Por Jessé Souza
Em 14/06/2017

Tatuagem na testa

Se chegassem ETs de outros mundos para colonizar a Terra e, caso tivessem a ideia de tatuar na testa dos seres humanos os erros que essa raça terráquea já cometeu, que palavras seriam grafadas? Com certeza, haveria uma infinidade delas, como bomba atômica, escravidão, as cruzadas cristãs, o nazismo, terrorismo, stalinismo, ditadura, fascismo, o imperialismo...

Obviamente que seria uma injustiça com os terráqueos, pois o ser humano mostrou que, apesar de tudo, houve a superação da maioria dos erros em algum momento da história, embora estejam cometendo outros em algum lugar desse planeta – ou mesmo sendo arquitetados, a exemplo dos conflitos armamentistas patrocinados pelos senhores da guerra.

O ser humano foi feito de erros e até as principais religiões desse mundo dão como exemplo de um erro fatal a maçã oferecida pela serpente, símbolo da expulsão da cria de Deus do Paraíso, o qual todos procuram até hoje. Mas, deixemos a religião de lado para não inflamar a mente de quem já se deixa explorar pelas fraquezas das crenças pessoais.

Erros fazem parte da aprendizagem, desde que as pessoas tomem consciência de que é preciso mudar para melhor a fim de corrigir aquilo que deu errado. O problema é que, com o avanço do egoísmo e do etnocentrismo, com as pessoas achando que sua fé, sua cultura e seus conhecimentos são os únicos aceitáveis e os dos demais reprováveis, estão matando, dentro do saco da mediocridade, a possibilidade de se aprender errando.

Nem às crianças e aos adolescentes está sendo mais permitido o exercício do erro (não confundir erros com crimes, por favor).  Se a humanidade se desenvolveu a partir de seus erros, por que os pais e a sociedade de uma forma geral não querem mais permitir que as crianças errem? É a partir dos erros e das desilusões que elas vão conseguir chegar à fase adulta como uma pessoa equilibrada.

Quantos erros não cometemos na adolescência e hoje compreendemos que não podemos mais cometê-los! Mas hoje, não. Muitos não admitem que as crianças errem, inclusive na escola, onde há gente pedindo logo a mão pesada do Estado para julgar e condenar.

Da forma como a realidade anda, com essa tal de pós-verdade consumindo a mente de muitos, a humanidade só iria refletir sobre errar e educar se os extras terrestres chegassem aqui, de uma hora para outra, e tatuassem na testa de cada pessoa os erros que o ser humano já cometeu em nome de Deus, da paz, da ciência, da evolução e do próprio conhecimento.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
Acesse: www.roraimadefato.com/main

Jessé Souza
jesse@folhabv.com.br
Marcelo disse: Em 14/06/2017 às 14:00:41

"Caro Jessé, assim como você, defendo que uma tatuagem na testa não é o procedimento correto para o caso, porém, sua linha de defesa está equivocada. Você defende que o ato praticado pelo jovem foi um erro. Não foi! Erro é quando fazemos algo, de boa fé, tentando acertar. No caso, foi uma conduta de má fé, característica de pessoas de má índole, as quais, para satisfazerem seus anseios pessoais, subtraem pertences alheios. Apesar da tatuagem na testa ser um ato reprovável, a conduta maldosa do jovem também é reprovável. Além disso, sua afirmação ?deixemos a religião de lado para não inflamar a mente de quem já se deixa explorar pelas fraquezas das crenças pessoais? aparenta ser um tanto quanto depreciativa em relação às pessoas que possuem alguma religião como crença pessoal. Se foi outro o intuito, desculpe-me! Ademais, quem aprende errando é porque não teve a capacidade de aprender estudando. Assim, vamos valorizar mais a educação, não as condutas reprováveis como forma de se aprender. Abraço!"

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