Por Parabólica
Em 05/03/2018

Bom dia,

O Ministério Público Federal, dissemos isso daqui da Parabólica e da própria Folha, pediu mais uma vez que seja investigada a possível propriedade atribuída ao notório senador Romero Jucá (PMDB), através de familiares e laranjas, de um canal repetidor de imagem de televisão em Boa Vista. Se o MPF quiser pode aprofundar mais as investigações, e vai encontrar outras emissoras de TV e de Rádio, na Capital e no interior que estão ligadas a essa figura. E tem muitas histórias escabrosas por trás dessas suspeitas. É preciso lembrar que o Supremo Tribunal Federal (STF) já investiga essa suspeita de crime -parlamentares federais são proibidos de ter rádio ou TV, mesmo que indiretamente-, fazem quase oito anos.

O senador Romero Jucá costuma tentar passar a impressão de que está acima das instituições, que não teme a Justiça ou outros órgãos de fiscalização. Já ameaçou duas juízas que tentaram agir como se exige de um magistrado, e foram publicamente intimidadas pelo senador. Fez o mesmo com o delegado federal que cumpriu uma ordem judicial de busca e apreensão em residências de seus filhos e enteadas por suspeita de venda superfaturada de um terreno para construção de um conjunto habitacional financiada com recursos do programa federal Minha Casa, Minha Vida. Sempre procede para tentar passar a impressão que manda nas repartições federais no estado. Tem compulsão em alardear que tem muito poder.

É dentro desse cenário que deve ser olhada esta última prática criminosa do notório senador. Na última sexta-feira, 02.03, ele utilizou uma emissora de rádio, que lhe é ligada publicamente, para lançar a pré-candidatura de sua especial parceira política, a prefeita Teresa Surita (PMDB) ao Governo do Estado nas próximas eleições de outubro. Rádio, como se sabe é concessão de serviço público, e não pode ser usada para fins eleitorais, especialmente para seus proprietários, diretos ou indiretos. Jucá fez pior ainda, pediu votos para si, e para Teresa Surita, em clara prática de propaganda eleitoral antecipada.

E não se deu por satisfeito. Fez propaganda eleitoral negativa, de todos os possíveis adversários seus, ao Senado Federal, e de Teresa Surita para o Governo do Estado. Falou mal da governadora Suely Campos (PP), pré-candidata à reeleição; do ex-governador Anchieta Júnior (PSDB); do senador Telmário Mota (PTB); ambos pré-candidatos ao governo contra Teresa. Também não escaparam de sua metralhadora giratória. Seus eventuais concorrentes ao Senado Federal como a senadora Ângela Portela (PDT), também pré-candidata à reeleição; e ao deputado estadual Mecias de Jesus. Fez campanha eleitoral antecipada por mais de uma hora, tendo como âncora um funcionário de sua empresa.

Muitos indagam as razões que levaram o notório senador Romero Jucá, a começar a campanha eleitoral de 2018, praticando crime eleitoral e baixando o nível do embate político ao atacar seus eventuais adversários. Alguns atribuem esse comportamento a certo desespero, frente às reações das ruas que não lhes são favoráveis, devido às dezenas de processos a que está respondendo no Supremo Tribunal Federal, e que podem levá-lo à cadeia. Para Jucá, a não reeleição significa ir parar após janeiro próximo, nas mãos de Sérgio Moro, que não costuma refrescar com políticos envolvidos em malfeitos. Nem mesmo a figuras paramétricas como o ex-presidente Lula da Silva (PT), que tem inegavelmente um papel reservado na história política do Brasil.

Outros observadores dos bastidores políticos locais dizem que a “coragem” de Jucá ao praticar deliberadamente crimes eleitorais tem um significado e um simbolismo ainda maior. Pelos seus exemplos passados que cultua com especial desvelo a fama de que é poderoso, do tipo de “mal necessário”, quis mandar um recado ao Ministério Público Federal que não está preocupado com as investigações sobre propriedade, direta ou indireta, de emissoras de radiodifusão no estado. Quis além disso, mandar um recado direto à Justiça Eleitoral, e ao Ministério Público Eleitoral, para que não sejam obstáculo na sua luta para continuar tendo privilégio de foro.
Será?

AUTOLANÇAMENTO
Utilizando a mesma rádio, ligada ao grupo político do notório senador Romero Jucá, a prefeita Teresa Surita declarou, finalmente, que é pré-candidata a governadora do Estado na eleição de outubro. Para tanto, deverá deixar a Prefeitura Municipal de Boa Vista (PMBV) até o dia 7 de abril próximo, e diz ter tranquilidade de deixar o comando do Palácio 9 de Julho com seu vice, Artur Machado, porque as ações do governo municipal estão planejadas para os próximos dois anos. Pelo que diz, e pelo que afirma Jucá, a administração municipal será feita sob forma de algo parecido a um consórcio. Ambos estariam orientando o novo prefeito.

Parabólica
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