Opinião

Opiniao 21 05 2018 6231

Profissão: pedinte – Tom Zé Albuquerque*

O Brasil gerou nos últimos anos uma fatia social de pedintes, pessoas dependentes que se acostumaram a pedir tudo: comida, roupa, utensílios do lar, material de construção, dinheiro… seja ou não período de campanha política. É, em boa parte dos casos, a nociva dependência pela indolência, comodismo e ausência de pudor.

O projeto “Fome Zero”, do conceituado sociólogo Betinho, previa a assistência àquelas pessoas abaixo da linha da pobreza, mas com previsão de resgate desse estágio para a faixa dos autônomos, num arco de dez anos, por meio da geração de emprego e renda. Como é sabido, este importante arcabouço foi desvirtuado, primeiro pelo governo do PSDB, e posteriormente esculhambado de vez pelo governo petista, no intuito de degradar a população, gerando sujeição em prol do macabro desejo de perpetuação do poder. Feliz com essa bem sucedida estratégia, os governos avançaram no jugo social com a criação de tudo quanto é benefício, atendendo primordialmente dois objetivos: prevalência da vitória nas urnas e manutenção do esteio da corrupção. Uma farra!

A palavra “pedinte” vincula-se à improdutividade, diferentemente dos artistas de rua ou ainda dos personagens urbanos, os mendigos. Tem-se uma prática crescente no Brasil, cujas abordagens e investidas não têm local, dia ou hora. É notada uma mania, um vício de se requerer algo seja de quem for. Havia quase duas décadas, as crianças e adolescentes naquele tempo, se transformaram nos adultos de hoje, ao crescerem com essa crença maléfica de que pedir é mais rentável e cômodo, ao invés de produzir. São crias de políticas assistencialistas; as gestões públicas defensoras desse viés não visam o fim da pobreza, mas o enraizamento da vassalagem pela ociosidade que gera inúmeros crimes.

Diferentemente da Assistência Social, o assistencialismo visa manter acesas as desigualdades para que grupos nefastos da política se projetem como a única alternativa de sobrevivência. Além disso, dar assistência é infinitamente mais caro pra população que fazer investimentos para a ela dar a autonomia e a dignidade necessárias. O parasitismo não pode ser confundido com emprego, uma técnica fajuta e vil amplamente promovida pelo Brasil, em vários campos e esferas.

Em Roraima, a situação tem se agravado com a invasão dos venezuelanos, oriundos de um governo pernicioso que empurra seu povo para a putrefação social, cuja dependência pelo assistencialismo ganha contornos desesperadores. Não à toa esses imigrantes arrogam ao governo brasileiro o direito de receber todo tipo de amparo, de comida a teto, porque assim cresceram e viveram nos últimos vinte anos, fomentando o atraso do seu país pela falta de iniciativa, pela conveniência e pela busca incessante de facilidades. É um pseudosocialismo, pregando a prostração e a inatividade.

Vale-me lembrar do brevíssimo discurso do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, no Congresso Nacional, final da década de 1950, quando da inauguração da SUDENE, ao proferir um trecho de uma de suas músicas: “Seu ‘dotô’ uma esmola, para um homem que é são, ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão”. E ainda paira a subjugação e o servilismo, seja tupiniquim ou bolivariano.

*Administrador

Distração em massa – Francisco Habermann*

Outro dia, andando na rua, ouvi alguém falar em voz alta ao celular com o interlocutor: “Nóis fomo e já tamo vortando”. Nisso, a pessoa levou um tropeção e estatelou-se no chão. Ajudei-a a se levantar. Nada aconteceu com ele, o celular, que continuava falando e gritando, pela voz vinda do outro lado…O infeliz acidentado, entretanto, torceu o pé e estava com muita dor no local. Ajudei-o nos cuidados imediatos e recomendei que procurasse auxílio médico, pois logo me lembrei do famoso jogador brasileiro e a intervenção cirúrgica no ‘mindinho’ do seu pé badalado.

Nada mais soube do caso, mas penso na nossa contínua e crescente distração. Estamos distraídos demais com o celular que, claro, veio para ficar.

No mundo moderno, somos beneficiados pelos avanços da tecnologia, mas criamos grandes problemas para nós mesmos, causados pela nossa distração. Isso não ocorre só aqui no Brasil, não. Acontece no mundo todo, pois há outros interesses (econômicos? domínio?) envolvidos nesse ramo, especialmente na linha de comunicação, marketing, etc. A abrangência é global. As consequências para a saúde também.

Hoje, somos todos dependentes da tela do smartphone, a máquina móvel chamada inteligente. Faz tudo, até fala. Ela nos mantém ligados, porém distraídos o tempo todo. Nas crianças, está interferindo na sua formação e nos seus estudos. Perdem o foco e concentração, o que levou a Academia Americana de Pediatria, a Sociedade Canadense de Pediatria e a congênere brasileira a recomendarem seu uso autônomo somente após os 12 anos de idade.

Nos adultos está afetando a atenção, a produtividade e facilitando a instalação de doenças decorrentes da inatividade física, postura viciosa e, sobretudo, no nosso psiquismo, gerando ansiedade e medo.

É o medo de perder algo a todo instante, em qualquer situação, dirigindo, trabalhando, conversando e até dormindo. Esse clic ansioso é um fenômeno moderno, classificado como FOMO ( Fear Of Missing Out ) ou Medo de Perder Algo. Ou ser passado para trás.Então, será que já FOMO? Ou “tamo vortando”?

Que progresso perigoso!

*Professor da Faculdade de Medicina da Unesp em Botucatu. Contato: [email protected]

Não brinque com o caleidoscópio – Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Você tem que aprender a ficar imóvel no meio da atividade e a estar vibrantemente vivo quando estiver em repouso”. (Indira Gandhi)

A família é um caleidoscópio. Cada um dos seus membros tem vida própria, características diferentes, e sua própria cor. É o conjunto harmônico e harmonioso que produz a beleza no movimento giratório. Se todos os membros da família tivessem as mesmas características e o mesmo comportamento, não teríamos a harmonia nas cores nem os resultados encantadores de um caleidoscópio. O importante é que aprendamos e entendamos o manejo, sem a
intenção de imobilizar as pedrinhas.

Uma vez igualadas e imobilizadas, o encanto se desfaz. Não façamos do nosso caleidoscópio familiar um instrumento para nossa diversão, mas para nosso orgulho e nossa felicidade. Respeitemos as personalidades dos nossos filhos como eles são, e não como queremos que eles sejam. Nossa sabedoria, como orientadores, está em saber orientar, e não dirigir. E para que saibamos orientar nossos filhos temos que aprender a usar e harmonizar cada caquinho de vidro colorido para, diante dos espelhos, que eles se misturem sem se misturarem; harmonizem-se sem exibicionismo, para que a beleza do conjunto seja abrangente e gratificante.

Cada um dos nossos filhos é um caquinho de vidro colorido que, na sua aparente fragilidade e insignificância, é capaz de produzir a felicidade de que necessitamos num momento de contemplação. Não é a insignificância do caquinho de vidro colorido que importa. É o que poderemos fazer dele se nos dispusermos a fazer o que realmente deve ser feito. A importância do que produzimos está em sabermos produzir. Construa um caleidoscópio rústico e singelo para seus filhos. Mas, mais importante do que isso é construir um caleidoscópio com eles próprios. Ensine-lhes a verem na beleza singela do conjunto de caquinhos de vidro colorido e a harmonia da ordem.

Construa, com seus filhos, um caleidoscópio para embelezar e enriquecer o mundo, respeitando e orientando cada um dentro da sua personalidade. Não tente dirigir o barco. Apenas oriente o rumo a ser seguido e deixe que o timoneiro siga seu destino num conjunto colorido de responsabilidade, respeito, ordem, e muito amor. E isso só é possível quando sabemos orientar sem dirigir. Faça do seu filho um excelente timoneiro sem lhe indicar o seu caminho, mas o dele. Quando não somos capazes dessa orientação é porque vivemos à deriva, querendo nos agarrar a nossos filhos como nossa tábua de salvação. Pense nisso.

*[email protected]