesouro Direto, uma vez que podem ser feitas na comodidade de casa, para quem tem acesso ao banco pela internet, ou ainda nos caixas eletrônicos das agências bancárias. Todas estas aplicações são populares e podem ser feitas pelo próprio correntista, mas quem preferir, pode solicitar auxílio do gerente do seu banco para escolha da aplicação mais adequada à realidade de cada pessoa.
07) Internauta: Santos
Até quando o trabalhador tem que receber a primeira parcela antecipada do 13ª. E o empregador que não pagar o que acontece com ele?
ELOI SENHORAS: As organizações empregadoras devem pagar a primeira parcela do 13º salário no período entre 01 de fevereiro até 30 de novembro de cada ano, ou, ainda, por ocasião das férias, caso tenha sido solicitado pelo empregado. Já a segunda parcela do 13º salário deverá ser paga até o dia 20 de dezembro de cada ano. Caso a empresa não cumpra com as datas pré-estabelecidas por lei, o funcionário pode procurar seus direitos em uma Delegacia Regional do Trabalho, onde receberá informações como proceder diante do problema, haja vista que a empresa irá incorrer em multa e juros previdenciários até o devido pagamento do 13º salário. Há que se observar que nos casos em que houver acordo entre a empresa e o funcionário, o 13º salário deve ser pago integralmente até o dia 30 de novembro, já que não cabe ao funcionário receber valor inferior a 50% do total do benefício até essa data.
08) Internauta: João Medeiros
Quem tem direito a receber o 13ª salário? Eu trabalho em uma repartição privada. E aquelas pessoas que são autônomas, tem direito?
ELOI SENHORAS: Tanto organizações públicas, quanto privadas, são obrigadas a pagar o 13º salário, em 1 ou 2 parcelas até 30 de novembro de cada ano. Tem direito a receber o 13º salário, o trabalhador urbano ou rural, bem como trabalhador doméstico, trabalhador avulso com contrário temporário, e, empreendedor individual ou trabalhador autônomo que paga contribuições previdenciárias. Observa-se, ainda, que tem direito ao chamado abono anual, aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e da previdência pública estadual e municipal. Para as pessoas que pagam pensão alimentícia, também, existe incidência de 13º salário.
09) Internauta: Maria do Socorro
Gostaria de saber como é calculado o 13ª?
ELOI SENHORAS: O valor do 13º salário é baseado na somatória de uma porcentagem do valor integral recebido pelo trabalhador a cada mês, a qual é dividida pelo número de meses trabalhados. Caso o trabalhador tenha sido contratado a menos de um ano ele vai cair na situação na qual o seu 13º terá um valor menor aos salários mensais em função do número restrito de contribuições. Nestes casos vale a utilização de algumas calculadoras virtuais, onde é possível inserir o número de meses trabalhados: www.calculador.com.br/calculo/decimo-terceiro
10) Internauta: Manuel Gomes
Quero uma dica para a melhor alternativa que devo fazer com o décimo terceiro salário, tendo em vista que tenho muitas contas para pagar e ainda tenho planejamentos como reformar casa ou trocar o automóvel, mas o dinheiro é pouco.
ELOI SENHORAS: Planejamento financeiro é a dica válida para as famílias, pois pressupõe a adoção de prioridades que impactem, em um primeiro plano, em desoneração dos custos financeiros, e, em um segundo plano, em maximização das oportunidades de gasto ou poupança. De um lado, a renegociação ou pagamento integral de dívidas deve ser sempre a prioridade. Trocar uma dívida no cheque especial ou no cartão de crédito por uma a taxa mais baixa deve ser o objetivo maior na negociação com o gerente do banco daquele cliente que não conseguir quitar a sua dívida com a primeira parcela do 13º. De outro lado, quando o 13º for usado para o gasto é importante se certificar de não cair em novo endividamento, caso contrário, faz-se mais adequada a estratégia da poupança, por mais que as linhas de crédito sejam atrativas.