Por Jessé Souza
Em 22/08/2017

Sonho virando pesadelo

A questão do Residencial Vila Jardim, no bairro Cidade Satélite, na zona Oeste de Boa Vista, precisa de uma atenção especial por parte das autoridades, que até aqui se mostraram insensíveis aos problemas surgidos naquelas unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida, da Caixa Econômica Federal. São quase três mil apartamentos que abrigam cerca de 15 mil pessoas.

Fazendo uma comparação, caberia naquele condomínio vertical a população de um dos municípios mais populosos do interior do Estado, a exemplo de Alto Alegre. Ou a população de dois municípios menos populosos, a exemplo de São Luiz e São João da Baliza.

A violência é um dos graves problemas que a Segurança Pública não conseguiu resolver, pois os furtos são corriqueiros a ponto de os moradores chamarem os ladrões de “Homem Aranha”, por conseguirem escalar as paredes do prédio por meio das grandes das janelas e da tubulação do gás de cozinha.

O tráfico de droga também tem se avolumado em alguns dos condomínios, inclusive com traficantes ocupando alguns apartamentos, impondo medo na vizinhança e desafiando a polícia. Furtos de motos são constantes também, como consequência do movimento de droga. E isso sem contar que começam a gravitar por lá bandidos e foragidos, que têm encontrado um bom local para se “esconder”.

A questão da convivência é outro problema não solucionado, pois muitos não estavam acostumados com esse tipo de convivência em apartamentos, com áreas sociais coletivas, regras de condomínio e muitas vezes falta de respeito ao próximo mesmo. Misturando com a violência, isso acaba provocando um sofrimento a mais para muitas famílias, que estão vendo o sonho da casa própria se tornar pesadelo.

Muitas famílias já abandonaram seus apartamentos ou estão dando um jeito de se mudarem para alugar ou mesmo vender as unidades habitacionais, mesmo que a legislação não permita. E isso sem contar que há inúmeros casos de pessoas que não tinham necessidade de receber um apartamento, mas acabaram sendo beneficiadas, deixando muita gente de fora.

A questão é grave, uma vez que os problemas se ampliam e as famílias sentem-se desprotegidas pelo poder público. Se providências não forem tomadas de forma urgente e austera, a violência vai expulsar muitas famílias de lá, dando lugar para a especulação imobiliária, como já ocorre em diversos casos. O alerta vem sendo dado desde o início, mas quem terá interesse de encarar essa realidade a fim de solucionar esses problemas?

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
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Jessé Souza
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