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14/04/2012 01h12
Chuva causa alagamento em diversos pontos
Foto: Raynere Ferreira
Diversos pontos da cidade ficaram alagados e o inverno mal começou
OZIELI FERREIRA
O período chuvoso chegou e com ele os alagamentos em diversos pontos da cidade. A chuva que começou na madrugada e caiu durante toda a manhã de ontem causou transtornos para os boa-vistenses, pois muitas avenidas e ruas ficaram intrafegáveis por algumas horas. Conforme relatos, os alagamentos são, em parte, por falta de infraestrutura que compromete tanto moradores de áreas consideradas nobres como da periferia.
As reclamações surgem de todos os lados. Conforme relatos da estudante Rosimeire Duarte, moradora do bairro Silvio Leite, zona oeste, uma das preocupações nessa época é com os acidentes, pois em diversas ruas do bairro existem buracos e com as chuvas eles são encobertos pela água. “Quem não tem o hábito de trafegar por aqui desconhece os buracos. Além disso, devido a obras de drenagem, há muitas valas abertas que também representam perigo, principalmente para as crianças”, relatou.
Em avenidas como na Brigadeiro Eduardo Gomes, a água começa a escoar assim que para de chover, no entanto existem ruas, principalmente aquelas que não possuem asfalto que é necessário algumas horas ou até dias para secar. No bairro Asa Branca os moradores se dizem preocupados. O comerciante Valmir da Silva, que reside na rua Jair da Silva, antiga C-7, disse que o problema quanto ao alagamento é antigo e com chuvas fortes a água invade a parte da frente de sua casa. “Todo ano passamos pelos mesmos problemas. Asfaltaram a rua, mas o alagamento continua. Basta se formar nuvens de chuva que a rua começa a inundar”, brincou.
Na rua Uitizeiro, no Caçari, quase toda a extensão da via ficou coberta pela água, impossibilitando o trafego de pessoas. Para sair de casa a pé a solução é colocar sacos plásticos nos pés. A mesma alternativa é usada pelos motociclistas. O funcionário público Tony Vieira disse que conhece bem essa realidade. “Ando de motocicleta e no período do inverno sofremos tanto por causa das chuvas como as ruas alagadas. Às vezes é necessário mudar de rota”, lamentou.
Secretaria faz mapeamento de pontos de alagamento
De acordo com levantamentos feitos pela Secretaria de Gestão Participativa e Cidadania, em 2001, existiam na cidade 402 pontos de alagamento e 82 pontos graves. Com as obras de infraestrutura e drenagem realizadas nos últimos anos pela Prefeitura de Boa Vista, a cada ano o problema vem diminuindo.
Em 2011, a capital possuía 25 pontos de alagamento e outros 19 pontos críticos. Com as ações de ampliação da rede de drenagem e o trabalho da Operação Tapa-Buracos, a Prefeitura - que tinha como meta reduzir para 13 os pontos graves de alagamento - conseguiu diminuir para 11.
Entre as ações, estão as obras de drenagem pluvial e asfalto em ruas nos bairros Alvorada, Caimbé, Santa Teresa, Santa Luzia, Senador Hélio Campos, Alvorada e Equatorial, além das avenidas Nazaré Filgueiras, Nossa Senhora de Nazaré e Brigadeiro Eduardo Gomes.
O crescimento desordenado da cidade, a construção de bairros, ruas e avenidas, em direção à zona Oeste, onde estão concentrados os lagos, ocasionou os problemas enfrentados pela população nos últimos anos na época de chuvas. Conforme a secretaria, com a ocupação irregular, o resultado foi o aparecimento dos pontos críticos de alagamento, que prejudica a qualidade de vida da população, além de atrair doenças devido o acúmulo de lixo nos locais.
Quedas de energia têm deixado consumidores preocupados
Uma das consequências das chuvas é a queda repentina de energia elétrica, que além dos transtornos para a população, ainda pode resultar em danos de eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos em geral. Moradores dos bairros 13 de Setembro, São Vicente e Santa Cecília relataram que sempre passaram por esses problemas, mas nas últimas semanas a queda de energia elétrica tem se tornado constante, principalmente á noite.
A funcionária pública Erica Pereira, que reside no bairro Santa Cecília, disse que os moradores daquela região sempre tiveram problemas quanto ao fornecimento de energia elétrica. Os prejuízos pelo fornecimento ineficiente desse serviço começam a aparecer. “Num período de dois anos já tive cinco micro-ondas queimado, geladeira e ar-condicionado”, citou.
Muitos consumidores já procuram a Eletrobrás para saber o porquê da queda frequente de energia, mas as respostas são sempre as mesmas: o problema está sendo analisado. A jornalista Rebeca Lopes relatou que na noite de ontem observou que a queda repentina de energia aconteceu três vezes em horários diferentes.
“Eu quero entender porque a responsável pelo fornecimento de energia elétrica não resolve esses problemas. Fico preocupada, com receio de que queime meus eletrodomésticos desligo todos os aparelhos, com exceção da geladeira”, disse. Segundo ela, o problema é antigo e as reclamações também. “Já que eles [Eletrobrás] cobram uma tarifa cara, deveriam nos fornecer um serviço de qualidade”, acrescentou.
A Eletrobrás informou que realmente houve quedas de energia elétrica nos bairros citados, mas que o problema já foi solucionado. Contudo não explicou o que ocasiona as constantes quedas de energia.
Buracos no telhado alagam salas da escola Gonçalves Dias
Alunos da escola estadual Gonçalves Dias procuraram a Folha para relatar que os problemas estruturais continuam. Com as chuvas nessas duas semanas surgiram infiltrações em algumas salas. Ontem pela manhã uma das salas ficou só água, devido a buracos no telhado. Os alunos não ficaram sem aula, mas tiveram que trocar de sala.
Conforme Anfrísio Terminelles, aluno do 3ª ano e líder da Comissão que está reivindicando melhorias na escola, na tarde de ontem iriam se reunir para ir até ao Ministério Público Estadual relatar esse novo fato e cobrar resultados. “Em duas semanas surgiram quatro infiltrações. Uma próxima a cantina, outra dentro de uma sala, no corredor principal e no pátio. Os banheiros continuam com torneiras quebradas e portas sem maçanetas”, relatou. Os estudantes disseram que só vão parar de reclamar quando constatarem melhoras eficientes na escola.
O diretor do Departamento de Engenharia e Obra da Secretaria de Infraestrutura (Seinf), Gregório Almeida Júnior, disse que estão cientes dos problemas ocorridos na escola Gonçalves Dias porque vem acompanhando esse processo de perto. Segundo ele, as medidas cabíveis estão sendo tomadas para tentar solucionar os problemas estruturais. “A empresa abandonou a obra e deixou muita coisa pendente. Mas estamos trabalhando para solucioná-los. De fato surgiram infiltrações, a pintura está gasta, mas tudo isso está sendo analisado”, garantiu.
O Ministério Público do Estado de Roraima informou que, por intermédio da Promotoria de Justiça da Educação, recebeu a denúncia dos estudantes da escola Gonçalves Dias e desde então investiga a mesma, para, se necessário, tomar as medidas cabíveis.
“Ressaltamos que a promotora com atuação na área educacional, Érika Michetti, inspecionou a escola pessoalmente, instaurou procedimento de investigação, requisitou informações a respeito do contrato de reforma da escola e agora, analisa os documentos, para o mais breve possível, dar à sociedade a resposta concreta das medidas a serem tomadas” disse a nota. (O.F)
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