Opinião

Opiniao 31 10 2017 5069

Memórias do pé da serra – Walber Aguiar*

A vida é a arte do encontro embora haja tanto desencontro pela vida. Vinicius de Morais

Nesse tempo não havia números. Nem balanços ou contabilidade. Embora Pitágoras de Samos já tivesse inventado ou sistematizado aquilo que, na sua mente se converteria no redutor da existencialidade numérica. Disse que tudo na vida era número.

Mas os números foram reduzidos naquele momento ao nascimento de um homem, de uma criança, que se tornaria uma grandeza de alma, quase um mito. Dia 31 de outubro nascia José Barbosa de Souza Júnior. Sim, um garoto forte, um menino robusto, filho de dona Iolanda. Destinado a ultrapassar as barreiras do comum e da comodidade, Barbosa viveu dias de uma sadia adolescência na velha e inesquecível Coronel Mota. Sempre dedicado aos estudos, viveu paixões, não apenas pelos livros, mas também por gente simples, que mexeria com sua frágil estrutura emocional.

Nesse contexto fez sólidas e grandes amizades. Camiranga, o velho Williams, ajudou a formar essa agenda, junto com Magno Velho, Nego João, Francélio e tantos outros. Caboco Buzé, o Teixeira, também ocuparia o seleto grupo de amizades. Ainda Mundinho, Paulo, caboco Mororó, Darlen, Telmário Mota, Wanda, Cleres e o povo dos Wanderley.

Gonçalves Dias tornou-se pequeno, pois o Segundo Grau já ficava para trás. Se a vida é combate que aos fracos abate e aos grandes e fortes só pode exaltar, Barbosa singraria outros mares em busca do conhecimento.

Aliás, Negro e Solimões marcariam definitivamente sua alma, visto que um enorme Amazonas de amor, alegria e trabalho se encontrariam naquele coração destinado a lutar e a vencer os mais difíceis obstáculos.

O velho Henrique faria parte dessa nova etapa de vida, juntamente com Sandoval e Ederval, e todos os outros que fariam da Casa do Estudante o habitat sagrado daqueles que, à semelhança de Barbosa, buscavam o conhecimento e a vida em sua plenitude.

Os encontros ainda marcariam a ferro e fogo a existencialidade daquele caboco amazônida. E nessas idas e vindas dos banzeiros e dos barcos, conheceu, casou e teve filhos com Ydinei, a caboca bonita que acalentaria seu coração nos dias mais tediosos e nas manhãs em que a monotonia ameaçava roubar seu equilíbrio e sua tranquilidade. A mulher que me deu uma Bíblia que até hoje guardo comigo.

Assim ele seguiu. Estudando, conferindo, computando, somando, dividindo, multiplicando ideias e sonhos, encontros e ideologias, convertendo-se numa espécie de conselheiro daqueles que a vida tratou de abater.

Embora tenha perdido esposa e mãe nos desencontros que a vida nos reserva, Barbosa sempre busca suas origens, partindo sempre para o Lago do Caracaranã, numa tentativa de rememorar suas origens, de encontrar consigo mesmo naquela geografia paradisíaca, cheia de vento e vida, na imensidão dos cajueiros e lavrados sem fim.

Barbosa é um desses cavalos selvagens que a vida nunca domou, que o tempo nunca abateu. Até hoje lembro uma frase dita por ele: “A vida me ensinou a ser indômito e só”.

*Poeta, professor de filosofia, advogado, historiador, membro do Conselho de Cultura e da Academia Roraimense de Letras [email protected]

Tudo está cada vez pior! – Marlene de Andrade*

O mundo jaz no maligno (1ª João 5:19).

Todos nós somos maus. É evidente que, quando a criança recebe uma educação de qualidade, ela vai melhorando seu perfil, mas ainda assim continuamos sendo maus, pois o problema está na nossa essência que é pecadora. Claro que existem pecadores que pecam praticando pecados abomináveis, outros pecam, mas não tem coragem de matar, roubar e sair destruindo tudo à sua volta, porém e ainda assim, continuamos sendo pecadores.

Achei muito interessante o exemplo que o Pastor Dr. Alfredo da minha Igreja (1ª Igreja Presbiteriana do Brasil) deu nesse sentido. Ele nos contou que um dia desses resolveu fazer uma fritada de ovos. Sendo assim, quebrou o primeiro ovo na frigideira e o segundo também, mas quando foi quebrar o terceiro, não reparou que ele estava estragado e por isso ele acabou estragando toda a dita fritada.

Adão foi o nosso primeiro pai aqui na Terra e dele foi gerada toda humanidade, como ele pecou abominavelmente contra Deus, ele contaminou a raça humana toda. Devo ressaltar que nós presbiterianos não acreditamos na teoria da evolução e por isso cremos que Deus criou o homem santo e do pó da terra e isso é tão verdade que nós temos dentro de nossos organismos tudo o que há na terra como, por exemplo, ferro, oxigênio, cálcio, sódio e entre outros, potássio. Ocorre que, Adão pecou gravemente e por isso contaminou toda a raça humana e não tem esse “mi,mi,mi” que estamos evoluindo para melhor, de jeito nenhum. Sendo assim, a humanidade só vem piorando. Chegamos a um ponto que ficamos com medo de ir até à esquina de nossa casa, pois os assaltantes existem e estão em toda parte. Não era assim há vinte ou trinta anos atrás.

E o interessante é que tem confusão rolando em muitos lugares do planeta Terra. Na China os jovens estão indo às ruas atrás de seus ideais com muita disposição, a ponto de enfrentar a polícia sem medo nenhum. Eles querem que o país se torne democrático. Ah, se eles conhecessem o Brasil, uma “democracia” cheia de políticos corruptos. Claro que não suporto governos ditatoriais, mas o que ocorre no Brasil é uma forma de “ditadura” também, pois só os políticos mandam no Brasil. Agora mesmo o Congresso Nacional a troco de barganhas já impediu que o nosso presidente respondesse processo mesmo estando mais do que evidente que ele está envolvido no meio da canalhice governamental. Isso é, ou não uma forma de repressão? E vejam só, ele adoeceu, mas não foi se tratar no Hospital de Base de Brasília e sim no Hospital Sírio Libanês. E o pobre vai para aonde? Para os Coronéis Mota da vida, onde morrem imersos em suas fezes, destituídos de todos e quaisquer direitos constitucionais.

*Médica especialista em Medicina do Trabalho/ANAMT

Educar para conhecer – Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Muitas coisas impedem o conhecimento, inclusive a obscuridade do tema e a brevidade da vida humana.” (Pitágoras)

A queda desastrosa da Educação no Brasil vem despencando há décadas e décadas. O que vimos assistindo no descaso na nossa Educação é vergonhoso. Ela está sob o domínio do poder dos que amam o poder, independentemente da educação que ele tem. O Bob Marley já disse que “Há pessoas que amam o poder, e outras que têm o poder de amar.” A que grupo você pertence? Em qual deles você dedica sua vida? Temos um período de vida muito curto. Mas é nele que temos que viver. E nem todos sabem como viver. E nem descobriram, ainda, que a Educação faz parte desse sistema. Que sem educação não seremos o que deveríamos ser.

Ainda na década de mil novecentos e sessenta, meu filho Alexandre era criança e estudava numa escola particular, no Rio de Janeiro. Um dia, olhando o caderno dele, o Estado de Acre estava citado como Território Federal. Falei pra ele falar com a professora, porque o Acre era um Estado e não um Território. Na volta dele, no final de tarde, perguntei o que a professora falara. Ele sorriu e disse:

– Ela mandou dizer pro senhor parar de atrapalhar o trabalho dela.

Rimos e ele corrigiu a falha no seu caderno, enquanto os seus colegas ficaram sem nem mesmo saber o que acontecera. Anos depois, já em Boa Vista, certo dia eu arrumava minha prateleira de livros e uma de minhas netinhas me ajudava. De repente eu falei:

– Pegue aquele ali pra eu colocar aqui.

Ela pegou o livro e veio meio encabulada e falou:

– Vô… Eu falo assim porque o senhor fala, mas a minha professora de português me corrigiu. Ela me disse que o certo é, pra mim fazer, e não pra eu fazer.

Sorri e falei pra minha neta:

– Tudo bem. Quando você estiver perto de sua professora, fale pra mim fazer. E quando estiver longe dela, fale pra eu fazer, tá?

E, é claro, expliquei pra minha neta, o porquê do engodo. Rimos e nunca mais a ouvi falando, “pra mim fazer”. Deu pra sacar os pequenos, porém nocivo, exemplo de como nossa Educação está, realmente, no fundo do poço? E detalhes pequenos como esse são apenas pequenos detalhes. Já houve uma campanha para mudarmos a letra do Hino Nacional Brasileiro; e outra para acabarmos com a obrigação do hasteamento da Bandeira Brasileira nas escolas.

Mas o mais importante é que essa é uma tarefa unicamente nossa, eleitores, que devemos nos civilizar; para que paremos de mandar para nossa política, despreparados, incompetentes e desonestos. Ou limpamos a barra ou continuaremos no lamaçal. Pense nas próximas eleições, e cuidado. Pense nisso.

*[email protected]