Por Parabólica
Em 23/10/2017

Bom dia,

Em duas ocasiões, na semana que passou, o presidente da República Michel Temer (PMDB) teve oportunidades diferentes de demonstrar o quanto seu governo está fraco, pois mesmo precisando desesperadamente dos votos dos deputados federais de Roraima não tem força suficiente para tomar medidas que lhes são pedidas. Temer está fragilizado até mesmo junto a seus subordinados, como é o caso da presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai), e se curva aos interesses de alguns aliados, cujo interesse politiqueiro são colocados acima dos coletivos.

Na primeira ocasião, Temer recebeu cinco dos oito deputados federais da bancada roraimense na Câmara dos Deputados. Levou para o encontro dois ministros de Estado para dar a aparência de que o encontro era para tratar de coisas sérias e que havia sincera vontade em atender ao pedido dos parlamentares. O principal item da pauta era o pedido para que o Governo Federal tomasse as medidas necessárias para a retomada das obras de construção do Linhão de Tucuruí, que depende apenas de um ato formal da Funai, para que o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) conceda a Licença Ambiental. A conversa foi só para “enxugar gelo”. Temer e sua equipe levaram no papo os parlamentares, que saíram do encontro sem nenhuma novidade: linhão só com autorização dos Wamiri-Atroari.

Um dia depois daquela história de “Cerca Lourenço”, com oito deputados federais de Roraima, o presidente Michel Temer recebeu em audiência, no Palácio do Planalto, a governadora Suely Campos (PP). De novo, havia na pauta uma prioridade a ser tratada, que diz respeito a um pedido simples, que pode ser resolvido apenas com a assinatura de outro subordinado do presidente, no caso o chefe do Conselho de Defesa Nacional (CDN), general Sérgio Etchegoyen. O ato de concessão de Anuência Prévia, para que o Instituto de Terras e Colonização de Roraima (Iteraima) possa iniciar o processo de titulação de mais de cinco mil lotes rurais, não implica em qualquer gasto para o Tesouro Nacional. A governadora saiu do encontro com a promessa vazia de que a medida sairá com a urgência possível.

No encontro com os deputados federais, restou claro que o presidente da República não tem força para mandar seu subordinado presidente da Funai cumprir a lei e autorizar o Ibama a emitir a licença para a construção do linhão e, neste caso, prevalece a força do aparato ambientalista/indigenista que não quer que a energia firme, e mais barata, chegue a Roraima. No caso da emissão da Anuência Prévia, um ato de rotina que normalmente não leva mais de duas semanas no CDN, existe, por certo, uma voz poderosa que faz Temer passar como “enxugador de gelo” para não atender a um pleito que não é da governadora, e sim de toda a população roraimense. Somos, de fato, uma republiqueta de banana.

JUDICIALIZAÇÃO
O deputado federal Hiran Gonçalves (PP), que esteve no encontro da semana passada com o presidente da República, Michel Temer, disse que, entre outras coisas, começou a ser discutida, no encontro, a necessidade de judicialização da questão da construção do Linhão de Tucuruí. Começa a ganhar força da consciência que forças muito poderosas se põem contra qualquer medida que venha facilitar o desenvolvimento do Estado. Aliás, faz muito tempo que estamos dizendo isto, daqui deste espaço, mesmo quando nossos políticos diziam animadamente que conseguiriam destravar esta obra. É bom que isso comece a tomar corpo, porque, decididamente, se os deputados federais não conseguiram nada quando o presidente mais precisa de seus votos, depois de passada a oportunidade é que nada será conseguido.

TÚNEIS
Em entrevista ontem, domingo, no programa Agenda da Semana da Rádio Folha, o secretário estadual de Justiça e Cidadania, Ronan Marinho, disse que provavelmente o túnel que foi utilizado para a última fuga na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc) já fora escavado anteriormente. Ele diz que vários dos túneis na Pamc não foram, na época de seu descobrimento, devidamente aterrados, o que deixa a possibilidade do reaproveitamento deles para novas fugas. O secretário garante que isto está sendo feito agora, o que torna menos provável de novas tentativas de fugas utilizando esses túneis. Por fim, Marinho disse serem fortes as evidências de que houve facilitação nessa última tentativa.

COMPRA
Por telefone, o presidente da Federação das Associações de Moradores de Roraima (Famer), Faradilson Mesquita, disse ontem, no programa Agenda da Semana, da Rádio Folha, que nunca estimulou qualquer invasão em áreas públicas ou particulares. “Eu respeito a propriedade privada, inclusive provo para quem quiser que nós compramos por mais de R$ 500 mil aquela área na região do Urubuzinho que tem uma superfície de 700ha”, disse.

AGRADECIMENTO
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