Por Parabólica
Em 29/01/2018

Bom dia,

Um deputado estadual – não vamos revelar o nome porque não fomos autorizados a fazê-lo –, disse, na noite de sexta-feira (26) a um dos redatores da Parabólica: “Meu Deus, a que ponto chegamos. Nunca poderia imaginar que o nível de disputa pelo poder chegasse a práticas tão rasteiras e amedrontadoras. Eu fico imaginando que cenário será formado para a disputa eleitoral até o dia 7 de outubro, dia da votação. Perdemos toda a compostura que se exige de representantes do povo, exatamente no momento em que mais se exige empenho e dedicação de todos nós para enfrentar a crise econômica e financeira do estado e para o enfrentamento dessa tragédia trazida pela imigração intensa de venezuelanos para Roraima”, disse o parlamentar seguramente atônito.

É claro, ele estava referindo-se à bombástica revelação feita pela secretária estadual de Segurança Pública, delegada Giuliana Castro, de que fora encontrado entre os pertences do ex-vice-governador Paulo César Quartiero, um cheque ao portador no valor de R$ 500 mil, assinado, supostamente, pelo presidente da Assembleia Legislativa do Estado (ALE), deputado estadual Jalser Renier (SD). A reação do deputado estadual, entre atônito e indignado, não é diferente, com certeza, da maioria esmagadora da população que teve conhecimento do fato. Todos estão perplexos, afinal, nunca uma revelação tão grave existiu na história política de Roraima, que se diga de passagem, já foi pontuada por episódios até mesmo de crimes que ceifaram a vida de pessoas.

E por que essa revelação é tão grave? É fácil seguir a lógica que está por trás dessa estranha história. A revelação da descoberta do cheque ocorreu no mesmo dia em que o ex-vice-governador Paulo César Quartiero utilizou a Tribuna da Assembleia Legislativa, em sessão extraordinária convocada para tal fim, para justificar as razões de sua renúncia formalizada em carta protocolada no dia anterior. Logo começou a ser formada a ideia segundo a qual ele teria recebido dinheiro para renunciar, e com este gesto abrir caminho para uma eventual abertura de processo de impeachment da governadora Suely Campos (PP).

Exitoso o impedimento da governadora, o atual presidente da ALE, Jalser Renier, convocaria eleições indiretas, no prazo legal, sendo ele próprio eleito para concluir o mandato de Suely, e nessa condição poder disputar a reeleição para o cargo. Sob a ótica da teoria da conspiração, tudo poderia parecer um plano perfeito, especialmente num país que é gerido por um presidente que assumiu o cargo depois de articular o impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff (PT). O que agrava a utilização desse meio é a suspeita de que a renúncia do vice tenha sido motivada a partir do recebimento de dinheiro. Aí, fica caracterizada a existência de um esquema de corrupção, com a clara identificação de um corrupto e de um corruptor.

A Rádio Folha entrevistou ontem, domingo, no programa Agenda da Semana, tanto a delegada Giuliana Castro, secretária estadual de Segurança Pública, quanto o ex-governador Paulo César Quartiero. Ela reafirmou ter encontrado o cheque dentro de uma mochila, juntamente com outros documentos dele. Disse com todas as letras que jamais se prestaria à montagem de uma farsa, e que não foi à sede da vice-governadoria devido a denúncias, e sim para acompanhar servidores da Casa Civil do governo estadual. Elogiou a competência do serviço de perícia do estado, e garantiu que tudo será apurado com rigor e no menor espaço de tempo possível. Disse ainda, que hoje, segunda-feira (29), a polícia vai oficiar o Ministério Público do Estado solicitando o acompanhamento do processo apuratório por parte daquele órgão.

Paulo César Quartiero afirma desconhecer a existência daquele cheque apresentado à imprensa. Reclamou que por ordem da secretária, teve apreendida quase toda sua documentação, roupas e R$ 2.500,00, dinheiro que utilizaria para pagar suas despesas pessoais. Admitiu publicamente que conversou com alguns deputados estaduais sobre sua intenção de renunciar. Disse a eles que sua renúncia só faria sentido se a Assembleia Legislativa aproveitasse da oportunidade para buscar uma saída política para a crise que se abate sobre Roraima, sugerindo claramente que aposta num eventual afastamento da governadora Suely Campos pelos deputados estaduais. Disse que já havia percebido que um eventual impeachment, ainda não havia prosperado em virtude de sua permanência como vice-governador.

Expostas as razões de cada um, resta a todos que vivem em Roraima, exigir uma rigorosa apuração de todos os fatos. Não é possível que se assista a todo esse enredo, que pode estar contaminado com fraudes, se especialmente isso for utilizado para afastar seja quem for, de um mandato conquistado pelo voto popular, a não ser que se esteja estribado em fatos claramente provados. E essa responsabilidade, não deve ser assumida apenas pelo governo estadual a partir de sua Polícia Civil – que poderia ser acusada de parcialidade –, mas é dever também, do Ministério Público Estadual (MPE) que não pode se furtar de seus deveres constitucionais. É também imperioso que a Justiça Estadual faça sua parte, punindo, com rigor, eventuais culpados, que cometem crimes ao utilizar qualquer meio para alcançar ou manter o poder.

Que a verdade apareça, no menor prazo possível, é o que todos queremos e mesmo exigindo.

Parabólica
parabolica@folhabv.com.br
DMS disse: Em 29/01/2018 às 09:18:30

"Muito lamentável meu caro redator, o que se assiste em nosso Estado. Que a verdade venha a tona e os responsável sejam punidos tanto judicialmente como pela nossa sociedade, que já não aguenta mais, tanta hipocrisia, irresponsabilidade e incompetência política."

sergio disse: Em 29/01/2018 às 07:58:45

"A solução é não votar nos envolvidos nesse caso vergonhoso. "

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