Por Opinião
Em 22/12/2017

Força suprema - Joelma Fernandes de Oliveira*

Até os 25 anos de idade, eu observava o discurso de diversas pessoas, em especial de mulheres, acerca de algo diferente que ocorre quando damos vida a outro ser, quando, nesse ato, escolhemos ter uma companhia para compartilhar a vida “eternamente”: um FILHO. Eu nunca duvidei de tal sentimento, até porque tamanha era a força e a coragem que eu via no olhar dessas pessoas. Ocorre que quando me tornei mãe pude ter a real dimensão, eu senti tanto amor, recebi tanto amor, principalmente das maiores fontes de amor neste mundo, MÃE e VÓ, que eu não teria como duvidar dessa força suprema.

Às vezes brinco e comento com alunos e amigos sobre o olhar que minha mãe me lançou quando me viu na bancada do auditório da universidade, há exatos 10 anos, para receber meu diploma de Pedagoga. Eu brinco dizendo que nem o médico Ivo Pitanguy na solenidade de sua pós-graduação recebeu um olhar de tamanho orgulho e sentimento igual àquele que eu tive a chance de presenciar naquela data. Não há como explicar, apenas sentir.

Foi no ano de 2009, especificamente, que pude perceber a valoridade e a imensidão desse sentimento de amar alguém igual ou mais do que nós mesmos. Esse sentir veio depois que passei a compartilhar minha vida com um ser que viveu 8 meses na minha barriga e que, acredite, a gente já ama, sofre e admira sem se quer ter visto pessoalmente. Não tenho a intenção de fantasiar a maternidade, pois nela, sei bem, também há frustrações; mas meu intuito é dizer que existe uma positividade esplêndida nessa ação de compartilhamento de afeto profundo como é o caso de um filho.

Assim, apenas ratificando tudo que um dia já pensei e refleti sobre esse sentimento, foi num momento de desespero que comprovei ainda mais a dimensão dessa relação, era um momento de ver a própria vida por um fio, em frações de segundos, tive o egoísmo de não pensar nem na minha própria mãe – que me trouxe para este plano – nem irmão, amigos, ninguém, a única motivação que me veio à mente, e junto dela uma força e coragem de enfrentar dragões, e o mundo, foi a recordação do olhar, sorriso e amor puro de um ser de 1,35m de altura, que faz parte da minha vida desde maio de 2009.

A intenção desta reflexão não é romantizar a maternidade, mas, talvez, falar um pouco sobre o amor ao próximo e sobre a força que impulsiona o ser humano a partir dessa experiência de cuidar do outro.

*Professora do Instituto Federal de Roraima - Campus Amajari


O Novo Ano e a renovação - João Paulo Vani*

É incrível o poder que a ideia de renovação tem sobre nós. O encerramento de um ciclo e abertura de outro é sempre um alento em nossa vida: na vida privada, a idade nova sempre fortalece o indivíduo na busca por novos planos, sonhos, projetos, desejos e vontades que poderão deixar seus esconderijos em gavetas e prateleiras. O mesmo acontece a pequenos grupos na vida acadêmica: ao terminar o Ensino Fundamental, os adolescentes sentem-se renovados com a perspectiva do Ensino Médio; ao terminar o Ensino Médio, recebem como troféu da hercúlea maratona de exames de vestibulares a tão sonhada vaga no Ensino Superior e a possibilidade de fazer novos amigos, ampliar os horizontes. Muitas são as formas da mudança se apresentar, e assim também é o final de ano para toda a sociedade.

Com a chegada de um novo ano esperamos que “tudo se realize no ano que vai nascer”, verso símbolo de esperança e renovação: a todos, desejamos saúde, amor, paz, harmonia, prosperidade e muita felicidade.

Intimamente, teremos uma nova chance de consertar nossos erros, reorganizar o que não vai bem em nossas vidas, batalhar por uma realização que vem sendo postergada, seja a casa própria, o carro novo, uma pós-graduação ou a coragem de pedir a namorada em casamento.

Ao ver povos de todas as nacionalidades reunidos em todo o mundo, em um cordão de boas intenções, com uma força simbólica sem medida, em uma tradição simbólica que remete aos primórdios das civilizações, temos a certeza de que a passagem do ano confere ao homem uma sensação de controle, como parte de um ritual “do bem”, o que nos garante estabilidade emocional: por pior que o ano que se encerra possa ter sido, o “novo” se apresenta e nos dá uma nova chance.

E, em vigília – do francês, “réveillon” – esperamos por esse pacote de oportunidades, carregado de superstições: à mesa, come-se lentilha para atrair dinheiro e prosperidade, e romã, símbolo da fertilidade – e as aves que ciscam para trás estão banidas, para não haver regressão de nenhum aspecto; pula-se sete ondas em uma referência direta à completude bíblica: Deus descansou no sétimo dia; sete é a somatória da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) com a Terra que habitamos, representada por seus quatro pontos cardeais (Norte, Sul, Leste e Oeste); no livro de Apocalipse, são sete os selos que protegem o livro escrito por dentro e por fora, sete igrejas, sete anjos, sete taças, sete trombetas.

Assim, com esses votos desejo que em 2018 possamos ser como as sete cores do Arco da Aliança – o arco-íris: capazes de, com nossa essência, nos transformarmos, e lidarmos com o novo.

*Presidente da Academia Brasileira de Escritores, Mestre em Teoria Literária e Doutorando em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Unesp de São José do Rio Preto. Contato: jpvani@editorahn.com.br


O que fazer para sair das dívidas em 2018 - Dora Ramos*

A menos de um mês do fim de 2017, grande parte dos brasileiros já sabe que entrará no ano novo com algumas dívidas. Indesejável por todos, essa situação é também inevitável para muitos: segundo pesquisa da empresa de recuperação de crédito Recovery, divulgada pelo Data Popular no último mês de julho, o brasileiro inadimplente deve, em média, três vezes o que ganha e, em alguns casos, acumula até 20 dívidas diferentes.

Mas o que fazer para se livrar das dívidas aos poucos? Organizar as finanças, evitar gastos desnecessários e negociar para pagar o menor valor possível aos credores. Embora não sejam nada fáceis, essas três medidas precisam ser colocadas em prática – e, importante, ainda neste ano. Para começar, é fundamental que os endividados não sejam vítimas do bombardeio de ofertas desta época de festas e adquiram novas dívidas de longo prazo.

Devido à facilidade oferecida no fim de ano, o consumidor quase sempre opta por parcelar as compras no cartão crédito. Embora não haja cobrança de juros, a divisão em valores menores acarreta uma grande quantidade de parcelas. Ou seja, a compra dos presentes em dezembro será quitada apenas em julho, agosto ou até depois. Será que isso vale mesmo à pena? Sem contar que, com a “renda extra” do 13º salário, muitos acham que o dinheiro se torna inesgotável. Mas claro, não é.

Mesmo no curto prazo, uma reorganização pode ser feita para que as coisas se ajustem. Para isso, é importante aprender a diferenciar crédito disponível de poder de compra dentro do seu orçamento doméstico. Assim, mensure em uma planilha de gastos quanto do seu rendimento vai para o pagamento de contas básicas (luz, água, telefone, supermercado); quanto vai para outros gastos constantes (impostos, prestação do apartamento/carro, combustível, plano de saúde, cafezinho pós-almoço); e quanto sobra para o “poder de compra”. Apenas tendo essa diferenciação, é possível saber em qual situação as finanças se encontram e qual o tamanho do buraco.

A partir disso, é essencial iniciar o corte de atividades supérfluas – aquela viagem de fim de ano pode ser adiada; aquela pizza não é tão fundamental assim durante a semana; seu cachorro pode sobreviver sem aquele brinquedinho; e seu cabelo, com certeza, não precisa visitar o salão de beleza com tanta frequência. Se essas medidas ainda não forem suficientes, converse com a família e cheque se outros gastos podem ser cortados temporariamente do orçamento. A TV por assinatura, por exemplo, pode ser eliminada até as contas se acertarem. Já na ida ao supermercado, opte por marcas mais acessíveis, pois aqueles poucos centavos que nunca foram levados em conta vão fazer sentido nesse período.

Agora, se você notou que já está com muitas dívidas, o primeiro passo é relacioná-las, dedicar um tempo para entrar em contato com todos os credores e tentar negociar o pagamento. Explique a sua real situação e tente retirar os juros e até conquistar um desconto para pagamento à vista. Por último, uma alternativa que, dependendo do planejamento, vale muito à pena, é concentrar todas as dívidas em uma só, com um empréstimo para quitar todas elas. Assim, é possível ter noção exata de quanto está pagando, com uma única taxa de juros.

*Orientadora financeira e diretora responsável pela Fharos Contabilidade & Gestão Empresarial (www.fharos.com.br)


O problema nacional - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“No Brasil só há um problema nacional: a educação do povo.” (Miguel Couto)

E olha que o Miguel Couto falou isso ainda na primeira metade do século XX. Que é o que venho dizendo, sem ser um Miguel Couto. Nunca teremos um Brasil equilibrado, se não tivermos uma educação à nossa altura. E não educamos uma nação, do dia para a noite. Isso demanda muito tempo. Mas, mais tempo durará se não começarmos a tarefa, agora. Fico constrangido com o que assisto no dia a dia, no descontrole nos modos de ensino. E como o ensino ainda continua aliado à educação, a parafernália está montada. Não sei se estou sendo entendido. Porque, infelizmente, ainda não percebemos que nosso único problema é a educação do povo.

Recentemente distribuí, para alguns dos meus netos, uma cópia da Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa. A reforma foi aprovada em Portugal, em 1990; no Brasil, em1995. Em 2009 a reforma foi aprovada, publicada e distribuída pela Academia Brasileira de Letras. Desde então não podemos mais usar o trema, na língua portuguesa. Entretanto, logo que um dos meus netos leu a cópia que lhe dei, chegou até mim e falou meio confuso:

- Vô... Eu não sabia dessa. Ninguém me falou que não devemos usar mais o trema.

E olha que meu neto está terminando o fundamental II. Por que será que as escolas não repassaram para os alunos informações sobre as mudanças tão importantes na Língua Portuguesa? Por que será que o aluno não é informado sobre as mudanças na acentuação nas palavras ideia, Coreia, e tantas outras?

Não estou querendo dar uma de intelectual nem de conhecedor da gramática. Tudo que quero é externar minha preocupação com o descaso que o Brasil está tendo com sua Língua. Estamos mais preocupados com a língua inglesa. O que ouvimos de erros banais e corriqueiros, ouvidos dos comunicadores televisivos não tá no gibi. Mas nenhum deles se atreve a cometer os deslizes quando fala em inglês. Vamos prestar mais atenção a isso? Podemos até nem estar atentos ao preço que já estamos pagando pela irresponsabilidade do Ministério da Educação.

Mas todo o lamaçal vem da política. E a política não é um lodo. O que acontece é que não a respeitamos o quanto ela deve ser respeitada. E não a melhoraremos enquanto continuarmos a mandar para a política, despreparados politicamente e corruptos, para nos representarem. Afinal de contas seja ele quem for, nós estamos sento bem representados. A escolha foi nossa. Então vamos amadurecer e nos respeitar para que eles nos respeitem. Faça isso nas próximas eleições. Vamos parar de mandar corruptos para nos representarem. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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jesse@folhabv.com.br
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