Por Parabólica
Em 15/11/2017

Bom dia,

A Operação Lava Jato completa quatro anos no próximo mês de março. Desde então, é o assunto mais destacado pela imprensa brasileira. São prisões quase que diárias, mandados de condução coercitiva e de busca e apreensão com a mesma frequência. Mais de 150 prisões já foram execradas contra ex-parlamentares, empresários e dirigentes públicos, tudo na Primeira Instância da Justiça Federal, porque dos tribunais superiores tudo é pasmaceira e enrolação.

De qualquer forma, o povo brasileiro, pelo menos os segmentos de menor alienação, já sabe que os atuais parlamentares que dominam a cena política em Brasília roubaram bilhões de dinheiro público, das mais variadas maneiras, desde a venda de Medidas Provisórias até o superfaturamento em contratos de obras e fornecimento. Nalguns estados, onde a população tem mais vergonha na cara, os canalhas que roubaram essa montanha de dinheiro são vaiados e não podem aparecer em público sem que sejam hostilizados. Evitam até viajar em aviões de carreira, e os mais ladrões andam em seus jatinhos particulares.

Apesar dessa exposição pública, das prisões declaradas pelos juízes de Primeira Instância e da reação, ainda que pequena, da população, quem trabalha na imprensa sabe que a roubalheira continua tão intensa quanto o que era antes da Lava Jato. Contratos superfaturados, com licitação dirigida mediante pagamento de propina, e inconclusão das metas continuam sendo praticadas, à roldo, na administração pública, nos seus mais variados níveis de governo e em todos os poderes da República. Tudo sob o olhar complacente e criminoso dos órgãos de fiscalização.

DE FORA
Todos os dias chegam à imprensa informações de contratos e mais contratos da administração pública local, em nível estadual e municipal, com empresas de outros estados. A maioria dessas empresas tem sede em Manaus, capital do Estado do Amazonas, e seus contratos, em grande maioria, estão superfaturados e não cumprem na integralidade o objeto contratado. É naquela cidade que se vão encontrar os indícios da bandalheira que continua sendo praticada na administração pública local. Enquanto isso, nossa economia segue anêmica devido à fuga de renda que vai gerar emprego e lucro por lá. E o que estão fazendo os órgãos de fiscalização?

OPERAÇÃO
Ontem, como se sabe, a Polícia Federal realizou operação de busca e apreensão numa empresa fornecedora de medicamento para o Governo do Estado. Sob a alegação de que a operação ainda não está em fase conclusiva, a PF deu poucos detalhes sobre o que está sendo apurado, para que a investigação não seja prejudicada. De qualquer forma, fontes da Parabólica dizem que o período de apuração das eventuais irregularidades se refere à administração passada, no governo de Anchieta Júnior (PSDB). A falta de detalhes está deixando muita gente sem dormir.

SAFADO?
Segundo avaliação feita por especialistas nacionais, Roraima é um dos poucos estados brasileiros onde existem boas possibilidades de parlamentares envolvidos na Lava Jato se reelegeram, mesmo que sejam considerados corruptos pela maioria da população. O domínio de veículos de comunicação por parte desses parlamentares é, segundo esses especialistas, uma das razões que levam eleitores menos conscientes a votarem nesse tipo de gente. No fundo não é isso, afinal, quem vota em corrupto não é vítima, mas cúmplice. E será que a maior parte do eleitorado local é composta de eleitor safado? Custamos a acreditar nisso.

FOGO
Todo mundo sabe que com a chegada do período seco nosso lavrado é presa fácil de incêndios, muitos dos quais criminosos. Apesar de todos, especialmente os órgãos de defesa do Meio Ambiente, e eles são muitos, ficam de braços cruzados enquanto o fogo consome milhares de hectares do lavrado. Aqui mesmo, nas cercanias de Boa Vista, especialmente ao longo da BR-174, tanto em direção Norte quanto Sul, o cenário já é de tragédia. Tudo está transformado quase em cinza, até mesmo aquela que pertence ao Exército (margem esquerda na direção sul da BR-174), que por sinal tem milhares de homens que poderiam eventualmente ser utilizados para apagar fogo. Pequenos proprietários, sem qualquer material apropriado, fazem isso.

FERIADO
Mais um feriado, e tomara que muita gente não decida enforcar a quinta e a sexta-feira, como se tronou praxe neste Estado de pouca produção. No plano nacional, deputados e senadores resolveram transformar a semana numa espécie de recesso. Nesse sentido, a charge do Marco Aurélio, publicada ontem, na Folha, é o retrato acabado deste país tupiniquim. Nela, um deputado comunica que não vai trabalhar, enquanto um cidadão comum diz que vai continuar labutando, inclusive para pagar impostos, que é de onde sai a grana para pagar o salário do parlamentar folgado.

Parabólica
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