Por Opinião
Em 11/01/2017

A educação de 2017 já começou em 2016 - Ronaldo Mota*

Somos todos capazes de prever o futuro, mesmo porque assim o fazemos espontaneamente todos os dias. Seja quando planejamos nosso cotidiano, seja quando tentamos programar os próximos passos de nossas vidas. No entanto, rigorosamente, ninguém sabe o futuro. Mesmo assim, todos fazemos, quase que automaticamente, diagnósticos, projeções e previsões.

Particularmente sobre educação, não há sobre o futuro que nos aguarda uma síntese única e nem é possível um resumo consensual. Porém, os acadêmicos da Open University, no Reino Unido, propuseram uma interessante lista de novos termos educacionais, bem como inéditas teorias e práticas, que muito em breve farão parte de nosso cotidiano. Destaco a seguir uma dezena delas, já em curso em 2016, mas que tendem a estar cada vez mais presentes em 2017:

1. Aprendizagem via mídia social. Aprendemos o tempo todo e em todos os lugares. Fora da escola, ainda que o ensino seja menos formal, a aprendizagem, em alguns aspectos, pode ser melhor e mais rápida. Todos estão familiarizados com exemplos como Facebook ou Twitter, locais naturais de compartilhamento de fatos, ideias e opiniões, ainda que haja o risco inerente de informações imprecisas, incompletas ou parciais. Há experiências em curso, inclusive no Brasil, utilizando, com sucesso, os espaços do Facebook como ambiente central de aprendizagem, inclusive para turmas regulares. O mestre neste caso explora, de forma pioneira, seu papel de facilitador no estímulo ao engajamento, promovendo e organizando as discussões e fazendo a curadoria dos temas e das referências mais adequadas;

2. Falha produtiva. Trata-se de um método de aprendizagem no qual aos educandos são apresentados problemas complexos para serem resolvidos, mesmo cientes de que provavelmente eles não dispõem ainda de todas as ferramentas. Antes de receberem qualquer instrução, eles exploram, de forma independente, as várias oportunidades de solução e falham, atestando que podemos aprender mesmo quando trilhamos caminhos supostamente errados. Os professores, vencidas as etapas preliminares, apresentam os conceitos mais relevantes e exploram os métodos de solução existentes;

3. Aprender ensinando. Da mesma forma que os aprendizes aprendem com seus mestres, podem eles assumir o desafio de explicarem uns aos outros o que eles

conseguiram aprender até então, ainda que nesta etapa embrionária a aprendizagem seja limitada e parcial. Tais tentativas colaboram na consolidação de conceitos e evidenciam as eventuais deficiências. O método é de relativamente fácil execução, podendo no limite envolver toda a turma, ou mesmo pessoas externas à turma. As tecnologias digitais são ferramentas essenciais na implementação deste método e a área da saúde é onde os resultados, até aqui, aparentam ser mais evidentes;

4. Design thinking. Esta abordagem procura resolver problemas usando processos usualmente adotados por designers. Significa incluir nos processos etapas como experimentação, criação e modelagem, estimulando que as práticas gerem protótipos progressivos que viabilizem um processo contínuo de redesigning. Ou seja, envolvendo exercícios mentais e sociais, os usuários das soluções propostas contribuem de forma decisiva nas camadas de reanálises e de novas implementações;

5. Aprendizagem com o coletivo. Contar com um número grande de opiniões e contribuições significa, cada vez mais, agregar valor. O estímulo à participação de amadores interessados ou de especialistas com vínculos eventuais com o projeto pode ser de extrema valia na procura das melhores soluções. Além disso, esporadicamente útil para arrecadar fundos ou obter elementos os mais diversos que gerem ou viabilizem soluções. Os campos de aplicação variam de identificação e estudos de pássaros à contagem coletiva de estrelas e galáxias. Projetos bem desenhados podem obter escala devida, portanto sucesso, via o envolvimento de comunidades inicialmente externas ao trabalho e que vão gradativamente sendo incorporadas;

6. Aprendizagem com videogames. Aprender pode ser divertido, interativo e estimulante, especialmente contando com ferramentas e ambientes nos quais os aprendizes se sentem totalmente confortáveis. Os jogos podem ser utilizados tanto na formação inicial como na continuada.

Uma empresa que pretenda adotar novas práticas e estratégias pode e deve desenvolver instrumentos próprios e específicos. Quem o faz hoje obtém taxas de sucesso muito acima do esperado, em geral. Ao contrário de reforçar o isolamento, é plenamente possível, ao longo do processo, adaptar os jogos ao espírito de trabalho em equipe;

7. Analítica da aprendizagem. Mais conhecida como learning analytics, permite conhecer bem o educando, colhendo dados de seu comportamento e, a partir desta caracterização, desenhar as melhores trilhas educacionais personalizadas. É possível identificar educandos em faixas de risco de

desistência em tempo hábil para corrigir rumos e abordagens. Destaque-se que cada vez mais o próprio educando participa ativamente da análise, dado que um dos objetivos principais da educação permanente ao longo da vida é que o estudante conheça cada vez mais como ele aprende, aumentando sua compreensão acerca dos mecanismos de aprendizagem que lhes são mais eficientes e eficazes;

8. Aprendizagem do futuro. Aprendizes de hoje, mas com olhos voltados para o futuro. Ou seja, há que se adquirir habilidades e disposições que viabilizem realizar desvios de rumos com flexibilidades inerentes às exigências dos novos tempos. Ao contrário de antigamente, é bastante provável que os profissionais do futuro tenham, ao longo da carreira, atividades e empregos bastante díspares. Uma boa educação para o futuro os prepara para quaisquer desafios em diferentes contextos. Ademais, o estímulo à aprendizagem independente com foco no amanhã também favorece ao educando no sentido de planejar suas perspectivas profissionais de maneira ampla e sem medo excessivo de futuros incertos. Gostemos ou não, a ocorrência de imprevistos deverá ser a marca dos novos tempos;

9. Translinguagem. Cada vez mais nossos alunos estão aprendendo em idiomas que não são sua primeira língua. A habilidade de fazê-lo sem prejuízo, e sim com ganhos, é central em um mundo progressivamente globalizado. A translinguagem tende a aumentar o nível de profundidade do conhecimento adquirido, seja por ampliar as fontes de acesso, seja por exigir uma ginástica mental que é útil no desenvolvimento de interpretação de textos complexos e no estímulo a pensamentos originais;

10. Blockchain para aprendizagem. Blockchain é termo usualmente utilizado para designar o registro público de todas as transações realizadas na moeda bitcoin. São formadas em blocos completos, os quais são adicionados cronologicamente aos já existentes e assim crescem indefinidamente. Esta técnica pode ser adotada em educação ao disponibilizarmos os dados dos trabalhos em curso feito pelos estudantes, bem como seus desempenhos, para espaços mais plurais, tornando os disponíveis a um público interessado bem maior. Ainda que acessível amplamente a vários usuários, estes não podem modificá-los. Educandos e pessoas em geral podem angariar créditos por suas atividades intelectuais ao mesmo tempo que podem conferir credibilidade aos trabalhos dos demais. Tudo se passa como se credibilidade e reputação educacional fossem espécies de moedas, podendo ser intercambiadas, bem como questionadas em um processo de construção coletiva e colaborativa.

Educação precisa levar em conta o futuro, expresso nas tendências acima e em tantas outras, e incluir esta preocupação explicitamente em seus processos. É consenso que quanto mais conhecemos sobre o que houve antes, bem como melhor entendemos o que está acontecendo agora, mais aptos estamos para tomarmos decisões sobre o que vem pela frente. E vem muito mais surpresas educacionais neste futuro tão próximo que parece ter começado no mês passado.

*Reitor da Universidade Estácio de Sá
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Faça história - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“São os homens que fazem a história, e não a história que faz os homens. Quando falta liderança, a sociedade permanece imóvel. O progresso acontece quando lideres de coragem e habilidade aproveitam a oportunidade para pôr as coisas em marcha na boa direção”. (Harry Truman)

Há séculos estamos esperando tais lideranças. Mas não desistamos da luta. Aos pouco fomos aprendendo que os realmente competentes não competem. Cada um deve fazer sua parte como ela deve ser feita e, fim de papo. Mas ainda temos que aprender como fazer nossa parte, quando e onde. Mas é simples pra dedéu. O quando é hoje e agora; o onde é onde estamos ou estivermos. Mesmo porque nem sempre podemos fazer tudo ao mesmo tempo. E o tempo muda de uma hora para outra. E é aí que devemos ser espertos para conosco mesmo. E só faremos isso quando aprendermos que estudamos na maior universidade do mundo: a Universidade do Asfalto. Porque todas as outras estão nos deixando levar pela marola perigosa da incompetência.

Vamos aprender prestando mais atenção às coisas mais simples à nossa volta e que nem as percebemos. Continuamos como títeres de titeriteiros que se consideram espertos, e exploram nossa ignorância. Então vamos sair dela. Vamos tomar um chá de calma. Ela é eficiente pra dedéu. Mas o mais importante é que não nos deixemos adormecer no efeito da calma. Temos muito que fazer para merecer o que aspiramos. E todos nós aspiramos à calma sadia; a felicidade para que possamos ser felizes e grandes, filhos de um País realmente grande, e não só em extensão territorial.

Preocupe-se mais, e sadiamente, com você. E você nunca vai encontrar a paz na briga, mesmo sabendo que não há vitória sem luta. E manter uma luta silenciosa, tranquila e racional, dentro de um mundo efervescente sempre trás a vitória desejada. Então, por que espernear? Quando nos aborrecemos com o incompetente, estamos nos igualando a ele. O que devemos é fazer melhor do que ele faz, para mostrar nossa superioridade. E você pode fazer isso, independentemente de sua condição social. Pare de perder tempo com momentos desagradáveis.

Supere-os com coragem, determinação, nas suas atitudes. É a coisa mais simples e edificante que você pode fazer, ratificando sua racionalidade, num mundo ainda irracional. Mas o mundo está em faze de evolução. E você faz parte, tanto do mundo quanto da sua evolução. É aprendendo a nadar dentro desse caleidoscópio mundial, que evoluímos, mesmo sendo um daltônico. E daí? O visual é apenas uma exibição do mental. Então dirija seus pensamentos para o melhor para sua vida, com racionalidade. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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