Por Parabólica
Em 12/02/2018

Bom dia,

Afinal, o que o presidente da República, Michel Temer (PMDB), vem fazer em Boa Vista, hoje segunda-feira, em pleno Carnaval? A pergunta começou a ser feita desde a tarde de sábado (10), quando o governo estadual, e alguns parlamentares federais começaram a receber convite para participar de encontros com o presidente durante sua estada na Capital roraimense. A surpresa entre todos os políticos é geral. Afinal, uma visita presidencial a algum estado é programada com semanas de antecedência, e nunca decidida em plena folia de Momo. E até o final da tarde de ontem, domingo, o mistério continuava, pois ninguém tinha ainda a agenda presidencial em solo roraimense.

A hipótese mais comum sobre os motivos da vinda inesperada de Michel Temer a Roraima, levantada por ouvintes da Rádio Folha, leitores da Folha e mesmo nas redes sociais diz que o presidente vem ao estado tentar corrigir a péssima impressão, com repercussão até mesmo a nível nacional, a desastrada passagem por Boa Vista, na semana passada, de uma comitiva de três ministros, que fazia um pouso técnico da aeronave da Força Área Brasileira (FAB) que os levaria ao Suriname. Vítimas, e coniventes ao mesmo tempo de manobras politiqueiras, esses ministros tiveram de recuar da decisão de ouvir a governadora do estado na ALA 7 (antiga Base Aérea de Boa Vista), e foram às carreiras ao Palácio Senador Hélio Campos, para ouvir, e depois falar generalidades.

Ora, se vem para corrigir a patuscada politiqueira de seus ministros, Temer comete o mesmo erro de partidarização do governo da República, ao trazer no avião presidencial um único parlamentar com mandato do estado, o notório senador Romero Jucá (PMDB). Se vem para tratar de assuntos republicanos, deveria evitar discriminar os demais senadores, e os oito deputados federais. Até ontem, a maioria deles sequer sabia da vinda presidencial a Roraima. A falta de divulgação de sua agenda é outro mistério que não se justifica à luz dos requisitos de segurança, entre outras coisas por causa da atenção popular que está nos festejos de Carnaval.

De mais a mais, seria bom que houvesse presença popular nas ruas, afinal, ele saberia que sua aprovação entre os roraimenses é uma das menores do país, sobretudo em decorrência do velho adágio que diz com muita sabedoria: “Dize-me com quem andas, que eu direi quem tu és”.

GLOBAL
Embora a governadora Suely Campos (PP) imagine que o presidente Michel Temer venha a Boa Vista tratar da tragédia decorrente da migração venezuelana, ela e seus assessores estão dispostos a falar com o presidente sobre questões que estão pendentes de decisão presidencial, e que travam o desenvolvimento econômico e social de Roraima. Entre os temas que devem ser levantados e discutidos com Temer estão: construção do Linhão de Tucuruí, Anuência Prévia para que as glebas transferidas ao estado possam ser tituladas e renegociação das dívidas do estado junto aos bancos federais. A governadora não acha justo que o presidente da República venha a Roraima, e não trate de soluções que beneficiem a população roraimense.

MESMO
O senador Telmário Mota (PTB) e a deputada federal Shéridan Oliveira (PSDB) ouvidos ontem (domingo), no programa Agenda da Semana da Rádio Folha, disseram ainda não ter recebido o convite para participar da agenda do presidente Temer a Boa Vista, mas que compareceriam caso a solicitação lhes chegasse às mãos. Sobre o conteúdo das possíveis reuniões com a governadora do estado, a bancada federal de parlamentares, e o presidente, os dois parlamentares roraimenses concordam com a posição da chefe do Poder Executivo roraimense: é fundamental que sejam tratados assuntos que digam respeito ao interesse maior da população roraimense, e não só o problema dos migrantes venezuelanos, que é grave, mas não é o único do estado.

INTERIORIZAÇÃO
Dentre as generalidades anunciadas pelos três ministros do governo Temer, que fizeram um pouso técnico em Boa Vista, está a intenção de tirar de Roraima para outros estados brasileiros cerca de mil venezuelanos, com diploma universitário. Pois bem, retirar mil pessoas no universo de 60 mil é quase nada. Ademais, até a última sexta-feira, 9, os governos dos quatro estados anunciados com destino dos venezuelanos “doutores” (Amazonas, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo) não tinham sido contatados por qualquer autoridade federal para discutir os detalhes da anunciada operação.

OBRIGAÇÃO
A presença de milhares de venezuelanos nas ruas e praças boa-vistenses exige uma conduta proativa da Prefeitura de Boa Vista. Logradouros com as praças Capitão Clóvis e Simón Bolivar estão literalmente ocupados por migrantes, sem que as autoridades do município tomem qualquer medida de amparo às pessoas ali presentes, ou mesmo pela manutenção mínima de higiene e limpeza. A sujeira está por todos os lados. Nem mesmo a colocação de banheiros químicos, uma iniciativa barata e de fácil adoção merece a atenção da PMBV. Só reclamação não resolve, sendo uma saída fácil para quem não quer assumir responsabilidade.

ÁGUA FRIA
O assunto ainda vai ser melhor avaliado pelo senador Telmário Mota (PTB), assim que ele voltar para Brasília, mas se tiver fundamento vai ser um balde de água fria na fervura da intenção de certos políticos que sempre trazem o mesmo esquema para ganhar votos: o aproveitamento de ex-servidores do ex-Território nos quadros da União Federal. Na última sexta-feira, 09/02, o senador petebista recebeu Parecer de técnicos do Senado Federal alertando que a falta de previsão no Orçamento da União, pode impedir que sejam enquadrados, pelo menos esse ano, os ex-servidores habilitados para tal.

Parabólica
parabolica@folhabv.com.br
Francisco Carlos Randi disse: Em 13/02/2018 às 16:23:58

"Esses imigrantes vão garantir voto par quem não presta... "

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