Por Jessé Souza
Em 15/09/2017

Tempos de novos fantasmas

Uma notícia sem muito alarde representa um sinal de alerta. Trata-se de uma tentativa de golpe fundiário, no Município de Caracaraí, em que um homem chegou ao cartório com títulos definitivos e licenças de ocupações falsificados para tentar registrar as áreas rurais em seu nome.
Porém, não se tratava apenas de um golpe fundiário qualquer. Na verdade, o homem estava tentando registrar os imóveis rurais com a finalidade de conseguir um financiamento bancário no valor de R$8 milhões. Pelas informações repassadas por fontes, já estava tudo encaminhado para que o falsário conseguisse pôr a mão no dinheiro público.

Ainda que ele não tenha conseguido registrar as terras com os documentos falso, é preciso lembrar que os políticos locais já faliram dois bancos públicos, o Banco de Roraima (Banroraima), quando o Estado ainda era Território Federal, na década de 1980, e o Banco do Estado de Roraima (Baner), depois de transformado em Estado, na década de 1990.

A falência desses bancos teve o mesmo modo de agir: empréstimos para empreendimentos inexistentes, a exemplo de gado leiteiro, produção agrícola, fábricas e outros. Em tempos de campanha eleitoral, candidatos do interior saíam com pacote de dinheiro liberado supostamente para financiar atividades rurais, mas que na verdade serviria para comprar votos.

Sem contar com os financiamentos forjados para grandes empresários, políticos, servidores de primeiro e segundo escalões, além de seus apadrinhados. Foi uma farra e obviamente que esse dinheiro foi parar na compra de votos ou no bolso dos que queriam se locupletar com os recursos públicos a fim de aumentar seus patrimônios ou começar seus negócios.

Os tempos mudaram, mas os novos atores  gananciosos por dinheiro público estão por aí. Como a União repassou as terras para o Estado, que por sua vez vai titular as terras, é possível que muitos que grilaram as terras recebam o documento dessas propriedades e, em seguida, vão correr atrás de recursos públicos supostamente para bancar atividades agropecuárias.

A questão fundiária já foi alvo de várias maracutaias, inclusive de altas  autoridades que foram acusadas de grilagem. É bem possível que, com a regularização das glebas, surjam mais ações predatórias aos cofres públicos, com pedidos de financiamentos com a finalidade de apenas se locupletar com o dinheiro público. É por isso que esse golpe do títulos falsos merece um pouco mais de atenção.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
Acesse: www.roraimadefato.com.br

Jessé Souza
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