Opinião

Opiniao 29 12 2016 3446

Por onde começar? – Antonio de Souza Matos*Os resultados da última avaliação do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), aplicadaa 540 mil estudantes de 15 e 16 anos de 70 países, em 2015, revelam que os alunos brasileiros pioraram em ciências, matemática e leitura, mantendo o país nas últimas posições do ranking. O que fazer para mudar isso? A reportagem “Temos muito a aprender”, da jornalista Maria Clara Vieira (Veja, 14/12/2016, pp. 102-105), nos oferece pelo menos duas pistas.

A primeira é que não basta destinar mais verbas para a educação. É preciso aplicá-las da forma correta. Entre 2012 e 2016, o Brasil elevou o percentual do PIB para o setor, mas isso não redundou em melhoria da qualidade do ensino. O maior investimento que precisa ser feito é no professor, como ocorre nos países que estão no topo do ranking. É urgente tornar a carreira do magistério competitiva e atraente, com a oferta de salários equiparados aos das profissões mais prestigiadas.

Singapura, o primeiro do ranking em tudo, conseguiu levar 30% dos melhores alunos para as faculdades de pedagogia. No Brasil, ocorre o contrário: “os 30% piores é que seguem esse rumo”. Outro investimento que explica o salto de patamar dos países campeões foi elevar o nível das escolas de formação de professores. Entre as mais respeitadas do mundo estão o Instituto Nacional de Educação, de Singapura, e a Universidade de Helsinque, na Finlândia, outro país em destaque no Pisa. Essas instituições, em vez de gastar tempo ensinando teorias que não levam a lugar nenhum, expõem os futuros docentes a metodologias de eficiência testada e a muita prática.

A segunda é que quantidade de conteúdos não implica qualidade. É preciso enxugar o currículo das escolas brasileiras. O modelo enciclopédico já está ultrapassado. Hoje se tem acesso fácil a todo tipo de informação pela internet. Os alunos precisam focar naquilo que é relevante em vez passar horas decorando conteúdos que nunca irão utilizar. O físico alemão Andreas Schleicher, um dos mais reputados especialistas em educação do mundo, afirma que “a experiência mundial mostra que conteúdo em excesso é sinônimo de aprendizado superficial”. Ele aconselha o aluno a ater-se aos conceitos essenciais e às ferramentas que lhe permitem raciocinar melhor.

Essas são pistas que não podem ser desprezadas pelas autoridades brasileiras, se quiserem tirar o país do atraso educacional. Mas será que isso faz parte de suas agendas?*Professor. E-mail: [email protected]————————————O efeito borboleta e a “lava jato” – Sebastião Pereira do Nascimento*Efeito borboleta é uma expressão utilizada na teoria do caos, e se refere à dependência sensível às condições iniciais dentro da referida teoria. Esse efeito foi descoberto (quase que por acaso) por Edward Lorenz, em 1963, quando trabalhava com previsões meteorológicas num instituto de pesquisa americano.

O efeito borboleta ou teoria do caos encontra aplicações em diversas áreas do conhecimento como nas áreas das ciências (biológica, exata e humana), na arte, na religião e em entre outras aplicações, sejam nas áreas de estudos convencionais e não convencionais ou até mesmo em acontecimentos comuns do nosso cotidiano.

Quanto à praticidade decorrente do efeito borboleta, ela se apresenta como um pensamento central ou um tipo de alteração casual, onde um simples acontecimento pode desencadear uma relação em cadeia e influenciar o curso de uma coisa e, assim podendo provocar um acontecimento orientado pelas condições do acaso muito maior, próximo ou mesmo bem longe do local da casualidade.

No tocante a comparação do efeito borboleta com o caso em que ficou denominado como “lava jato”, o episódio vem marcado por diversos acontecimentos policiais e jurídicos que se desencadeou a partir da investigação de crimes de lavagem de recursos públicos relacionados a um ex-deputado federal (José Janene) do estado Paraná.

Na medida em que o caso segue investigando, as coisas vão se aprofundando num universo que envolve cada vez mais pessoas, particularmente políticos, funcionários públicos, empresários e grandes empreiteiros do país. Isso tudo desencadeou sucessivas causas e efeitos, numa espécie de efeito dominó, capaz de mudar o sentido inicial das investigações e a história recente do país.

Por outro lado, as investigações trouxeram à luz uma realidade repugnante da sociedade brasileira, a qual (como já tenho exposto aqui) se afirma como uma sociedade de baixa consciência moral, imediatista, caricata e burlesca que segue sem rumo e sem destino. Ainda que desfaçada finge ser ordeira e honesta, mas cultua em suas entranhas os piores sentimentos de desprezo e aversão às coisas públicas e às demais coisas que satisfazem o bem comum.

Isso tudo é exemplo de uma sociedade hipócrita, fútil e desalinhada de tudo. Uma sociedade doente que caminha cambaleante, onde o indivíduo passa o tempo olhando as próximas “investidas” para extorquir o patrimônio público e usufruir daquilo que não lhe pertence. Onde os plenipotenciários “escolhidos” por elementos da própria sociedade, seguem os mesmos passos nocivos de seus pares, que apaticamente teimam em elegê-los quantas vezes for necessário.

Portanto, o agente público devasso não aprende a ser corrupto quando chega ao poder ou quando assume algum cargo público, ele já vem “pronto” a partir do seu meio social. Logo, se desejarmos exaurir as mazelas e desmazelas desse país temos de suscitar profundas mudanças no comportamento da sociedade – de antemão, não posso deixar de ratificar aqui que no país, há, sim, pessoas sérias e de elevada idoneidade moral (que não convergem com os embustes da sociedade em geral), imbuídas de praticar coisas boas que respondem pelos interesses comuns, em detrimento de vantagens pessoais.

Sobre o “efeito lava jato”, numa nítida semelhança com o “efeito borboleta”, os desdobramentos das investigações penais trouxeram imprevisibilidades angustiantes para todo o país, onde os políticos oportunistas diante da fragilidade do caos aproveitam para dissimular situações que possam levar ao poder em substituição àqueles que estão na vez; isso tudo com ressalvas maquiavélicas dos três poderes constituídos, sendo notório, muitas vezes, o poder judiciário em conluio referendar as falcatruas e burlar as leis com a finalidade de se locupletarem das vantagens ilícitas e do poder.

Isso tudo leva criar um redemoinho de indefinições humanas, capazes de se manifestar como um “efeito borboleta”, saindo de um evento aparentemente simples chegando a uma manifestação tão caótica e imprevisível quanto à vida.

Isso prova que a roubalheira consentida pela “lava jato”, assim como outras do mesmo naipe, teve o seu início a partir de um epicentro central se irradiando por vários setores (públicos ou privados) no momento em que muitos indivíduos confirmaram sucessivamente o mesmo erro, o qual se assolou imbricadamente fazendo transparecer o caos diante da nossa realidade.

De certa forma, isso tudo parece ser assustador, mas é só olhar nos atuais acontecimentos caóticos e imorais da vida brasileira, que essa argumentação da “teoria do caos” faz sentido, e para os incrédulos atestamos que isso possa ser muito preocupante, pois pode trazer consequências enormes e absolutamente desconhecidas para o nosso país e consequentemente para o nosso futuro.*Filósofo – [email protected]————————————

Transforme – Afonso Rodrigues de Oliveira*“Transforme seus momentos difíceis em oportunidade. Seja criativo, ou criativa, buscando alternativas e apresentando soluções, ao invés de problemas. Veja o lado positivo das coisas e assim você tornará seu otimismo uma realidade”. (Aristóteles Onassis)O acúmulo de problemas que estamos levando em nossa bagagem, para o próximo ano, não tem dimensão. E pra que medi-la? O importante é que deixemos que a marola passe e leve todos os problemas para o passado, no ano que passa. Procure viver uma nova vida no novo ano. Porque dentro de trezentos e sessenta e cinco dias ele envelhecerá e morrerá, como 2016. O importante é que tenhamos aprendido com os problemas e dissabores que vivemos no decorrer do ano velho. Porque ele morrerá daqui a dois dias e nunca mais voltará. Ainda bem. Porque até a gora não vi ninguém batendo palmas em agradecimentos pelo que conseguiu neste ano. O que nos deixa duvidosos sobre com quem está o problema.

Esqueça do ano que passou o que não valeu a pena. Leve com você apenas os momentos de felicidade. Os problemas do passado devem servir como lição para que vivamos o novo ano com maturidade e consciência da nossa importância. E nossa importância está na importância que nos damos como seres de origem racional. Somos todos responsáveis, tanto pelas tristezas quanto pela alegria que vivemos nos dias que se foram. Passado é passado. E não devemos levar dele, conosco, o que não nos vai servir como alimento da felicidade futura. Esqueça tudo que lhe trouxe dissabores no ano que está indo. Viva dele apenas o que convém ser lembrado.

Transforme os momentos difíceis em oportunidade de aprendizagem. Todos os obstáculos são transponíveis. Cabe a cada um de nós os transpor com coragem e otimismo. Não nos esqueçamos de que estamos numa viagem eterna, brincando de garotos dando volta em volta do Sol. Que a vida é uma brincadeira para os que sabem viver. O envelhecimento se inicia no momento em que nascemos. Que daí para frente, a contagem é regressiva. Embora tentemos fantasiá-la com acontecimentos enganosos que quase sempre nos levam às veredas aparentemente ínvias. Seu sucesso depende da sua evolução racional. Logo, é você que tem o poder de viver intensamente, independentemente dos obstáculos que possa enfrentar na dura caminhada. Procure ver apenas o lado positivo na sua caminhada. Seja o timoneiro do barco e o dirija para onde você realmente quer ir. Só você tem o poder de fazer isso por você. Então, faça e seja feliz. Ame com ternura e não com paixão. Amor não se mistura. É o poder que todos temos e não usamos devidamente. Pense nisso.*[email protected]