Por Jessé Souza
Em 14/09/2017

Papelões da crise nos semáforos

Somente chegarão ao fim o martírio dos venezuelanos e os graves problemas sociais em Roraima, provocados pela migração em massa, quando a Venezuela se estabilizar mediante o fim do governo de Nicolás Maduro. Mas ninguém pode prever o fim desse governo tirano nem o que irá acontecer com o país vizinho no futuro.

Enquanto isso, os venezuelanos encontram uma fronteira larga e aberta, diante de um Governo Federal que não está empenhado em encarar os problemas para ajudar o Estado diante da maior crise humanitária enfrentado por um país vizinho.

Os semáforos a cada dia recebem mais venezuelanos com suas placas em papelão pedindo ajuda e trabalho. São crianças, idosos e muitas mulheres suplicando moedas dos motoristas, alguns insensíveis e outros nem tanto assim. O abrigo em Boa Vista não suporta mais nem as pessoas que lá estão, boa parte delas vivendo em favelas na área externa do ginásio.

Maduro obviamente não está preocupado com a fuga em massa do povo venezuelano, porque ela sabe que essa migração forçada representa também menos pessoas fazendo oposição e pressão ao seu governo. Por sua vez, o Brasil sequer consegue administrar seus problemas internos, com um governo sabidamente corrupto, todo enredado nas investigações da Operação Lava Jato.

Resta ao Estado de Roraima tentar administrar esse grave problema, mas sabendo também que a administração estadual não consegue sequer resolver os problemas antigos e ainda tenta arrumar a casa já chegando ao final do governo. E os problemas vão se ampliando ainda mais com a crise migratória.

Muitos venezuelanos têm conseguido ocupar o mercado de trabalho, suprindo uma carência de mão de obra em várias frentes. Esses já estão se integrando social e economicamente, demonstrando que eles podem construir uma nova realidade para o Estado. Mas não há espaço para todos e, enquanto mais se agrava a situação no país vizinho, mais problemas surgirão em Roraima.

Como não há outra alternativa para Roraima, a não ser impor uma fiscalização mais severa na fronteira, resta ao Estado saber administrar essa situação. Afinal, uma nova realidade está se formando com a integração dos venezuelanos que estão conseguindo ocupar o mercado de trabalho. Se houver sensibilidade para enxergar que é possível ter pontos positivos nesse cenário, muitos problemas serão amenizados.

Além de o Estado ganhar com a chegada de novos profissionais, que precisam de um acolhimento e acompanhamento especializado, aqui estará se formando uma nova geração de venezuelanos que serão os principais inimigos do governo tirano de seu país.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
Acesse: www.roraimadefato.com.br

Jessé Souza
jesse@folhabv.com.br
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