BRASÍLIA - A três meses das eleições municipais, o
presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), concedeu aumento de 30% na verba de
gabinete destinada ao pagamento dos salários dos funcionários contratados pelos
deputados sem concurso público. A verba será reajustada dos atuais R$ 60 mil
para R$ 78 mil por mês a partir de 1º de julho. A Câmara ainda calcula qual
será o impacto na folha de pagamento da Casa. Além dos R$ 18 mil a mais na
verba de gabinete dos 513 deputados, o reajuste tem impacto nos gastos com
férias e encargos trabalhistas. A presidente Dilma Rousseff , no entanto,
liberou créditos de R$ 150 milhões para bancar o reajuste até o final do ano.
"Dêem a manchete com letras garrafais: a Câmara vai
conceder reajuste para os servidores dos gabinetes. Já disse isso lá
atrás", afirmou Maia. É antiga a promessa do presidente da Câmara de
aumentar a verba de gabinete, mas ainda não havia recursos orçamentários para o
pagamento. Maia argumenta que esses assessores têm os salários mais baixos e
estão sem reajuste há quase cinco anos. Líderes de partidos governistas e de
oposição apoiaram o aumento com a mesma justificativa do presidente da Casa.
Atualmente, os salários dos assessores de gabinete podem
chegar a R$ 8.040, considerando as gratificações. Sem elas, a maior remuneração
é de R$ 4.020. O menor valor é o salário mínimo. Cada deputado pode contratar
até 25 assessores sem concurso público para trabalhar no gabinete em Brasília
ou nos escritórios nos Estados. A Câmara tem em torno de 10.200 secretários
parlamentares, como são conhecidos os assessores de gabinete.
Em Brasília, os secretários parlamentares podem aumentar
seus ganhos com diárias que são pagas quando a sessão do plenário passa das 19
horas. Nos Estados, não há exigência de comprovação de presença e cabe ao
deputado informar a frequência no trabalho do funcionário pago pela Câmara. Em
anos eleitorais, alguns deputados aumentam a demanda de seus assessores em suas
bases. "É bom lembrar que há impedimento legal de funcionários em cargos
comissionados de trabalhar em eleições municipais a partir do 1º dia de
campanha", afirmou o líder do PSDB, Bruno Araújo (PE).
Além da verba para contratar assessores para os seus
gabinetes, o parlamentar tem direito a uma cota mensal para gastar com despesas
de seus escritórios políticos nos Estados, passagens aéreas, alimentação e
demais gastos para o exercício do mandato. Essa cota varia de R$ 23.033,13,
para os parlamentares do Distrito Federal, a R$ 34.258,50, para os de Roraima.
Os deputados e os senadores têm o salário mensal de R$ 26,7 mil. Os
parlamentares que não moram em apartamento funcional recebem auxílio-moradia no
valor de R$ 3 mil.
Fonte: Denie Madueño, da Agência Estado