Por Parabólica
Em 06/01/2017

Bom dia!

A carnificina ocorrida nesta semana, no interior de dois presídios em Manaus, serve pelo menos para chegarmos a duas conclusões. A primeira é de que o Estado brasileiro, em nível estadual e federal, está absolutamente incapaz de administrar a população carcerária do País. A situação de absoluta miséria humana e material dos estabelecimentos penais e a falta de disciplina dos presidiários no cumprimento de suas penas são as provas maiores do que estamos dizendo.

Outra verdade que aflora desses tristes episódios ocorridos nos presídios amazonenses é a de que nossos políticos e administradores públicos aproveitam qualquer brecha para roubar o dinheiro público. Não precisa ser gênio para perceber que a montanha de dinheiro que o governo estadual amazonense paga às duas empresas contratadas para fazer parceria na administração daqueles presídios está recheada de “gordura” para a distribuição de propina. Dados divulgados pela imprensa indicam que um presidiário amazonense custa R$ 5.000,00/mês, o maior custo unitário do País.

ROUBALHEIRA
Essa crise no sistema penal amazonense serve para mostrar que aos políticos e administradores brasileiros o crime compensa. Quanto maior a população carcerária, maior é um montante da grana que será gasta para mantê-la trancafiada. E como a propina está quase sempre calculada em porcentual do gasto, fica evidente que os corruptos torcem para que tenhamos mais presos no País. É triste, mas é verdade. Os políticos roubam dos presídios, roubam dos hospitais e das escolas públicas. Também pudera, os canalhas que roubaram a Petrobras e as empresas elétricas federais continuam dando as cartas em Brasília. Pobre país tupiniquim.

MUDANÇAS
A governadora Suely Campos (PP) decidiu fazer mudanças pontuais na Secretaria de Segurança Pública, especificamente na Polícia Civil. Ela exonerou o delegado-geral adjunto, Ronaldo Sciotti Pinto da Silva Filho, e nomeou para substituí-lo o também delegado Marcos Lázaro Ferreira Gomes, que antes era o titular do Departamento de Polícia Civil, também da estrutura da Polícia Civil do Estado de Roraima.  
        
DIMINUIÇÃO
É claro, não vai ser fácil passar pelo Congresso Nacional, afinal, parlamentares não costumam atirar nos próprios pés. De qualquer forma, já tramita no Senado Federal uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), de número 38/2016, que reduz o número total de deputados federais para 405 (hoje são 513). Pelo projeto, o número mínimo de deputados federais passará de 8 para 4 nos estados com menor população, e o número máximo de 70 para 50 nos estados mais populosos. Roraima perderia a metade de sua bancada.

RESPOSTA
Algumas postagens em redes sociais tentaram ligar o nome do vereador Pastor Manoel Neves (PRB) ao resultado da eleição na Câmara Municipal de Boa Vista (CMBV). Teria sido dele o voto que propiciou a vitória do vereador Mauricélio Fernandes, que não era o preferido do Palácio 9 de Julho. Parece que, na tentativa de desfazer essas intrigas, a prefeita Teresa Surita (PMDB) fez postagem de fotos com o vereador pastor e declaração de que ele é seu aliado na CMBV. E agora?

ENCAMINHOU
O ex-secretário estadual da Fazenda e atual secretário-adjunto da Casa Civil, Shiská Pereira, já encaminhou ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) sua defesa nos chamados achados, indicados por auditores daquela Corte de Contas, que resultaram no seu afastamento da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz). Quem leu a peça, um alentado arrazoado de defesa, diz que dificilmente ele não será atendido. E aí, neste caso, quem vai pagar o preço da injustiça?

DOBRADINHA
Aliás, quando Shiská Pereira foi nomeado para adjunto da Casa Civil, muita gente especulou um possível estranhamento dele com o titular Oleno Matos, que é deputado estadual licenciado. Pois bem, fontes da Parabólica, bem situadas no Palácio Hélio Campos, garantem que o relacionamento entre os dois é de parceria e fina sintonia. Essas mesmas fontes dizem que a Casa Civil só ganhou com o entrosamento entre Oleno e Shiská.

REVISTA
Em revista de rotina na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, realizada nesta semana por uma Força Tarefa constituída pelo Grupo de Resposta Rápida (GRR), da PM; Grupo de Intervenção Tática (GIT), da Sejuc; e agentes penitenciários da própria Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc) foram encontrados: armas brancas, celulares, chaves para abrir cadeados, anotações de dados sobre facções criminosas, materiais com aparência de drogas e até dois frascos com pólvora. E como entram na penitenciária estes materiais? Ninguém explica.

PRECÁRIA
Embora alguns analistas vejam como positivo o fato de que o total das cotas do Fundo de Participação dos Estados (FPE) recebido pelo governo estadual tenha sido superior em cerca de R$ 170 milhões, na comparação entre os anos de 2015 e 2016 esses números devem ser olhados com bastante cautela. Na verdade, somados os repasses decorrentes do Imposto de Renda e das multas aplicadas sobre o Programa de Repatriação, estimados em cerca de R$ 210 milhões, houve uma redução no repasse do FPE no recente exercício findo. Esse fato só ressalta a precariedade das fontes que alimentam o orçamento estadual.

Parabólica
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